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Aos Pais de Meus Netos - Introdução
Aos Pais de Meus Netos - Introdução

Introdução

 

Há muitos anos, quando vocês ainda eram bem pequenos, eu passava, em meu caminho diário para o trabalho, em frente a uma velha casa que precisava de uma boa reforma. Desde que a conheci já estava vazia, e no decorrer dos anos o seu estado foi se tornando cada vez pior. Era uma casa vermelha de tijolos à vista, era grande e quadrada, e estava no meio de um parque que provavelmente já foi muito bonito alguma vez. No começo, quando a conheci, ainda parecia ser habitável e aconchegante, embora estivesse vazia. Mas a última imagem que tive dela, e que se fixou na lembrança, é bem outra. A cerca caiu, a varanda está em escombros, as janelas foram arrombadas, as portas e batentes quebrados - uma triste ruína.

Mas o mais triste em toda esta história é o fato que esta casa foi de propriedade da família de um conhecido cristão, um homem de negócios próspero e bem ­sucedido. Todo mundo o tinha conhecido como um cristão; porém agora só restava este triste monumento para que o mundo se lembrasse dele.

A família que deixou era uma ruína ainda mais triste do que esta casa; contar aqui a sua história, seria muita tristeza para mim.

Vocês podem imaginar que, passando eu diante desta casa, muitas vezes me veio a pergunta:

"Como é possível que uma família, que era conhecida como uma família cristã, pode chegar a tal ponto?" E alguns dentre vocês igualmente pesam em meu coração, isto quando paro para pensar nos anos que talvez ainda tenhamos pela frente.

Eu abri a minha Bíblia, este livro velho e fiel, que sempre consola as mágoas, concede paz quando há medo e nos instrui em nossa ignorância. Ali eu encontrei um grande número de ensinamentos acerca deste tema assaz importante. Eu não quero afirmar que cavei muito fundo neste tesouro, que temos em mãos, nem também que segui à risca todos os ensinos que encontrei ali (embora deseje sinceramente que o tivesse feito). Estes ensinos nos são apresentados sob formas diferentes: seja por meio de exemplos, por exortações ou advertências, mas também por mandamentos.

Vocês, meus queridos, agora já não são mais aqueles "pequenos" daquele tempo; ao invés disto vocês agora tem que educar os seus próprios "pequenos" para o nosso Senhor e Mestre. Vocês permitem que o avô desses "pequenos" transmita a seus pais um pouco daquilo que ele colecionou, quando meditou sobre as alegrias e preocupações daqueles pais dos quais relata a Escritura? 

Como vocês sabem, ele não escreve por ter alcançado um êxito especialmente digno de menção na educação de suas próprias crianças; ele antes reconhece juntamente com Davi, que:

"Ainda que a minha casa não seja tal para com Deus, contudo estabeleceu comigo um concerto eterno, que em tudo será bem ordenado e guardado, pois toda a minha salvação e todo o meu prazer está nele, apesar de que ainda não o faz brotar" (2ª Samuel 23,5)! Mas apesar de todas as suas falhas ele pode dar testemunho da grande Graça de Deus e de Sua paciência inesgotável para conosco, também quanto a esta nossa tão grande responsabilidade.

Eu creio que todo o pai, temente a Deus, se portará com gravidade quando considerar histórias como a de Adão, cujo filho mais velho era um assassino' ou então a de Noé, do qual uma parte de seus descendentes ainda hoje está sob maldição; a de Abraão, cujo filho mais velho sempre foi e continua sendo um inimigo irreconciliável, fonte de sofrimento e dano para o povo de Deus; a de Moisés, cujo neto provavelmente foi o primeiro sacerdote idólatra em Israel; a de Davi com todas as suas dificuldades familiares; e quando então considerarmos a história de Josias, creio que seja o suficiente para quebrar os corações de quaisquer pais que sejam. Assim os nossos corações clamam por resposta à questão que se levanta:

"Porque é que homens tão tementes a Deus, teriam que ter descendentes tão ruins? Involuntariamente surge no coração também uma outra pergunta, mesmo que os nossos lábios se neguem a formulá-la:

"Existe algo que me conceda a certeza de que a minha família não tome este tão triste rumo?"

Estas perguntas todas freqüentem sempre ocuparam o coração deste escritor, e talvez vocês também são freqüentemente atormentados por pensamentos semelhantes. Assim eu desejo, com a Graça e ajuda de Deus, considerar algumas das respostas que a palavra de Deus parece dar a elas.

E quando colocamos esta questão: "Porque é que servos tão honrados do Senhor tiveram que ter filhos tão maus?", a própria palavra de Deus parece nos responder (como Ocorre freqüentemente) - como que se fosse um eco - com uma contra­-pergunta: "Não havia um motivo para isso?"

Será que não há sempre uma razão, uma causa, quando pais que temem a Deus tem um filho que anda em maus caminhos? A Bíblia parece nos dizer que sempre há uma causa para isso. Mas estas tão tristes histórias não estão relatadas na Bíblia para enfraquecer os pais crentes de nossos dias, mas nos foram dadas muito mais como advertências contra os perigos que espreitam e ameaçam as nossas famílias; e se considerarmos estas advertências, então teremos razão de sermos sempre gratos Àquele que no-las deu. Triste, sim, realmente triste é a lamentação que o Senhor tem a fazer sobre alguns: "A quem falarei e testemunharei, para que ouçam? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos, e não podem ouvir; eis que a palavra do Senhor é para eles coisa vergonhosa: não gostam dela" (Jeremias 6,10). E qual é o remédio, se notamos, que este é justamente o nosso estado?

Creio que o temos em Jeremias 4,4: "Circuncidai-vos para o Senhor, e tirai os prepúcios do vosso coração". Eu imagino que esta exortação, à se "circundar para o Senhor" , quer dizer remover todas as "paixões da carne", que nos enredam tão facilmente (1 Q Pedro 2, 1). Se a nossa preocupação com nossos filhos é motivada por nosso interesse por eles, se o motivo não for mais elevado - por amor ao Senhor: então não podemos seguir em frente sem atentar para esta admoestação; não podemos incorrer no risco de nossos ouvidos se tomarem pesarosos em ouvir, de forma a não atentar a estas tão sérias constatações.

Oh, meus filhos, considerai o meu urgente pedido, para que ­custe o que custar - ouçam estas advertências da Palavra de nosso Pai celeste, e notai-as bem, pois o meu coração estremece ao pensar que, caso não o fizeres, talvez venha o dia em que, com o coração quebrado, vocês dariam tudo o que possuem para voltar a ter esta oportunidade; mas então ela já terá passado e nunca mais voltará.

 

Já tive a oportunidade de ver o tormento desses pais, cujo coração se quebrou; como contemplavam com temor e medo o seu filho que malogrou. Estavam conscientes - certamente - de que a causa disso foi o seu próprio procedimento descompromissa­do, talvez um caminho, cuja história remete para muitos anos atrás. Mas "tudo o que o homem semear, isto também ceifará". Uma expressão absolutamente comprovada, quando aplicada à nossos filhos.

Famílias do Velho Testamento