Congresso
Vocę Participaria de um Congresso Bíblico?
Sim
Năo
Ver Resultados

Partilhe esta Página



Total de visitas: 66325
Servir a Deus (Parte 1)
Servir a Deus (Parte 1)

SERVIR A DEUS


O SERVIÇO NA IGREJA (OU NA CASA DE DEUS)

Em Israel, os sacerdotes e os levitas eram separados especificamente para Deus. Os primeiros com o fim de chegar-se a Ele e apresentar-Lhe os sacrifícios, os últimos para O servir. Os levitas representavam os primogênitos, eram consagrados a Deus. Foram tomados em lugar de todo primogênito que abria a madre; pois naquela ocasião em que feriu a todo primogênito dentre os egípcios, Deus havia consagrado para Si a todo primogênito em Israel. É o que lemos em Nm 3: 12-13: "Eis que tenho eu tomado os levitas do meio dos filhos de Israel, em lugar de todo primogênito, que abre a madre, entre os filhos de Israel: e os levitas serão meus. Porque todo primogênito é meu: desde o dia em que feri a todo primogênito na terra do Egito, consagrei para mim todo primogênito em Israel, desde o homem até ao animal: serão meus: Eu sou o SENHOR". Dado o fato que o número dos primogênitos excedia o dos levitas, era necessário que os demais fossem resgatados, visto que pertenciam a Deus; os levitas, por sua parte, eram possessão de Deus para o Seu serviço. Foram dados a Arão, o Sumo Sacerdote, para que o servissem, e o serviço deles estava intimamente conectado com a apresentação das ofertas e sacrifícios. Não estivesse ligado a isso, o serviço (o ministério) deles não teria valor algum.

 

HOJE TODOS SOMOS SACERDOTES

A mesma condição também se aplica à Igreja - a Assembléia -, com a única diferença de que já não são mais alguns senão todos os membros dela que agora participam tanto do sacerdócio como da ordem levítica. É a todos os crentes que o apóstolo Pedro diz: "Vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo"  (1 Pe 2:5). Todos os crentes chegam-se a Deus da mesma maneira, e a relação em que estão diante dEle é a mesma para todos. Um está tão perto quanto o outro, e todos são conclamados a oferecer a Deus, por meio de Jesus, "sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome" (Hb 13:15).

Outrora os levitas, os primogênitos em Israel, eram propriedade de Deus, e assim é a Igreja hoje: todos os seus membros, como primícias aqui no Mundo, são santos ao Senhor. Nós somos remidos, fomos comprados por alto preço, e, por isso, já não mais pertencemos a n6s mesmos, mas a Deus com o fim de glorificá-LO com o nosso espírito e nosso corpo, que Lhe pertencem. Do. mesmo modo como os levitas foram dados a Arão, assim n6s fomos dados a Cristo, o Sumo Sacerdote que fez expiação pelo povo, o Maioral da Casa de Deus; e a finalidade é desempenhar o serviço em Sua Casa. Este serviço é exercido na presença de Deus em total dependência de Cristo, e somente diz respeito àquilo que Ele mesmo faz em Sua Casa. Um requisito é estar em íntima comunhão com Ele, do contrário este serviço não tem valor algum, sendo até mesmo rejeitável. Passa a ter valor somente quando ocorrer na dependência de Cristo e quando em todos os pormenores for o resultante de nossa comunhão com Ele e da consideração à Sua posição como Sumo sacerdote. Cristo é "Filho sobre a sua casa, a qual casa somos nós"(Hb3:6). "Há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo"(l Co 12:5). O Espírito Santo concede a capacidade e o dom para o serviço, mas quando desempenhamos essa capacidade e esse dom o fazemos na condição de servos de Cristo. E este serviço, que é tão diverso, é regulamentado pelo próprio Deus ao indicar a cada um o seu lugar específico. Foi assim que Ele o fez com os levitas (veja Nm 4), e é assim que Ele o faz na Igreja. Entre nós, somos todos irmãos e sobre n6s está somente um Mestre. Este distribui a cada um dons de Sua graça, conforme Ele quer e segundo os desígnios de Deus, o Pai. Trata-se de Seus servos, os quais Ele escolheu segundo a Sua sabedoria e conforme o Seu direito, e é somente Ele que dispõe sobre eles. Aquele que porventura nega a unidade dos crentes, ou então a diversidade dos serviços, este nega a Palavra e a autoridade de Deus. "Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função; assim também nós, conquanto somos muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros" (Rm 12:4-5).

 

AS ATRIBUIÇÕES ESPECIAIS

Antes de prosseguir este assunto, quero observar que não é minha intenção tratar daqueles dons especiais que foram dados visando o aperfeiçoamento dos santos, aqueles listados por exemplo em Ef 4:11-12, onde lemos que "Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo". Cristo, que subiu às alturas e que como Homem assumiu o Seu lugar à direita de Deus, tendo cumprido tudo, Ele mesmo, sendo o Cabeça do corpo, efetuou esta distribuição. Os apóstolos e profetas constituíram o fundamento da Igreja, enquanto os evangelistas, pastores e mestres foram designados para o serviço habitual, necessário à Igreja em todos os tempos. Contudo, conforme mencionei, o objetivo destas linhas não é detalhar estes dons especiais, minha intenção é muito mais abordar o serviço da Igreja, ou seja, o serviço de cada um dos membros.

 

CRISTO É A FONTE E TAMBÉM A META

Neste mesmo capítulo 4 da carta aos Efésios, onde são mencionados os dons especiais, encontramos uma importante exortação que se refere ao serviço de todos os membros, cujo fim é a edificação do corpo de Cristo. Ali lemos nos versos 15-16: “... mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado, pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor". - Cristo foi revelado em toda Sua plenitude, e os membros que formam o corpo devem ser à imagem desta plenitude; devem crescer almejando esta plenitude e desta forma serem cada vez mais semelhantes à Cabeça; em sua própria alma deve haver o pendor para a verdade, em amor. A verdade e o amor vão juntos: a verdade manifesta todas as coisas, faz-nos ver como está o nosso relacionamento uns com os outros e com Deus (que em todas estas coisas é o Amor}; e ambos - a verdade e o amor- têm em Cristo a sua perfeita expressão. Ele é nosso exemplo e é também o Cabeça ao qual estamos ligados como membros de Seu corpo. DEle, e mais precisamente por intermédio de Seus membros, é que flui toda graça que é necessária para efetuar a obra de edificação à Sua conformidade. É por meio dEle que todo o corpo está bem ajustado e consolidado, e segundo a operação de Sua graça em cada membro é que o corpo efetua o seu próprio aumento e edifica a si mesmo em amor. Esta é a condição da Igreja segundo o pensamento de Deus, até que todos os membros do corpo tenham chegado à medida da estatura de Cristo - à Sua plenitude.

 

VER AS COISAS COMO DEUS AS VÊ

Está evidente que esta passagem trata do serviço de todos os membros visando a edificação do corpo de Cristo. Todos os membros deveriam estar preenchidos com os pensamentos e com as riquezas da pessoa de Cristo para que em amor pudessem:

- servir-se mutuamente, e

- estimular uns aos outros ao crescimento.

Mas, ah! Quanto os crentes perderam de vista esta liberdade e este privilégio. Como sempre, o velho inimigo tem causado grande dano: valendo-se da infidelidade da Igreja, tem alcançado os seus objetivos maldosos. Ele se introduziu como um lobo entre o rebanho dispersando as ovelhas. A unidade da Igreja, do verdadeiro corpo de Cristo, foi diluída nos mais diversos partidos que chegam a ter inveja, ciúme e amargura entre si e que se reprovam mutuamente. Esqueceram (ao menos a prática não demonstra) que são ovelhas de um só Pastor, membros de um só corpo. No caso de tantas almas compradas por um alto preço, o nome de Jesus não é a única "bandeira" sob a qual se reúnem, mas sim o nome de homens ou de certas teses doutrinárias. Estes nomes ou teses doutrinárias são usadas como barreiras que, postas entre si e seus irmãos - os filhos do mesmo Pai, os membros do mesmo corpo - se prestam para identificar a divisão que fizeram. Caso o nome do Senhor Jesus fosse a única base de reunião para todos os crentes ("porque onde estiverem dois ou três reunidos ao meu nome, aí estou eu no meio deles”), e caso a Sua Mesa fosse o único foco para agregar todos os reunidos, então a unidade do corpo de Cristo estaria representada em toda a Terra, seria, antes de tudo, reconhecida e vista. Como não seria glorificado o nome do Senhor, e como não seria multiplicada a benção da Igreja! Muitos dos dons que o Espírito Santo concedeu para a edificação de todo o corpo acabam limitando sua atuação a uma pequena parte devido à grande desunião da Igreja. Realmente, os muitos partidos são apenas um empecilho para a bênção e para o crescimento do corpo de Cristo; desonram a Deus e Sua Palavra.

Contudo - graças a Deus! -, estas falhas e a infidelidade do homem, sejam elas quantas e tamanhas, não diminuem a medida nem a operação da graça (que procede do Cabeça para a alimentação e para o crescimento dos membros do corpo), nem fazem diminuir no coração do Senhor o amor, que é a fonte desta graça. É verdade ... nós temos falhado muito, nós não O glorificamos, não temos feito uso do abençoado privilégio de sermos para outros o instrumento da alegria deles, não temos sido usados como poderíamos tê-lo sido. O único que não tem falhado é o Cabeça, Este não cessa de operar visando o bem de Seu corpo e evidenciando de todas as maneiras o Seu tenro cuidado para com cada membro. De acordo com os Seus propósitos e segundo o Seu coração, a Igreja continua sendo uma Igreja, um corpo, mesmo ante a grande desunião e aos muitos partidos em que se dividiu. Bendita a fé que é capaz de acolher este pensamento e realizá-lo como outrora fizeram Ezequias e Josias, os piedosos reis em Judá! Para estes havia somente um povo, formado das doze tribos. Ainda que, aos olhos humanos, a nação há anos já estivesse fragmentada em dois povos separados, que até mesmo guerreavam entre si e buscavam reforço nas nações estrangeiras - tais homens conclamaram todo o Israel a subir a Jerusalém para celebrar a páscoa e prestar o culto coletivo a Deus (2 Crônicas capo 30 e 34).

Essa também é a atitude da fé quando se trata da Igreja. A fé agirá assim quando entender que, segundo a vontade de Deus, o intento do Espírito Santo é convidar a todos os crentes, todos os membros do corpo de Cristo, onde quer que os encontre, a se reunirem ao Nome de Jesus para anunciar Sua morte, para O adorar e para glorificar o Seu nome. Este é o abençoado privilégio de todos os crentes, e os únicos que a Palavra de Deus exclui são os que por sua doutrina ou por sua vida desonram ao Senhor, ou então os que dão motivo de escândalo ao próximo. Pode até ser que tal fé seja alvo de riso e zombaria, como foram os mensageiros de Ezequias, mas o Senhor a fará acompanhar com Sua benção. Louvado seja o Seu nome! Também nestes últimos tempos, Ele concedeu ouvidos abertos e um coração compreensivo a milhares dentre os Seus, para que sigam a verdade e se alegrem nela, e também que glorifiquem ao Senhor.

 

TODOS TEMOS UM SERVIÇO CONFIADO

Reconhecer esta unidade do corpo de Cristo também é essencial para desempenhar corretamente o serviço cristão. Tal como a fé abraça a todos, assim também o amor no serviço. A tendência e o costume é que esse serviço seja confiado às mãos de alguns poucos (sem falar da maneira tão triste e fora dos padrões divinos como isso geralmente é feito). De fato, há tais que, conforme vimos no início, têm o dom e foram capacitados especialmente para o serviço; estes, inclusive, são responsáveis por desempenhá-lo. Mas se tomarmos aquela passagem mencionada de Efésios 4 (há outras mais), veremos que são todos os membros do corpo que foram chamados e que têm o privilégio de serem servos de Cristo a favor de Seu corpo, e, cada qual à sua maneira, pela operação do Espírito Santo, pode operar aquilo que é proveitoso para a edificação do corpo. Cada um também é responsável por este serviço, segundo a medida do dom e da capacitação que recebeu. Cada um, individualmente, pode cooperar ou então ser danoso para o crescimento de um certo membro, e com isto de todo o corpo. Quão sério é este aspecto! Que cada leitor crente possa considerá-lo em sinceridade diante de Deus!

 

Continua em Servir a Deus (Parte 2)