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ORIENTAÇÃO EM TEMPOS DE DECADÊNCIA (parte 1)
ORIENTAÇÃO EM TEMPOS DE DECADÊNCIA (parte 1)

ORIENTAÇÃO EM TEMPOS DE DECADÊNCIA (parte 1)

Roboão, Jeremias e Daniel

Três exemplos do Velho Testamento nos ajudam a reconhecer os grandes princípios de Deus, que permanecem inalteráveis.

Podemos estar certos de que na história da Igreja não haverá um só dia, por mais tenebroso e difícil que seja, no qual não haja luz para guiar o crente que desejar trilhar o caminho da obediência. Pode ser que em virtude de nossa ignorância e obstinação, nós erremos o caminho. Talvez em decorrência da falta de devoção, nós encaremos o nosso caminho com certa indiferença, ou até, por falta de fé talvez recuemos ante ele, mas, mesmo assim, há luz para o caminho, para aqueles que procuram e desejam andar em obediência à palavra. Essa luz, pois, não se há de encontrar somente no Novo Testamento em forma de doutrina, mas também no Antigo, numa espécie de ilustração.

Assim sendo, queremos focalizar três cenas do Velho Testamento, que irão nos ajudar a compreender os grandes e inalterados princípios de Deus, princípios que deveriam nos guiar no dia da divisão e da dispersão entre o povo de Deus.

Roboão - 2 Crônicas 11

Até aos dias de Roboão, o povo de Israel esteve reunido em um só reino. Com o início do seu reinado, o reino foi dividido. Porventura o relato sobre essa divisão, não nos fornece alguma luz sobre as terríveis dissensões que dispersaram o povo de Deus em nossos dias? Acreditamos que sim.

Primeiramente, talvez, perguntemos: Qual foi a raiz ou a causa dessa divisão? A divisão em si se efetuou nos dias de Roboão, mas para descobrir a causa temos de voltar aos dias de Salomão. Assim, a verdadeira causa de toda separação entre o povo de Deus, geralmente, se encontra num passado bastante remoto em relação à separação propriamente dita. I Reis 10:26-29 juntamente com cap. 11 podem nos mostrar a origem dessa divisão em Israel. Tudo isso se deve à pouca devoção a Deus e 'ao desviar-se da Palavra Dele. Para entendermos o caráter da falha, temos de nos lembrar que a lei de Moisés continha recomendações bem definidas para o Rei. Em Dt 17; 14-20, o Rei é advertido, uma vez contra o mundanismo e, por outra, contra a desobediência à Palavra. O Rei não devia multiplicar para si os cavalos; nem devia motivar o povo a voltar para o Egito, porque o Senhor havia dito: "Nunca mais voltareis por este caminho". O Rei não devia multiplicar para si mulheres, nem devia multiplicar para si prata e ouro. Devia, por outro lado, escrever para si um translado da Lei, num livro, e "Todos os dias de sua vida devia LER nesse livro", para aprender o temor do Senhor e para observa r todas as palavras da Lei.

Se agora retomarmos aos capítulos 10 e 11 de I Reis veremos que o Rei Saio mão falha. Ele multiplica para si cavalos, motivando alguns do povo a voltar ao Egito; ele multiplica para si mulheres e multiplica para si prata e ouro. Enquanto muito nos foi relatado das riquezas, sabedoria e magnificência de Salomão, nunca é mencionado que Salomão tenha lido a Lei. Assim, finalmente, Deus tem de lhe dizer: "Tu não observaste o meu concerto e os meus estatutos" (I Reis 11:11).

Aqui, pois, descobrimos a raiz ou a origem da divisão em Israel e - será que não podemos dizer? - a raiz de todas as divisões havidas em todo o povo de Deus. Primeiramente, o mundanismo que não for julgado rouba ao povo de Deus a fiel devoção, e, então, na seqüência, vem a desobediência à Palavra.

É devido a essas coisas que Deus disse a Salomão que o reino seria "rasgado" em duas partes. Temos, no entanto, de nos lembrar de que a divisão sobreviria não somente pelo erro do rei, senão também pela falha do povo. Quando o profeta Aías anuncia a Jeroboão, que o reino em breve seria dividido, ele não menciona nada a respeito dos erros de Salomão, porém, fala somente da falha do povo. A divisão sucederia, disse o Senhor "Porque me deixaram e se curvaram a Astarote... e não andaram pelos meus caminhos? para fazerem o que é reto aos meus olhos e observarem os meus estatutos e os meus juízos" (I Reis 11:31-38).

Aqui, encontramos novamente que a causa da divisão é o mundanismo, que faz que se volte para deuses estranhos, é também a desobediência à Palavra de Deus; mas, desta vez, em ligação com o povo. A imprudência e o erro dos guias, por maiores que sejam, não causariam necessariamente uma separação, se não fosse por causa do baixo nível do povo de Deus em geral. Compare os versos 11 e 33: "visto que assim procedeste", esta frase condena o indivíduo; "Porque me deixaram ", (versão corrigida) manifesta o baixo estado do povo, que está por trás da falha do Rei (compare versos 11 e 33).

Essa foi, portanto, a origem da divisão, mas como ela chegou a se realizar? Este relato encontramos em I Reis 12 e II Crônicas 10. Morre o Rei Salomão, e, seu filho Roboão sobe ao trono. Imediatamente surge uma crise. É que nos anos anteriores houve uma longa história de duras medidas, opressão e servidão. E agora uma parte do povo se levanta em protesto. Qual é a postura do líder do povo ante este protesto? Roboão é aconselhado pelos anciãos, que são ricos em experiência, que dizem que tudo irá bem se ele se fizer benigno e agradável a este povo e lhes falar boas palavras (2 Cr 10:7).

O conselho dos "anciãos" é espiritual; muito diferente é, no entanto, o conselho da natureza, conforme é dado pelos jovens que cresceram com ele. Os jovens aconselham a Roboão a tomar um rumo que pareça mais lógico, seguindo uma linha dura, mantendo a autoridade e a majestade da casa real. Infelizmente, Roboão acata o conselho dos jovens. Assume urna atitude arrogante e insensata e ameaça os protestantes de punição extrema e violenta (I Reis 12:12-15). A violência do Rei é correspondida pela violência do povo, que por sua vez apedreja o embaixador real; a conseqüência é a divisão do reino (I Reis 12,16­-19).

Atribuir somente a Roboão a culpa pela divisão do reino, seria deixar de lado os pensamentos de Deus. O povo naqueles dias, diante dos fatos dessa ocasião, talvez tenha concluído que a divisão foi ocasionada somente à imprudência do rei. Talvez tenham argumentado: "Se Roboão não se tivesse comportado tão arrogante e insensatamente, ameaçando de violenta disciplina o povo de Deus, levando-o à servidão, não haveria separação.

Por mais sensatos que tais argumentos pareçam ao raciocínio natural, ainda seriam falsos. É verdade que a imprudência de Roboão foi o motivo direto da divisão. Mas a Palavra de Deus em juízo, já tinha sido proferida muito antes daquelas impetuosas Palavras do Rei, e, o poderoso braço do Senhor, em disciplina, estava por trás do impotente braço do rei. A santa determinação de Deus rompeu o reino, e o motivo para disciplina foi o baixo nível do povo.

Após consumada a separação, vemos na continuação que a história de Roboão é extraordinariamente instrutiva para nós, apontando-nos as ciladas que devem ser evitadas e qual o caminho a ser seguido face às separações. Roboão aciona imediatamente todos os meios possíveis, para reunir, novamente, o povo; e usando dos meios cabíveis para a época, ajuntou para esse fim um exército.

Não resta dúvida de que também era o pensamento de Deus, que fossem "um". Eles haviam sido "um" no início do caminho de Deus com eles. E, no dia vindouro; isto é, no futuro, serão igualmente "um" conforme a palavra do profeta: "E deles farei uma nação na terra, nos montes de Israel, e "um" rei será rei de todos eles; e nunca mais serão duas nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos (Ezequiel 37,22). Assim até pode parecer que Roboão estivesse justificado em seus esforços para acabar com a separação, procurando reunir ° povo de Deus.

Ele, no entanto - e todo Israel com ele - tinha que aprender que as dez tribos, apesar da divisão, continuavam sendo seus "irmãos", e que não deviam subir à peleja contra eles. Além disso, Semaías, o homem de Deus, disse a Roboão por que deviam desistir. É porque o Senhor dissera: "Eu é que fiz esta obra". Deus havia censurado Salomão, por seu mundanismo e desobediência, dizendo: "Pois que houve isto em Ti..., certamente rasgarei de Ti o Reino". Agora que o golpe está dado, Deus pode dizer a Roboão: "Eu é que fiz esta obra". Procurar não praticar a maldade de Salomão, talvez seja correto; desprezar os caminhos do governo de Deus certamente seria injusto (compare I Reis 11:11 e II Cr 11:4). Roboão e os que estão com ele têm que aprender, como também nós, que em meio às dissensões provocadas pela nossa imprudência, os caminhos de Deus em Seu governo não devem ser ignorados.

Mui sabiamente Roboão e as duas tribos desistiram dos seus esforços, como lemos: "E ouviram as palavras do Senhor" (2 Cr 11:4). Aceitaram a humilhação e a dor da divisão e se curvaram debaixo da disciplina do Senhor. Daí por diante, Roboão fica dentro daquela área limitada pela divisão, pois lemos: "Roboão habitava em Jerusalém". Será que isto significa que ele, agora, se acomoda a uma vida calma e inativa? Será que não mais se ocupa dos interesses do povo de Deus? Longe disso! Pois lemos na seqüência que ele se tomou um edificador: "E edificou cidades para fortalezas em Judá" (v. 5-10). Como talvez diríamos: ele "confirmava os restantes" (Ap 3:2). Além disso, construía "armazéns para alimentos e azeite e vinho" (compare v. 11). Ele cuidava da nutrição do povo de Deus.

Qual foi o resultado de tudo isso? Judá se tomou em refúgio para o povo de Deus, conforme lemos: "Também os sacerdotes, e os levitas, que havia em todo o Israel, se ajuntaram a ele de todos os seus termos," também "de todas as tribos de Israel, os que deram o seu coração a buscarem ao Senhor Deus de Israel", vieram a Roboão. "Assim fortaleceram o Reino de Judá" (v. 13,16 e 17).

Três anos durou essa prosperidade, mas, que pena, então, Roboão deixa a lei do Senhor (lI Cr 12:1), e a desgraça logo vêm. Se ele tivesse continuado na obediência, quem saberia dizer quanta prosperidade ter-se-ia tomado notória!

Porventura, isso nada tem a nos dizer, em face das dissensões entre o povo de Deus? Não foram empreendidos grandes esforços no sentido de acabar com as divergências entre o povo de Deus, esforços que muitas vezes aumentam a confusão?

Não seria prudente reconhecermos a mão regente do Senhor, sobre nós, devido ao nosso mundanismo e ao desvio da Palavra, e não seria prudente, dobrarmo-nos debaixo da disciplinadora . mão de Deus, assumindo o vexame e a dor das separações, perseverando em obediência à sua Palavra, no fundamento de Deus para o seu povo, procurando fortificar o restante e alimentar o povo de Deus? Aqueles que em dedicação e fidelidade à Palavra, decididos a agir conforme acima foi exposto, não constituíram, porventura, um amparo, em todo lugar, para os oprimidos entre o povo de Deus?

Jeremias Capítulo 42 e 43:1-7

Quatrocentos anos haviam se passado desde aquela grande divisão em Israel, até ao relato sobre os acontecimentos em nossa leitura. A essa altura, encontramos o povo de Deus, não apenas dividido, mas disperso. Há cento e trinta anos, as dez tribos haviam sido levadas ao cativeiro, para se perderem entre as nações. Repetidos cativeiros fizeram minguar as fileiras em Judá, até que o reino, como tal, deixara de existir.

Um remanescente do povo de Deus, no entanto, ainda se encontra na terra do Senhor. Nos primeiros versículos de Jr 42, eles se dirigem ao profeta e declaram estar procurando luz do Senhor para o caminho, no dia da dispersão. "Então chegaram... todo povo, desde o menor até ao maior". Se, porém, contam os menores com os maiores, eles têm de reconhecer que são apenas um resto, pois dizem: " de muitos restamos uns poucos" (v. 2).

O desejo deles é, assim dizem: "O Senhor; nos ensine o caminho por onde havemos de andar e aquilo que havemos de fazer" (v. 3). Eles reconhecem a ruína da nação, e admitem que são poucos. Em meio à decadência e reconhecida fraqueza, eles se reúnem perante o Senhor, para saber dele o caminho em que desejaria vê-los andar e aquilo que desejaria vê-los fazer. Que outra medida teria sido mais conveniente para um pequeno resto do povo, do que solicitar a direção do Senhor?

Com base nisso, Jeremias se encarrega de orar ao Senhor por eles, para lhes transmitir as intenções Dele, sem nada ocultar (v. 4). Isso leva esse remanescente a afirmar solenemente que, qualquer que fosse a resposta, iriam" obedecer à voz do Senhor" (v. 5-6).

Algo, no entanto, corrompe essas belas palavras. Como havemos de notar, a história no futuro nos revela que por detrás dessas boas palavras estava a obstinação. Já haviam decidido andar no seu próprio caminho. A porfia da carne se denuncia pelo seu voto de quererem obedecer ao Senhor, o que denota autoconfiança. Quantas vezes, depois desse dia, a carne se manifestou por meio de palavras que traduziam autoconfiança, e que denunciavam obstinação do coração!

Não há, hoje, os que também dizem, tal como o remanescente: "Dá-nos a Escritura, dá-nos a Palavra do Senhor, e queremos sujeitar-nos a ela"? Tememos que por trás de tais palavras bonitas se oculte a porfia.

Contudo Jeremias se dirige ao Senhor, e, obtém, ao cabo de dez dias, uma resposta. Durante os dez dias ele, aparentemente, não se relaciona com o povo. Não se atreve a dar uma sugestão própria, sobre como deveriam andar ou o que deveriam fazer. Ele espera por determinações claras do Senhor (v. 7). O caminho do Senhor é bastante explícito, Se estes poucos restantes desejam ser edificados e firmados, se eles querem usufruir da presença do Senhor em seu meio, e das suas misericórdias, então há uma condição a satisfazer. Eles têm de "ficar habitando nesta terra".

Por maior que fosse a decadência, por mais completa que fosse a ruína, Ele ainda assim concederia bênção ao remanescente - aos poucos dentre muitos - enquanto permanecessem naquele terreno reservado por Deus para o seu povo. Embora o seu rei e os seus guias tenham fugido, embora a casa do Senhor tenha sido reduzida a cinzas e os muros de Jerusalém tenham sido derrubados (cap. 52: 7.8.13); não obstante isso, ainda haveria bênção para os que ficassem na sua terra. O país era o lugar designado para todo o Israel, mas, que pena, a grande maioria havia sido levada cativa e tinha-se perdido no meio das nações, mas toda bênção para os poucos dependia da permanência na sua terra (v. 9-12).

Ante esse relato sobre o povo e sobre ocorrências há muito passadas, paremos um instante e perguntemos, se tudo isso não contém algum ensinamento para nós, nestes dias de tão grande fraqueza e desleixo; procuremos, então, conhecer o caminho "que devemos andar e aquilo que devemos fazer" em meio às divergências e às dispersões entre o povo de Deus! Não consiste, porventura, o grande ensinamento em que, por maior que seja a ruína, quão dividido e espalhado o povo de Deus esteja, sempre haverá bênção para aqueles que, apesar de tudo, ainda perseveram em favor do povo de Deus e na terra de Deus? Por outras palavras:

O caminho da bênção, apesar de toda decadência, é andar na luz da verdade, válida, aliás, para a Igreja toda; é também rejeitar qualquer outro fundamento.

Nenhuma falha de nossa parte pode nos isentar da responsabilidade de andar e agir de conformidade com a verdade da Igreja de Deus, seja sob o aspecto local, seja sob o universal. Os princípios da Igreja ainda têm todo o seu vigor, tal qual se nos apresentam na primeira epístola aos Coríntios.

É como alguém disse:

"Não está em nós imitar o conteúdo destes capítulos, ou querer fazer o papel dos coríntios, como se possuíssemos todos os dons havidos entre eles. Não devemos arrogar que sejamos a única luz do lugar, como o foi a Igreja em Corinto. Mas nós temos que possuir a fé necessária para reconhecer que a dispersão dos crentes ou o juízo sobre a Igreja não significa a retirada do Espírito... nós, no nosso lugar e na nossa redondeza, temos de nos apegar aos princípios de Deus... talvez nem devêssemos esperar que coletivamente tivéssemos alguma força, esta existiria, se não tivesse vindo o juízo de Deus sobre a Igreja... por outro lado, assim como não deveríamos abandonar princípios por causa da corrupção em nosso redor, também não deveríamos deixá-­los por causa de frustrações sofridas em meio ao esforço para preservar esses princípios. "Deus seja verdadeiro, mas todo o homem mentiroso". Não devemos desistir' de uma regra ou de um princípio, pelo fato de ser ele fortemente atacado ou combatido, e, nem porque se realiza em fraqueza. O "princípio" sobrevive a mil tentativas frustradas de mantê-lo. A luz não pode ser responsabilizada pela sujeira no candeeiro, que impede sua passagem, ou que a ofusca... embora eu esteja preocupado e me sinta desiludido, pelo fato de a luz ter estado, de certa forma debaixo do alqueire, devo lembrar que esta luz continua sendo a I que é capaz de alumiar a todos que estão na casa” (John G. Bellet).

Se agora nos voltamos a relato sobre os "restantes" nos dias de Jeremias, constatam que ele contém para nós tanto uma advertência, quanto um ensinamento.

Após haver-lhes transmitido a palavra do Senhor, referente à bênção, passa a transmiti-Ia como advertência (v. 13-17). Quando os "restantes" dizem: "não quere­mos ficar nesta terra", tememos que, se o fizermos, isso signifique para nós guerra e constante advertência através do sonido da trombeta, e talvez até falta de pão. Por isso pretendemos deixar esta terra e fugir dessas coisas ­então são advertidos de que exatamente essas coisas das quais procuram fugir, os alcançarão. E há mais: ao invés de possuírem ao Senhor em bênção ao seu lado, atrairão' sobre si a mão do Senhor em seu governo. Eles, diz o Senhor, “não escaparão do mal que trarei sobre eles" (v. 17).

Isso não é, porventura, para nós uma advertência? Não nos cansamos, por vezes, do caminho de Deus, e procuramos uma opção mais fácil em alguma das organizações criadas pelo homem - organizações que, graças a princípios e métodos mundanos, pouparão muitos exercícios para nossa fé? Não nos cansamos, às vezes, em face das constantes lutas para manter a verdade, e, não recuamos, também, ante a possibilidade de iminente perigo?

Não estamos tentados a dizer:

"Quando nos vemos expostos a constantes lutas, tememos morrer espiritualmente"? Não somos às vezes, dessa maneira, fortemente oprimidos pelo tentador, induzidos a abandonar a verdade de Deus para sua Igreja?

Ante esses argumentos, que podem surgir dentro do nosso próprio coração, ou nos ser apresentados por outros, lembremo-nos das advertências do Senhor, dirigidas ao remanescente nos dias de Jeremias.

Em primeiro lugar é certo que se dermos um passo errado, para escapar de apuros, estaremos justamente no caminho mais certo para entrar neles. Abandonar a base determinada por Deus para escapar das dificuldades inerentes ao caminho da fé, isso há de nos emaranhar no mundo e nos soterrar debaixo de dificuldades no caminho da obstinação.

Em segundo lugar, os remanescentes são alertados de que aqueles que seguem por esse caminho da obstinação cairão em vergonha e "não mais verão este lugar" (v. 18). É uma cogitação solenemente severa, que aqueles que por algum tempo andaram na luz da verdade da Igreja, e, em favor de um caminho mais cômodo, numa organização humana, deixaram essa verdade, raras vezes têm sido restaurados. Eles "não verão mais este lugar”. Quando Deus em seu regime diz "não mais", então isto significa: caso encerrado.

Ah! Aqueles aos quais Jeremias falava, rejeitaram o ensino e não observaram as advertências do Senhor. O motivo não é desconhecido para Jeremias, ele diz: "Porque vós, à custa da vossa vida, a vós mesmos vos enganastes" (v. 20). A vontade própria, a determinação em seguir um certo caminho, os enganou. Nada influencia tanto a compreensão, nem dificulta a percepção, como a obstinação, daquele que quer ver o que não deseja ver.

E por trás da obstinação se ocultava a soberba, que não queria confessar que eles estavam errados, pois lemos: Que todos os "homens soberbos" chegaram a Jeremias e disseram: "Tu dizes mentiras! O Senhor Deus não te enviou a dizer: não entreis no Egito, para lá peregrinardes" (cap. 43:2).

Além disso, dizem a Jeremias que ele não está sendo guiado pela Palavra do Senhor, mas que meramente está transmitindo palavra de homem. Praticamente dizem: "nós te pedimos pela Palavra do Senhor, e tu, simplesmente, nos repassaste o que Baruque falou, e, se quisermos obedecer ao que tu nos dizes, isso nos levará para a servidão (cap. 43: 1-3). Assim, enganados em seus corações, pela porfia e soberba, se desviam do ensinamento do Senhor e erram o seu caminho. Deixam a base determinada por Deus para o Seu povo, escolhem um caminho segundo o seu bel-prazer e "não mais vêem este lugar".

Reconheçamos "o caminho... no qual devemos andar e aquilo que devemos fazer"! Obedeçamos à Palavra do Senhor e "fiquemos nesta terra"! Demos atenção à Sua advertência, para que, porventura, não enveredemos por um outro caminho, e, assim, "não vejamos mais este lugar"!

 

Orientação em tempos de decadência (parte 2)