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O NOIVADO
O NOIVADO

O NOIVADO

Segundo a Palavra de Deus

 

“Procurai as coisas honestas, perante todos os homens.”

(Romanos 12,17)

Gostaria, antes de iniciar, justificar aqui o emprego do termo "noivado", pois a Bíblia desconhece a tão difundida prática do namoro, em seu aspecto descompromissado e "experimental".

Principalmente nos últimos anos notamos o aumento do número de casos em que crentes iniciam um relacionamento de noivado sem considerar os requisitos bíblicos para uma união agradável a Deus; e o que se tem visto é que após um certo tempo esse relacionamento é rompido. Mas a causa desse triste sintoma de decadência nem sempre é a consciente manifestação da vontade própria; mui frequen­temente a razão que levou a esses compromissos precipitados também foi a carência de ensino e do conhecimento dos princípios divinos. Bem, um passo tão decisivo para a vida e o testemunho do cristão, como é o noivado, que segundo a vontade de Deus deveria culminar, sem muita demora, no matrimônio, somente deveria ser avaliado e praticado à luz da Palavra de Deus.

Por isso, cremos que será muito valioso que crentes, especialmente os mais jovens, considerem estes pensamentos, baseados na Escritura, que nos foram legados por um experimento servo de Deus que há muitos anos já esta com o Senhor.

1- A DECISÃO MAIS IMPORTANTES DA VIDA

Não existe decisão com maior repercussão na vida, seja ela interior ou exterior, do que a união de duas pessoas em noivado, e posteriormente, em casamento. Duas pessoas são ligadas, tomando-­se uma única personalidade; a influência de uma é constante sobre toda a vida da outra. Trata-se de uma regra no âmbito espiritual, ­tudo o que o coração e os olhos contemplam, influi na constituição da própria personalidade. É por isso que a Escritura expõe o mistério da santificação com as palavras: "E todos nós com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito" (2 Co 3:18). O espírito de cada pessoa tem influência nos meios em que vive. Este é um fato bastante significativo. Quando alguém é introduzido em um lar, ou um outro meio qualquer, automaticamente traz consigo o seu espírito. Cada subordinado, cada empregado, cada amigo, cada hóspede, cada colega de serviço deixa sua influência no meio em que está. Mas nenhuma atuação é tão forte, tão duradoura, tão decisiva, como a da esposa sobre o marido, como a do marido sobre a esposa. Quaisquer que forem estas duas pessoas: ou elas serão um estímulo à caminhada do companheiro, ou então um empecilho; assim o caminho deles se aproximará de Deus ou se afastará de Deus, será segundo a luz ou, então, segundo as trevas.

Um cristão, crente, entregou, no momento de sua conversão, o comando de sua vida a Jesus ­praticar isto no dia-a-dia significa: santificação. A responsabilidade para que esse compromisso de vida continue verdade, tanto nas grandes como nas pequenas coisas, é individual para cada crente. Ainda que seja muito precário na prática, fica firme o fato do crente ter-se confiado às mãos do Senhor e poder testificar: Jesus é que é o meu Senhor, eu não mais pertenço a mim próprio. Não é a minha vontade, porém é Jesus quem deve reinar sobre a minha vida. Diante desta entrega, a do coração e dos desejos, é que Jesus se tornou o pastor que assumiu a responsabilidade por todos os cuidados, desde que a ovelha lhe obedeça de fato. Daqui se conclui que a decisão mais importante da vida de um crente aqui na terra, somente poderá ser tomada, caso deseje que seja abençoada, tendo­-se a plena e a clara convicção de que o Senhor quer este relacionamento. Do contrário, o crente estará se desligando da condução de seu Senhor. Passaria a trilhar o caminho da vontade própria, no qual terá que colher frutos muito amargos. O Senhor garantiu aos seus que, durante toda a vida, lhes prepararia o caminho, dando suprimento e proteção. Assim, está claro que zelou com o mais fiel cuidado pela provisão de tão importante decisão na vida de cada filho de Deus que for humilde e dependente dEle. No momento determinado, o Senhor concederá clareza e convicção, confirmando não só que quer como aprova um casamento, mas também quem é a pessoa indicada como parceiro, e ainda o tempo certo para que isto ocorra. Desta decisão depende se a vida ter rena de um filho de Deus trará ou não o fruto desejado por Deus; se o lar que se estabelece será ou não um testemunho eficaz para Jesus; também, se os filhos que vierem serão educados para o Senhor ou para o mundo. Tudo está contido numa decisão: no noivado!

Existem muitas experiências maravilhosas na vida de filhos de Deus para relatar como o Senhor, fiel e maravilhosamente conduz os caminhos dos seus para que tenham plena certeza de quem é a pessoa certa. Isso compreende uma serena espera pela hora de Deus.

Seja mais uma vez mencionado que a fé comum, a real experiência de um novo nascimento, não é, de forma alguma, suficiente para que se possa dizer que Deus determinou duas pessoas, uma para a outra, para o matrimônio. Também crentes, pela distinção de seu caráter e natureza, podem ser um pesado fardo um para o outro, sim, podem se tornar muito infelizes. Ainda há um outro detalhe: não sabemos o que o futuro vai trazer para nós. Se a caminhada vai passar por dias de saúde ou doença, bem-estar ou pobreza - só Deus é quem sabe. Mesmo assim, todo o futuro de duas pessoas está compreendido nesta decisão irrevogável (não existe uma volta atrás!). O noivado determina toda a configuração da vida destas duas pessoas; no entanto, só Deus é quem conhece a forma como vai se desenrolar.

A decisão mais importante da vida - noivado e casamento - , quando colocada nas mãos de Deus, está determinada para prover as maiores bênçãos nesta vida aqui; por meio desta instituição, os filhos de Deus serão mutuamente fortalecidos em sua vida interior; deverão estimular e animar um ao outro.

A questão: "A sua vida vai, de fato, atingir o pleno objetivo de bênçãos segundo os pensamentos de Deus? Todo o fruto que Deus tinha preparado para a eternidade vai chegar aos celeiros celestes?" Não existe outra decisão na sua vida que mais influenciará estas respostas do que considerar se: O seu noivado e casamento é o cumprimento da vontade divina, do plano de Deus? Se em certeza de fé, ambos os lados puderem dizer "sim" a esta consideração, então Deus assumirá a garantia de que, com a sua benção, tanto nos dias ensolarados como nas tempestades da vida, se cumprirão os propósitos que determinou.

Neste caso, a caminhada irá de bem a melhor rumo à glória. Estas duas pessoas serão, um para o outro, a maior ajuda e benção. Foi Deus quem os uniu - e Deus também os haverá de preservar em unidade de fé, de amor, de esperança.

2- O QUE É NECESSÁRIO SABER ANTES DO NOIVADO

Um verdadeiro filho de Deus somente deve se ligar, pelo matrimônio, a um outro filho de Deus se está plenamente certo de que é uma pessoa devota ao Senhor, que de verdade vive para Jesus, e que sujeitou a sua vida à Palavra e à vontade de Deus. Neste assunto, não é bom se dar por satisfeito com o simples fato de tal pessoa frequentar regularmente as reuniões dos crentes; isso não basta. Ainda que alguém dentre os filhos de Deus até fale a "língua de Canaã", e que alguns até mesmo o considerem como convertido, não vem a ser garantia nenhuma. Pode haver muito engano. A questão que deveria, muito mais, ser colocada, é esta: Esta pessoa realmente confessa a sua fé perante os que estão de fora? Nota-se claramente um rompimento com todos os desejos e prazeres, com a natureza e com as vaidades do mundo? Quais são os seus amigos e amigas mais próximos? Existe empenho e alegria em colaborar na obra de Deus? Este conhece e ama realmente a Bíblia, considerando-a como a intocável Palavra de Deus, à qual quer sujeitar a sua vida? O Senhor responderá claramente quando, em sinceridade, se deseja a autêntica resposta a estas perguntas.

Aonde Deus acendeu uma luz, ali haverá um claro brilho. Quando uma vida realmente é vivida para o Salvador, fica evidente, tanto pelo contraste com o mundo, como pela própria característica da personalidade. 

Um cristianismo só de palavras piedosas, sem a separação do mundo, não tem valor algum. Um não-convertido, que se encaminha para um noivado com um filho de Deus, assume rapidamente a aparência de um cristianismo vivo. Tal acontece especialmente quando moços desejam casar com uma moça crente, pois sabem que ela jamais daria a sua mão a alguém que não é convertido. Neste caso, praticam uma farsa que, em parte, é consciente e, em parte, involuntária. De repente, o jovem assumiu os costumes exteriores de um cristão. Ele se declara convertido, visita as reuniões, se interessa por literatura cristã, etc.

Toma-se necessário alertar para uma experiência muito importante que a prática tem demonstrado, e que será confirmada em 99 de cada 100 casos: quase toda conversão que está vinculada a uma intenção de noivado, não é real. Dê ouvidos a esta advertência: não confie na aparência! O mundo diz: "Confie, mas veja lá em quem!" - se existe uma aplicação para isso, está aqui. O conselho que se pode dar ao crente que está envolvido nessa situação é: dê um prazo de 2 ou 3 anos para comprovar se a conversão se confirmou como autêntica. Antes do decorrido este prazo de confirmação, não confie na causa. Cinco ou seis meses, de longe, não são suficientes. 

Um moço que procura ganhar a sua noiva se comporta muito diferente do que aquele que já a tem, e muito diferente ainda quando já estiver casado. Na minha região há um ditado que diz: "espere só, depois do casamento tudo será diferente!" Inúmeras jovens, cristãs, que se deixaram iludir por uma aparência piedosa, deram-se conta, após o casamento, e com muita dor, que estavam ligadas por toda a vida a um homem não-convertido.

Normalmente a constatação, ao menos o temor, de que o cristianismo do parceiro não é autêntico, já se faz notar no período do noivado. E então, o que fazer? Existe o compromisso do "sim" que foi pronunciado diante de Deus, e diante disso os pais da noiva e a própria noiva, mesmo com o coração pesando, consentem com o casamento. Acredita-se que não se pode agir de outro modo, tendo em vista a palavra que foi dada. Mas, antes do casamento, ainda é tempo de se livrar do perigo que ameaça. Tão logo a noiva e seus pais duvidem da verdadeira conversão do noivo, podem dizer a ele: "O noivado está encerrado, baseado em sua profissão de fé. Você disse que é verdadeiramente convertido, que sua vida pertence a Jesus. Nós tememos que você iludiu a si próprio e a nós também. Gostaríamos de nos manter fiéis ao "sim" do noivado que foi proferido diante de Deus. Contudo, o casamento terá que ficar em aberto, até que tenhamos a firme convicção de que, como cristão nascido de novo, o seu coração e a sua vida pertencem ao Senhor". A conseqüência de uma declaração tão franca, e a das orações de fé que irão acompanha­-la, quase sempre será: a verdadeira conversão do pretendente ou o rompimento do noivado por iniciativa dele mesmo. É claro que fato semelhante também poderá ocorrer entre um rapaz crente e uma moça não-convertida, que teve uma conversão aparente motivada pela possibilidade do noivado.

Contudo este caso já é mais raro que o primeiro.

3- REQUISITOS QUE DEUS DESEJA PARA O NOIVADO

"Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam" (SI 127:1). O estabelecimento de um lar, portanto, deve ser uma obra de Deus. O noivado é o fundamento desta construção. Mas, quando um noivado é desejado por Deus? Como ocorre um noivado desejado por Deus? Depende de quais requisitos?

1- "Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer" (leia Pr 23,22-25). A decisão mais importante da vida precisa da concordância e benção de pai e mãe. Aquele que deseja que sua esposa também seja considerada como uma filha na casa de seu pai, que espera assumir o lugar de um filho na casa paterna de sua mulher; somente esses propósitos já são um compromisso para, antes mesmo de se dirigir à jovem escolhida com aquela pergunta decisiva, perguntar pela aprovação dos pais de ambos. "Honra a teu pai e a tua mãe, para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra" (Ef 6:2-3). E notório que uma filha não poderá decidir sobre o seu próprio futuro, até que tenha a aprovação de seus pais. Assim, temos que a primeira pessoa que deverá ser perguntada pela mão de uma jovem, segundo a ordem estabelecida por Deus, não é a própria filha, mas seus pais. O mundo já pratica diferente. Quantos que, numa festa ou até num baile, já não fizeram sua declaração de amor ou uma proposta de casamento. O mundo logicamente considera que jovens que se amam, devem chegar, primeiramente, a um consenso entre si. Pensa-se que depois ainda há tempo suficiente para buscar a aprovação dos pais; aprovação diante de um fato consumado. Dessa forma, na verdade, desconsidera-se a decisão dos pais. Mas isso afronta a ordem divina, é uma grave falta diante da honra que se deve aos pais. Um crente jamais deveria agir assim. Ele só menosprezaria a benção, alegria e paz. E ainda exporá a jovem, que ama, ao perigo de agir em não conformidade com Deus e lhe pesar a consciência. Neste caso, o primeiro passo para a construção do lar está sendo mesclado com pecado. Não se pode avaliar quanta benção é desperdiçada e quanta maldição vem em decorrência de atitudes tornadas assim, em vontade própria. As promessas de Deus são realidade, são fatos. Você quer um matrimônio abençoado, um lar onde reina a paz? Então honre a seu pai e mãe, faça-o enquanto viver sobre a terra submeta a seu conselho todas as importantes decisões da vida.

A partir do momento em que houver a plena concordância, a benção sem restrições por parte de pai e mãe, então está preenchido o primeiro requisito divino para um noivado desejado por Deus. Este aspecto ainda se reveste de maior importância, quando se considera que a experiência e o amor dos pais enxerga muito além do que os olhos dos filhos que estão condicionados pela atração pessoal. Existem perigos e considerações que são avaliados pelo amor dos pais, e que a juventude não vê. Quando se busca primeiramente o conselho dos pais, antes mesmo que a jovem ou outras pessoas percebam alguma coisa, ainda há tempo para seguir o conselho. Quando se fala primeiro com a jovem, ou de algum outro modo se dá a entender as intenções, já existe um compromisso.

2- A saúde física é um requisito que Deus deseja para o noivado. Cristãos conscientes não podem assumir a responsabilidade de impor sobre a vida da pessoa que amam, por tempo indefinido, a pesada carga dos cuidados exigidos por um cônjuge doente. E filhos sadios só poderão ser esperados de pais sadios. Não é da vontade de Deus se lançar a um matrimônio do qual, humanamente falando, não existe a expectativa de filhos saudáveis. Pessoas jovens não fazem idéia do que significa estar ligado, por toda a vida, a um marido doente, ou o contrário. Um marido doente não pode desempenhar aquilo que, segundo os desígnios de Deus, deveria ser para a sua esposa e lar, muito menos uma esposa doente diante de seu marido e lar.

Muito diferente é quando Deus permite que uma doença prolongada ou permanente acometa o matrimônio. Os filhos de Deus, humildemente, submetem -se a esta provação. Mas introduzir a doença, conscientemente, no lar que está por se formar, certamente não é da vontade de Deus. Não é de se admirar se depois faltar a energia para suportar tal fardo. Um homem que sofre de tuberculose galopante, ou é fraco dos nervos, não tem o direito de impor sobre a vida de uma moça o pesado jugo de cuidados especiais ou de um temperamento inconstante. Estes ou outros problemas físicos induzem à convicção de que Deus não deseja que um lar seja estabelecido antes de conceder plena saúde.

3- Quem      inicia       um  relacionamento de noivado, visa ao casamento; o objetivo não é permanecer sempre noivo, porém, casar. Se as condições exteriores para o sustento de um lar ainda não existirem, e não há perspectivas para breve, então o momento determinado por Deus para um noivado ainda não chegou. Quando Deus quer o noivado, é porque também deseja o casamento, concedendo com este os recursos financeiros, seja de rendas, salário, provisão ou posses.

Filhos de Deus que não consideram esta simples realidade matemática, a si mesmo impõem fardos. Enquanto estava livre, o jovem rapaz poderia ter aprendido alguma cousa, empreendido algum plano ou adquirido algum bem ­agora já não o pode mais. Em tudo que quer fazer, está ligado à noiva e à aprovação dos pais dela. Quantos jovens cristãos, moças ou rapazes, encontraram muito mais espinhos do que rosas em um noivado que parecia não ter fim. Querendo ou não, chegaram à conclusão: eu não deveria ter começado tão cedo com o meu noivado - foi minha vontade própria, mas não a de Deus.

4- A felicidade do matrimônio, mesmo de crentes, depende da semelhança da educação, formação ou dos costumes. No fogo das chamas que ardem no coração inflamado pelo afeto ao outro, estas cousas muitas vezes não são consideradas. Mas, depois, no di­a-a-dia e quando os parentes começarem a ter mais influência sobre o lar e as crianças, então se notará se marido e esposa, bem como a parentela, estão familiarizados com os mesmos costumes ou pontos de vista. É claro que existem exceções que Deus quis assim. Ocorre, às vezes, que uma moça cristã preencha amavelmente, e para honra do Senhor, um lugar em uma família que pertença a meios socialmente mais elevados. Só que isso não nega o princípio de que marido e esposa deveriam ter um padrão similar de educação e formação. A idade também deveria estar em uma proporção sensata. Se a diferença de idade chegar a um patamar de 15 ou 20 anos, há razão para levantar dúvidas se tal relacionamento é desejado por Deus, pois uma parte já será velha enquanto a outra ainda estiver no frescor da juventude - dificilmente Deus deseja conciliar tanta diferença.

Assim, temos seis requisitos para um noivado desejado por Deus:

Que ambos os lados tenham reconhecido que o outro é plena propriedade do Senhor Jesus. Que cada um deles esteja convicto serem destinados por Deus um para o outro.  Que de ambas as partes haja a benção e concordância dos pais. Que as duas partes sejam fisicamente saudáveis. Que haja a disponibilidade ou perspectiva de recursos para a fundação de um lar. Que idade, educação, formação, costumes e procedência familiar de ambos sejam compatíveis.

A onde tais requisitos estiverem presentes, um filho de Deus pode confiar firmemente que o relacionamento que desejado é tencionado e confirmado por Deus. Preenchidos esses itens, então despontará ainda mais outro, o afeto especial que o coração consagrará à outra pessoa. Os filhos do mundo teriam mencionado este último item em primeiro lugar; pois crêem que o mais importante seja a inclinação do coração, que tudo supera e se dispõe a pagar o preço necessário para cativar o amor. Os Filhos de Deus consideram este tema de 'maneira diferente. Primeiro, porque os seus afetos estão ligados a uma Santa pessoa: ao Senhor. E é somente de Sua mão que desejam receber aquela que lhes será a mais cara das pessoas sobre a terra, e à qual estarão ligados por toda a vida. A atração, o afeto recíproco, certamente é um requisito desejado por Deus para o noivado, porém uma "paixão" -que geralmente é o fator determinante dos noivados entre os filhos do mundo-, de forma alguma será o fundamento confiável para um matrimônio feliz. Há números casos de noivado e casamento firmados devido a uma ardente paixão; mas que, depois de pouco tempo, foram tristemente rompidos. Sim, quantas vezes a ardente paixão se transformou em ódio de igual proporção. A única rocha na qual os filhos de Deus podem confiar, é a convicção de que foi Deus que nos determinou um para o outro. E, baseado nesta convicção, é que Deus concede que floresça o amor; um amor que manterá o Senhor Jesus em primeiro lugar no coração, mas que, justamente por vir lá do alto, é intenso e permanente e, até será maior com o decorrer dos anos. De um cristão já com os cabelos brancos e que viveu esta aliança, pude ouvir as seguintes palavras, ditas na presença da esposa, grisalha, que estava de pé ao seu lado: "Em toda a minha vida, eu jamais vi minha esposa entrar pela porta, sem que me alegrasse nela!".

Uma profunda alegria naquela pessoa amada que em fé se pediu ao Senhor, a firme certeza de que Deus a designou para mim, o "ser um" com ela na devoção ao Senhor, esta é -preenchidos aqueles requisitos de que já tratamos- uma garantia mil vezes mais confiável para um matrimônio feliz do que o ardente amor proveniente da paixão humana.

4- NOIVADOS PRECIPITADOS

Nem é preciso mencionar que os relacionamentos amorosos, no sentido de práticas imorais, estão completamente fora de cogitação por cristãos crentes. Mas é bom mencionar que também há amizades, relações não oficiais entre moças e rapazes, que, embora moralmente puras, também não são permitidas para um filho de Deus. Troca-se correspondência, uma vez ou outra há um encontro ou até saem juntos; nada oficial, os jovens não estão noivos, mas se amam. A isto dá-se o nome de amizade, mas é um namorico. Mais cedo ou mais tarde a intimidade no trato com o outro vai crescer de maneira tal, como se fossem noivos -só que isso tudo se passa por trás das costas dos pais. Relações desse tipo também estão completamente fora de cogitação pelos crentes que estão diante do Senhor. Pessoas sensíveis ficam expostas a perigos morais. Pessoas equilibradas são induzidas à noivados precipita­dos.

Um filho de Deus, que se deixou atrair para esses caminhos, logo vai notar quais os danos causados à sua vida interior. Desde o primeiro passo, sua consciência já estava lhe dizendo que o Senhor está sendo desonrado e que isso está ofuscando sua profissão de fé.

O noivado é felicidade suprema e preciosa. Para o homem de nobre motivação, o noivado é o mais puro ideal, para um filho de Deus é o valioso presente que espera das mãos do Pai. E é justamente por isso que o crente precisa de graça e proteção, para que sua vontade própria não o leve a tomar das mãos do inimigo aquele que não é o presente que o Pai preparou.   

Satanás está sempre empenhado em induzir os crentes a decisões e compromissos que não são desejados por Deus. Um homem experiente sempre dizia à sua família que: "Toda a pressa é do Diabo". E é verdade. O ensino da Escritura é que "Aquele que crer não apresse" (Is 28: 16). Quem, de verdade, entregou a sua vida à condução de Deus, não será induzido a propostas de casamento precipitadas, seduzido pela paixão. Primeiramente, e com muita oração, vai levar a causa diante do Senhor. Ele irá provar, diante de Deus, se tal relacionamento vem da vontade divina ou da humana. Depois, pessoalmente ou por escrito, também vai tratar a questão com um cristão experiente, caso tiver um pai ou uma mãe em Cristo que goze de sua confidência. Ele só dispõe de uma vida para viver, e esta pertence ao Senhor -como seria infiel se atar sua vida a uma pessoa que não lhe foi determinada

por Deus! É fácil declarar alguma coisa, é fácil escrever uma carta, é fácil trocar beijos - mas como é horrível para um filho de Deus fazer estas coisas sem ter a convicção de estar trilhando pelo caminho do Senhor!

Enquanto Israel tomava a terra da promessa, vieram ao seu arraial os embaixadores de Gibeom com o fim de estabelecer uma aliança, dando a entender que vinham em fidelidade e verdade. Josué e os príncipes de Israel acreditaram em suas palavras enganadoras. "Então aqueles homens tomaram da sua provisão, e não pediram conselho à boca do Senhor. E Josué fez paz com eles, e também fez um concerto, que lhes daria a vida; e os príncipes da congregação lhes prestaram juramento" (leia Josué 9: 1-27). Três dias mais tarde Josué e os príncipes do povo reconheceram que foram enganados. Mas a aliança já tinha sido estabelecida, o juramento estava feito. Israel estava comprometido com estes gibeonitas para sempre. Por quê? Não pediram conselho à boca do Senhor. Agiram conforme o seu bom coração, mas não conforme a vontade de Deus. É o que muitas vezes ocorre com os noivados precipitados. Uma vez dita aquela frase decisiva, não há mais volta, existe o compromisso.

Segundo os pensamentos de Deus, o noivado do crente jamais deveria ser objeto de arrependimento, porém a fonte da mais pura alegria. Note a diferença: aqui, em meio a calorosos beijos e abraços sensuais, firma-se uma aliança. Na verdade não se goza a paz de Deus. Depois ainda se lembram de orar pela benção de Deus, sem a qual, afinal, não querem viver juntos, mas o coração está consciente de não ter procedido conforme a santa disciplina e a serena convicção de fé.

Como é diferente quando filhos de Deus, humildes e obedientes, contando com a benção e concordância dos pais, têm o seu primeiro encontro a sós! Juntos se põem de joelhos diante do Senhor que está presente ali, louvam o Seu nome e admiram como Ele tudo conduziu. Noivo e noiva, diante daquele que está presente, expressam sua convicção de serem determinados um para o outro, segundo a Sua santa vontade. Submetem todo o futuro sob a orientação de Sua Palavra e Sua benção. Consideram a alegria de usufruir das delicadezas do parceiro como um ditoso presente que recebem de Sua mão. Ali, não existe nada a lastimar, tudo está em ordem diante de Deus e dos homens - que imensa alegria e paz!

 

A Esperança Cristã - Uma panorâmica didática da Profecia (3.a)