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Josias, Daniel, Mordecai e Salum e suas filhas
Josias, Daniel, Mordecai e Salum e suas filhas

“AOS PAIS DE MEUS NETOS”

Cartas de um avô aos pais de seus netos - G. C. Willis

ANÁLISE DE FAMÍLIAS DA BÍBLIA

 

Josias

Quando começou a governar, Josias tinha somente oito anos de idade, e, sendo ainda um moço de quinze ou dezesseis anos, "começou a buscar o Deus de Davi, seu pai". Temos aqui uma daquelas histórias que o Espírito Santo tem prazer em nos relatar. Atentem uma vez para o espaço que Josafá, Ezequias, e Josias ocupam na Bíblia. Isso não dá a entender que o coração de Deus Se alegra por encontrar um homem que realmente O busque? Que refrigério observar este jovem rei quando, em meio à obras de reparo da casa do SENHOR, O sumo sacerdote Hilquias achou a Bíblia, que tinha sido perdida e esquecida por tantos anos. Josias jamais havia visto ou ouvido este livro. Tal era a situação em que se encontrava Judá. Que lição para nós! Muito tempo antes o SENHOR havia dito: "Ponde, pois, estas palavras no vosso coração e na vossa alma; atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontal entre os vossos olhos. Ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentados em vossa casa, e andando pelo caminho, e deitando-vos, e levantando-vos. Escrevei nos umbrais de vossa casa, e nas vossas portas, para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o SENHOR sob juramento prometeu dar ã vossos pais, e sejam tão numerosos como os dias do céu acima da terra" (Dt 11:18-21). Nos dias de Josias e de seus pais este abençoado livro tinha sido tão desleixado, que tanto o rei como o sacerdote não tinham conhecimento de sua existência. Não é de se admirar, portanto, que o povo se desviou do caminho. Não se pode esperar algo diferente de um povo sem a Bíblia, e o mesmo também vale para uma família sem a Bíblia. Esta é uma mensagem muito séria para vocês, minhas crianças. Eu próprio tenho que me condenar severamente neste aspecto, mas vocês, meus queridos, ainda dispõem da oportunidade. Que o SENHOR possa lhes ajudar a fazer

com que os seus filhos sejam mais habituados com a Bíblia do que eu fiz com vocês. Sim, que eles possam aprender a amar este precioso livro e guardá-lo (não empoeirado entre a bagunça, como foi lá em Jerusalém, mas) em seu coração. Para isso, vocês, pais, precisam orientá-los, não obrigá-los, para que conheçam este livro precioso, para que o amem e o honrem.

O sacerdote Hilquias entregou o livro a Safã, o escrivão, que levou o livro ao rei e o leu para ele. Nossos pais também não faziam assim? Não parecia que as histórias tinham vida enquanto eram lidas? Aquele rei, é claro, nunca tinha ouvido uma coisa assim em sua vida, nunca tinha visto a Bíblia. Qual foi sua reação? Rasgou suas vestes e chorou perante o SENHOR" (2 Crônicas 34:27). Fez ainda mais. Ordenou que Hilquias, Safã e outros mais fossem consultara profetisa Hulda. Pode ser que Hulda tinha uma Bíblia - nós não o sabemos - mas ela tinha uma notícia muito triste e séria para o nosso jovem e bom rei. "Ela lhes disse: Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Dizei ao homem que vos enviou a mim:

Assim diz o SENHOR: Eis que trarei males sobre este lugar, e sobre os seus moradores, a saber, todas as maldições escritas no livro que leram diante do rei de Judá. Visto que me deixaram, e queimaram incenso a outros deuses, para me provocarem à ira com todas as obras das suas mãos, o meu furor está derramado sobre este lugar, e não se apagará. Porém ao rei de Judá, que vos enviou a consultar o SENHOR, assim lhe direis: Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, acerca das palavras que ouviste:

“Porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante mim, rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim, também eu te ouvi, diz o SENHOR. Pelo que, eis que eu te reunirei a teus pais, e tu serás recolhido em paz à tua sepultura, e os teus olhos não verão todo mal que hei de trazer sobre este lugar e sobre os seus moradores" (2 Cr 34:23-­28).

Esta realmente foi um notícia triste. Nem mesmo o procedimento de um rei como Josias motivou Deus a anular tal horrível castigo, ainda que o tenha postergado. O arrependimento do rei e do povo de Nínive postergou por muitos anos o juízo de Deus sobre a cidade, mas, finalmente, veio o tempo em que se cumpriu a sentença. Josias somente era da idade de trinta e nove anos, muito jovem, portanto, quando foi tomado para não ver o juízo que viria. A mesma idade também tinha Ezequias quando Deus lhe mandou dizer que teria que morrer. Como não teria sido melhor para Israel caso Ezequias tivesse confiado em seu Deus, visto que desta forma Manassés jamais teria nascido. Na verdade, foi Manassés a causa para a definitiva queda de Israel. A causa da morte de Josias foi sua obstinação, sua vontade própria. Estava decidido a lutar com Neco, rei do Egito. É certo que Deus ainda o advertiu para não ir, mas, tal como Ezequias que o antecedeu, ele também quis seguir sua própria vontade, e, "não dando ouvidos às palavras que Neco lhe falara da parte de Deus, saiu a pelejar no vale de Megido. Os flecheiros atiraram contra o rei Josias; então o rei disse a seus servos: Tirai-me daqui, porque estou gravemente ferido" (2 Cr 35:22-23). Ele morreu, e todo o Judá e Jerusalém prantearam a Josias. E Jeremias compôs uma lamentação sobre ele.

Tinham toda razão para pranteá-lo e lamentar, pois com a morte de Josias praticamente estava selado o fim da história de Judá. Restou somente a história, muito triste aliás, de seus filhos e netos. E surge, mais uma vez, aquela velha pergunta: O que fez que um rei tão bom tivesse filhos assim tão maus? Eu suponho que temos a primeira resposta em sua teimosia; creio que não foi esta a primeira vez em que fez prevalecer a sua vontade própria, do contrário ela não teria se manifestado com tanto vigor assim, sendo inclusive a causa da morte do rei. A teimosia é algo muito enganador. Quanto crente, que até mesmo se gaba de sua santidade, não está, na verdade, andando segundo seus critérios ­sua vontade própria? Quem de nós está livre disso? Realmente, este é um fato que nos humilha a todos, e precisamos confessar que esta foi a causa de algumas de nossas quedas. É uma lição muito difícil aprender a dizer, de coração: "não se faça a minha vontade, e, sim, a tua"!

Mas, talvez a Escritura ainda apresente um outro motivo, talvez um tanto oculto - como é, muitas vezes, quando nos deparamos com o pecado dos santos. A causa é, por vezes, tão encoberta, que quase nos envergonhamos de apresentá-la. O profeta Sofonias, que viveu durante o reinado de Josias, faz, em sua profecia, um comentário muito peculiar a respeito dos oficiais, dos jovens filhos do rei, tanto dos rapazes que breve estariam no governo, como também de suas irmãs. "Hei de castigar os príncipes, e os filhos do rei, e todos os que se vestem de vestidura estranha (estrangeira)" (Sofonias 1:8). Nós, hoje, vivemos em um tempo em que os nossos jovens são submetidos a uma grande tentação de vestir-se com "veste estranha". E por isso é bom que tanto eles, como seus pais, se lembrem que esta "veste estranha" foi uma das causas para a terrível queda moral do reino de Judá. Cento e cinqüenta anos antes, Isaías já tinha advertido seriamente do juízo vindouro, "porque se encheram dos costumes do Oriente" (ls6:2). Ao lermos Ezequiel 23:14-15, entenderemos ainda melhor que Deus realmente considera e abomina este aspecto. Lá temos descrito como Judá estava fascinado pelas imagens na parede, imagens dos homens da Caldéia ·"com os seus lombos cingidos, e com tiaras largas nas suas cabeças, todos com parecer de capitães, semelhantes aos filhos da Babilônia em Caldéia, terra do seu nascimento. E se enamorou deles, vendo-os com os seus olhos; e lhes mandou mensageiros a Caldéia. Então vieram a ela os filhos de Babilônia...". Já não tinha sido, bem no começo da história de Israel, uma veste babilônica a causa de uma tragédia entre o povo (Js 7:21)? Como é sério verificar que também é a veste babilônica a causa para a interrupção de sua história. A Babilônia tipifica o mundo. É o mesmo lugar que BabeI; como sabemos, significa "confusão". Se introduzimos as coisas do mundo nas coisas de Deus, o resultado somente pode ser confusão. Nos primeiros dias da história de Israel ainda havia energia espiritual para remover o mal do meio deles, mas, infelizmente, nos dias de Josias esta energia faltava até mesmo na própria família dele. Os filhos do rei usavam publicamente aquelas vestes estranhas, estrangeiras, que Acã outrora manteve escondidas em sua tenda. Agora já se atreviam a usá-­Ias publicamente, clara evidência daquilo em que se apegou o coração. Assim, também, com nossos filhos, o que eles vestem é uma prova visível de quem tem o senhorio no coração deles, seja a Pátria Celeste, ou o Mundo com sua moda. Ah, no palácio de um bom rei de Judá o mundo encontrou boa acolhida! É por isso que o juízo não pôde ser evitado. A amizade do mundo é inimizade contra Deus; qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus (Tg 4:4). Estes tais Deus chama de "adúlteros e adúlteras". Poderia usar palavras mais severas? Oh, meus filhos, se vocês amam os seus pequenos, então permitam que estas verdades tão importantes estejam profundamente ancoradas no coração de vocês.

     Nem vou continuar descrevendo a decadência da casa de Josias até o seu fim. Vocês sabem, tanto como eu, que é uma história muito triste; talvez vocês mesmo possam lê-Ia. Por aqui a história de Judá e Israel está, por assim dizer, encerrada. Mas, antes que terminemos estes estudos sobre o Velho Testamento, eu ainda gostaria de abordar brevemente umas duas ou três outras histórias.

 

Daniel

Na verdade,· Daniel não pertence a esta relação de personagens que estamos estudando, pois não sabemos nada de seus pais. Mas ele viveu na mesma época que esses jovens príncipes, dos quais acabamos de ler. Foi, portanto, jovem, quando esses também eram jovens. Tanto em Judá, como na Babilônia, esteve sujeito às mesmas tentações que os outros, que nelas caíram. É provável, inclusive, que o próprio Daniel também estivesse incluído entre os jovens nobres aos quais o profeta Sofonias dirigiu aquelas sérias palavras. Vocês vão se lembrar de como Daniel e seus amigos chegaram ao ponto de recusar a boa comida de Babilônia, comendo, ao invés disso, legumes e água. Daniel propôs em seu coração que não queria se contaminar (Dn 1:8). o que você e eu precisamos, é justamente este propósito de coração que vemos em Daniel, e que também foi evidente nos primeiros dias da Igreja (At 11:23). Que nossas crianças também possam reconhecer em nós que somente Cristo é a razão de nossa vida; ver que somos resolutos em nos manter separados do mundo e suas tendências, sejam elas de vestimenta, comida e bebida ou qualquer outra coisa. Que cada um de nós esteja apto a dizer, tal como Paulo: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo" (GI 6: 14). Paulo e o mundo eram inimigos mortais; nada tinham um com o outro. Meus filhos, meditem nestes príncipes de Judá, e que Deus possa lhes conceder a graça para que conduzam suas crianças no caminho após Daniel, e não segundo os filhos de Josias!

 

Mordecai

Para todos vocês, que são tios, eu gostaria de fazer um breve comentário sobre Mordecai. Em páginas passadas, já havíamos visto o consolo que um Otniel foi para seu tio; temos ainda outros exemplos que poderíamos comentar. Vejam o jovem Jônatas, que certamente alegrou a seu tio Davi quando feriu aquele gigante que tinha seis dedos em cada mão e em cada pé (2 Sm 21:21)! Não teria sido justamente o exemplo de seu tio Davi que o encorajou para esse gesto? Assim com vocês também, não só pais e mães, mas também tios e tias.

Como Ester não deve ter alegrado a seu tio naqueles dias tenebrosos na cidadela de Susã! Mordecai havia criado a Ester, que era órfã, ensinando-a a temer ao Deus de Israel, e daquilo que aprendeu ela não se desviou, nem mesmo quando mais tarde passou a viver na casa do rei. Não preciso repetir toda a história para vocês, visto que a conhecem; mas notem como ela é uma bela mostra de quando se considera a palavra de Provérbios 22:6 : "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele".

Aparentemente, Ester e Mordecai viveram na época após a reconstrução do templo em Jerusalém. O que nos intriga nesse fato é a pergunta: Por que não voltaram, então, à terra de seus pais? Talvez tenhamos aqui um desses casos quando Deus permite certas coisas; talvez nossa pouca fé ou dedicação, que virão depois a se constituir num impedimento para que escolhamos o melhor caminho. Porém, Deus aceita aquilo que temos, mesmo que não estejamos ali onde ELE preferia nos ver. Para nossos corações errantes é realmente consolador, um ânimo também, saber que Deus faz com que todas coisas cooperem para o bem daqueles que O amam; a ciência desse fato igualmente nos fará dar conta do quanto erramos. Esta é uma verdade belamente ilustrada pelo livro de Ester, embora nem mesmo seja feita a menção do nome "Deus".

 

Salum e suas filhas

Eu não poderia encerrar estes comentários sobre os pais e filhos no Velho Testamento sem deixar de mencionar Salum (Ne 3:12).

Passados cerca de trinta anos dos eventos com Ester e Mordecai, Neemias, o copeiro do rei, subiu a Jerusalém para ali coordenar a reconstrução do muro. O templo já tinha ficado pronto alguns anos antes, mas o muro ainda estava em escombros. De tal maneira este fato desolou a Neemias, que ele ousou apelar junto ao rei; sua ousadia, no entanto, poderia ter lhe custado a vida. Porém Neemias era um homem de oração, e Deus não somente o livrou, como atendeu ao desejo de seu coração, de modo que pôde ir a Jerusalém para construir o muro. Não vou contar toda a história, pois espero que vocês já a conheçam e apreciem. O nobre propósito de Neemias estimulou o povo, e uniram-se para a obra. É muito interessante considerar certos detalhes que o Espírito Santo nos relata, por exemplo, a menção de que uns trabalharam na edificação de dois trechos, ao passo que outros "não se sujeitaram ao serviço do seu senhor" (Ne 3:5). Mas eu gostaria de me ater em Salum, maioral de meia parte de Jerusalém, e suas filhas. Provavelmente era um homem rico, visto que era o maioral da metade de Jerusalém. É provável, também, que suas filhas vivessem numa casa bonita, onde todo o trabalho era feito por servos. As mãos delas, provavelmente, eram brancas e macias, visto não estarem habituadas ao trabalho pesado. Pois bem, mas quando veio a conclamação para reedificar o muro de Jerusalém, Salum se levanta e vai, não com seus servos ou com pedreiros que contratou, mas, com suas filhas (talvez não tinha filhos); estou certo que estas meninas de boa vontade serviram ali - vestiram suas roupas mais velhas e removeram o entulho, buscaram as pedras e carregaram argamassa. O SENHOR viu tudo isso e registrou para a eternidade que as filhas de Salum estiveram dispostas a ajudar seu pai em um tipo de serviço que, na verdade, era considerado trabalho de homens. Valentes, boas meninas! Que as filhas de vocês sejam como estas! Certamente, logo surgiram bolhas e feridas, e as mãos logo se tomaram ásperas e ressecadas, mas elas simplesmente prosseguiram construindo o muro. Valentes, boas meninas! Eu gosto de me lembrar das filhas de Salum. Eu conheci um jovem, realmente um bom rapaz, tinha uma série de boas qualificações, sendo que ele próprio apreciava especialmente uma, que é bem curta. Era esta: "Ele não tem medo de sujar suas mãos". As filhas de Salum tinham a mesma virtude: não hesitavam em "porá mão na massa".

Até onde sei, estes são os últimos filhos com os seus pais dos quais lemos na história do Velho Testamento, a não ser que considerássemos aquelas crianças cujas mães eram gentias; e que por isso não falavam a "linguagem de Canaã", mas desses eu não gostaria de comentar . Tenho a impressão de que a ilustração dessas moças que, juntamente com seu pai, cooperaram no obra do Senhor, é a mais bela e apropriada para encerrarmos a nossa série de estudos. É isso que desejei, não somente para minhas filhas, mas também para meus filhos, que possamos estar, "num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho" (Fp 1:27). Que Deus conceda isso para vocês e para mim!

"E conheceis o seu caráter, provado, pois serviu ao Evangelho, junto comigo, COMO FILHO AO PAI" (Filipenses 2:22).

 

Conselhos do Velho Testamento

Vamos considerar juntos mais algumas das advertências que o Velho Testamento tem para nós, tanto pais e avós - pois veremos que são válidas para ambos. "Tão somente guarda-te a ti mesmo, e guarda bem a tua alma, que te não esqueças daquelas cousas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e os farás saber a teus filhos e aos filhos dos teus filhos" (Dt 4:9). Esta é uma palavra que toca a todos.

"Estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão e te serão por frontal entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas" (Dt 6:6-9).

"Ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentados em vossa casa, e andando pelo caminho, e deitando-vos, e levantando-vos. Escrevei-as nos umbrais de vossa casa, e nas vossas portas, para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o SENHOR sob juramento prometeu dar a vossos pais, e sejam tão numerosos como os dias do céu acima da terra" (Dt 11:19-21).

Estas porções nos dão a entender claramente como é importante instruirmos os nossos filhos na Escritura. À medida que forem crescendo, o tempo deles será cada vez mais tomado pela escola e pelas tarefas de casa, e vocês irão notar que as oportunidades serão cada vez mais escassas à medida que passarem os anos. A melhor época, portanto, para inteirá-los deste Livro Abençoado, é quando são ainda pequenos. Quando nós ainda éramos pequenos, minha mãe cuidava de nos ajuntar a cada dia, especialmente nas férias, para nos ler alguma coisa. E assim este amado e velho Livro foi-se tomando vivo a cada um de nós. Estou certo de que cada filho em nossa família tem prazer em recordar aquelas horas de leitura à tardezinha. É possível que nossa mãe, às vezes, não se sentisse muito disposta; para nós, contudo, não era cansativo ouvir as histórias da Bíblia. Estou certo de que é a ela que devemos a maior parte de nosso conhecimento bíblico. O nosso pai também nos instruía, quando da leitura diária da Bíblia - tanto de manhã como de noite ­e tínhamos ainda uma tia e uma avó que nos ensinavam as Sagradas Escrituras. Estes todos amavam a Bíblia, e nós sabíamos disso. Quem sabe até esteja aí a razão oculta pela qual eles, sem reparar, nos induziram a amar a Bíblia também!

Deixando o livro de Deuteronômio e tomando o de Provérbios, encontraremos uma outra classe de advertências para os pais.

"O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe" (Pv 10:1; mas vede também 15:20; 19:13; 29:3).

Poderíamos dizer que este verso resume vários dos ensinos do livro de Provérbios, este livro que com acerto já foi chamado de "o livro do jovem". Vocês notarão que os versos citados falam ao filho, e não ao pai. O pai está aconselhando, e este pai é Salomão. Lendo estas sérias mas amáveis palavras, e depois considerando o filho de Salomão, Roboão, e todo o mal que este fez, temos a dupla impressão de quão triste foi esta cena. Como já vimos no estudo de Salomão, ele próprio foi o responsável por isso, sendo que a raiz desse mal tinha, até mesmo, sua origem em Davi. Mas isso não atenua a dor que um sente ao ler o livro de Provérbios pensando em Roboão. Cada uma de suas palavras é verdadeira... se ao menos os nossos filhos atentassem a elas, quanta amargura e miséria não lhes seriam poupadas!

Queremos agora citar algumas das advertências que se dirigem ao "filho", e notemos que o ensino é o mesmo que é apresentado em Deuteronômio, contemplando apenas um aspecto diferente.

"Filho meu, ouve o ensino de teu pai, e não deixes a instrução de tua mãe" (Pv 1:8).

"Filho meu, não te esqueças dos meus ensinos, e o teu coração guarde os meus mandamentos; porque eles aumentarão os teus dias, e te acrescentarão anos de vida e paz" (Pv 3:1-2).

"Ouvi, filhos, a instrução do pai, e estai atentos para conhecerdes o entendimento; porque vos dou boa doutrina, não deixeis o meu ensino. Quando eu era filho em companhia de meu pai, tenro, e único diante de minha mãe, então ele me ensinava e me dizia: Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos e vive; adquire a sabedoria, adquire o entendimento e não te esqueças das palavras da minha boca, nem delas te apartes" (Pv 4:1-5). Minhas palavras; aos meus ensinamentos inclina o teu ouvido. Não os deixes apartar-se dos teus olhos; guarda-os no mais íntimo do teu coração. Porque são vida para quem os acha, e saúde para o seu corpo" (Pv 4:20-22).

"Filho meu, atende à minha sabedoria, à minha inteligência inclina o teu ouvido; para que conserves a discrição, e os teus lábios guardem o conhecimento" (Pv 5:1-2).

"Agora, pois, filho, dá-me ouvidos, e não te desvies das palavras da minha boca" (Pv 5: 7)!

"Filho meu... guarda os meus mandamentos, e vive; e a minha lei, como a menina dos teus olhos. Ata-os aos teus dedos, escreve-os na tábua do teu coração" (Pv 7: 1­3).

"Não clama porventura a sabedoria...? Agora, pois, filhos, ouvi-me, porque felizes serão os que guardarem os meus caminhos" (Pv 8:1,32). "O filho sábio ouve a instrução do pai" (Pv 13:1).

Vocês podem notar que as porções que mencionamos até aqui estão na primeira metade do livro de Provérbios. Na segunda

metade temos os conselhos para os pais. Note que é com certa gravidade que Salomão apresenta sua lição aos pais, quem sabe que ele somente veio a aprendê-la depois de ter avançado na vida, quando viu que já era tarde demais e que já não havia mais esperança.

Quando estudamos Eli e seus filhos, foram mencionadas algumas passagens que chamam a atenção dos pais para que usem a vara. Não vamos então repeti­-Ias, mas somente Provérbios 23:13-14, que diz: "Não retires da criança a disciplina, pois se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno." Este é um verso da Bíblia que deveria estar firme e permanentemente impregnado no coração de todos os pais. Nós muitas vezes esquecemos que é Deus quem diz que usar a vara é bom, e que isso ajuda a guardar os nossos filhos do Inferno. O uso da vara é dolorido para pais e filhos, mas seria muito mais dolorido para ambos caso um filho viesse a padecer os eternos tormentos do Inferno, talvez porque em anos passados lhe tenha faltado a disciplina com a vara!

Há algo bastante sério a considerar de Provérbios 19: 18:

"Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo". Enquanto o ramo ainda for novo e verde, pode ser vergado, mas logo estará duro, e então será tarde. Enquanto os filhos ainda forem jovens, ainda há esperança, e nesse tempo poderemos discipliná-los. Poderá até ocorrer que a disciplina seja necessária depois que já forem um pouco mais crescidos, mas este já é um caminho muito mais difícil do que quando eram pequenos. Consideremos quão rápido passa o tempo em que "ainda há esperança", e aproveitemos a chance antes que as coisas fiquem mais difíceis e dolorosas.

Existe ainda uma outra passagem, que também já estudamos, mas que eu gostaria de mencionar ainda outra vez antes de deixar este livro tão prático, o Velho Testamento. É Pv 22:6:

"Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele".

Esta me parece ser uma promessa muito encorajadora a todos os pais. Se for considerada, poderá alegrar o nosso coração enquanto procuramos educar os nossos filhos no caminho em que devem andar.

 

A ocupação não reconhecida (parte 2)