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II TIMÓTEO CAPÍTULO 2 (parte 2)
II TIMÓTEO CAPÍTULO 2 (parte 2)

“ESTUDOS SOBRE A PALAVRA DE DEUS”
tradução de “Synopsis of the Books of the Bíble – Jonh Nelson Darby

SEGUNDA EPÍSTOLA A TIMÓTEO CAPÍTULO 2

Continuação do vol.36-9 (Estudos sobre a Palavra de Deus - 2 Epístola a Timóteo)

O homem de Deus deve fortificar-se na graça que se encontra em Cristo Jesus. Cristo não tinha mudado, como sucedera com os homens, e aquele que sofria o abandono podia, sem se sentir desencorajado, exortar o seu bem -amado Timóteo e perseverar firmemente na Palavra. Em parte alguma encontramos o homem de Deus mais instantemente exortado a seguir com coragem e sem hesitação do que nesta epístola, que é um testemunho da queda e da ruína da Igreja.

A verdade era o tesouro especial que tinha sido confiado a Timóteo. Ele devia não só guardá-la, como temos visto, mas também diligenciar que ela fosse propagada e comunicada a outros, mais tarde, e talvez mais longe. O que tinha ouvido de Paulo diante de várias testemunhas (que podiam confirmar Timóteo nas suas convicções quanto à verdade e afirmar aos outros que aquilo que ele anunciava era bem o que tinha recebido de Paulo), devia ele comunicá-lo a homens fiéis, aptos para ensinarem os outros. E, para tal, devia empregar os meios mais simples. O Espírito não está na Igreja de tal modo que a Igreja seja uma autoridade; já não é a revelação. Timóteo, bem instruído na doutrina que o apóstolo pregava, confirmado nesses planos por diversas testemunhas que também tinham aprendido esta doutrina de Paulo, de modo que ela era comum a todos como verdade conhecida e recebida, devia diligenciar que ai fosse comunicada a outros homens fiéis. Também não se trata aqui de uma autorização a conceder, de uma consagração, como hoje se diz, mas sim daquilo que Timóteo devia comunicar a pessoas fiéis - a verdade que ele tinha recebido de Paulo.

Este ensinamento do apóstolo exclui a idéia da Igreja como propagadora da verdade. Essa propagação era o trabalho do fiel filho na fé, do apóstolo, ou do ministério.

O próprio Timóteo também não era uma autoridade; era um instrumento, e devia preparar outros para virem a ser também instrumentos a fim de comunicarem a verdade, o que é muito diferente de serem a regra da verdade. Ele devia comunicar a homens fiéis o que tinha ouvido, e as outras testemunhas serviam de garantia contra a introdução de algo que fosse falso - ou das suas próprias opiniões, se, porventura, estivesse disposto a tê-las 

É assim que, no seu sentido corrente, o ministério se perpetua:

Pessoas competentes ocupam-se cuidadosamente da comunicação, não da autoridade, mas sim da verdade a outras pessoas fiéis. Deus pode suscitar quem Ele quiser e dar-lhe a energia do Seu Espírito, e é nessa energia que se encontra a força e uma obra eficaz; mas a Palavra aqui supõe uma cuidadosa comunicação da verdade a pessoas aptas para essa obra. Os dois princípios, a livre ação do Espírito e a comunicação da verdade a homem fiéis, excluem igualmente a ideia da comunicação da autoridade oficial e a ideais de que a Igreja constitua autoridade acerca da fé ou que seja propagadora da verdade. Uma vez que Deus suscita quem Ele quer e como Ele quer, o meio que emprega, quando não há operação especial da Sua parte, é fazer comunicar a verdade a pessoas aptas para a propagarem. Isto é muito diferente de conferir uma autoridade ou um direito exclusivo ou oficial de pregar. E era a verdade revelada, a verdade conhecida, que Timóteo devia comunicar, a verdade que tinha a autoridade direta da revelação - o que só os escritos de Paulo podem dar-nos, ou então, escusado seria dizer, outros escritos inspirados.

Em seguida o apóstolo expõe a Timóteo as qualidades necessárias para continuar a obra nas circunstâncias em que ele e a própria Igreja se encontravam.

Era preciso saber suportar as privações, os desgostos, as dificuldades e os sofrimentos como um bom soldado de Jesus Cristo, e guardar-se de se envolver em negócios desta vida. Um soldado ao serviço não poderia fazê-lo; deve estar livre de tudo o mais, para agradar. A que  que o chamou às armas. Timóteo devia também, como um bom combatente na luta, combater segundo as regras, segundo o que, ao mesmo tempo, convém ao servo do Senhor, e é conforme à Sua vontade; devia trabalhar primeiro, para gozar depois justamente dos frutos dos seus trabalhos. Tais são as condições práticas do serviço divino, quando nos alistamos nele. É preciso tomarmos a nossa parte dos sofrimentos, não nos embaraçarmos nas coisas do mundo, combatermos segundo as regras, trabalhar primeiro antes de esperarmos os frutos.

Paulo volta em seguida aos princípios elementares, mais fundamentais da verdade, e os sofrimentos dos ministros da Palavra, que, de resto, não impediam a operação do Espírito de Deus para dilatar a esfera em que se propagava a verdade e se difundia a Palavra de Deus. Ninguém podia deter a Palavra, esse poderoso instrumento da operação de Deus.

A verdade do Evangelho (não se trata aqui do dogma) divide-se em duas partes, de que o apóstolo também, fala na Epístola aos Romanos, a saber, o cumprimento das promessas e o poder de Deus em ressurreição: Jesus Cristo "da semente de Davi”, e "ressuscitado de entre os mortos". Com efeito estes são, por assim dizer, os dois sustentáculos da verdade: Deus fiel às Suas promessas (fidelidade que se revela especialmente em relação com os judeus), e Deus poderoso para realizar algo inteiramente novo pelo Seu poder criador e vivificante, manifestado na ressurreição, que punha também o selo de Deus na Pessoa e na obra de Cristo.

Os sofrimentos que se encon­tram no caminho do serviço do Evangelho tomam em seguida em caráter elevado e notável no pensamento do apóstolo aflito. Esses sofrimentos são a participação nos sofrimentos de Cristo - e esta participação, no apóstolo, teve lugar em grau muito notável. As expressões de que Paulo se serve aqui, em referência a si próprio, são de tal ordem que bem poderemos servir-nos delas em relação a Cristo, no que concerne ao Seu amor. Quanto à propiciação, ninguém mais, além de Cristo, ali podia tomar parte. Mas na dedicação e nos sofrimentos pelo amor e pela justiça, os cristãos têm o privilégio de sofrer com Ele. Ora, aqui, que parte tinha o apóstolo nos sofrimentos de Cristo? "Tudo sofro - diz ele - por amor dos escolhidos" - e isto é bem o que o Senhor fez. Paulo seguia de perto o exemplo de Jesus e no mesmo propósito de amor, para que os eleitos obtivessem “a salvação que está em Cristo Jesus, com glória eterna". Aqui o apóstolo, escusado será dizer, devia acrescentar: "Que está em Cristo Jesus"; mas as palavras são maravilhosas nos lábios de qualquer outro diferente do próprio Senhor, porque se referem à Sua obra.

Note-se também que quanto maiores forem os sofrimentos (e quão pequenos são os nossos a tal respeito!), como fruto do amor - objetos dos desígnios de Deus, maior é o nosso privilégio, maior parte temos no que constituía a glória de Cristo neste mundo.

Este pensamento sustém a alma em semelhantes aflições; temos o mesmo objetivo que o próprio Senhor. A energia do amor dirige-­se a todo o mundo, na pregação do Evangelho. A perseverança no meio dessa aflição, das dificuldades e do abandono é sustentada pelo sentimento de que se trabalha no cumprimento dos desígnios de Deus. Suporta-se tudo pelos eleitos, pelos escolhidos de Deus, para que eles tenham a salvação e a glória eterna. Paulo tinha esse sentimento; ele conhecia o amor de Deus e desejava, fosse à custa de que sofrimento fosse, no mar tumultuoso deste mundo, que aqueles que eram os objetos do mesmo amor tivessem parte na salvação e na glória que Deus conferia. Esta palavra era fiel- quer dizer, o que Paulo acabava de anunciar - porque, se morríamos com Cristo, com Cristo viveríamos; se sofríamos com Ele, também com Ele reinaríamos. Se O negássemos Ele também negaria aquele que O negasse. As consequências de tal ato permaneceriam em toda a sua força, negavam-se à imutabilidade da natureza do Senhor e do Seu Ser e revelavam-se na autoridade do julgamento que Ele pronunciava. Lá porque os outros eram infiéis, Ele não podia negar-Se a Si mesmo.

Timóteo estava preparado para manter esses grandes princípios que ligavam à natureza moral do Senhor, e não se deixar arrastar por especulações que extraviavam as almas e corrompiam a fé. Ele devia apresentar-se como um obreiro aprovado de Deus, bem alimentado na verdade e sabendo desenvolvê-la nas suas diversas partes, de harmonia com o pensamento e os desígnios de Deus, não tendo vergonha do seu trabalho perante aqueles que poderiam julgá­-lo (versos 14 e seguintes). Quanto aos vãos e profanos pensamentos das especulações dos homens, devia evitá-los. Eles não podiam, no seu progresso, produzir outro fruto que não fosse a impiedade. Podiam ter uma grande aparência de elevação e de profundidade, como aquela que declarava que a ressurreição já tinha tido lugar, mas isto ultrapassava os limites com respeito à nossa posição em Cristo. Essas doutrinas corroíam como gangrena. Já aquelas de que o apóstolo fala tinham pervertido a fé de alguns, isto é, a sua convicção acerca da verdade, e a profissão que dela tinham feito. Mas, pensando muito embora nessa subversão da fé de alguns, a alma de Paulo encontrava refúgio naquilo que não enfraquece, seja qual for a decadência da Igreja ou a infidelidade dos homens. O firme fundamento de Deus permanece inabalável, tendo este selo: "O Senhor conhece os que são Seus". Esta é a divisa do selo, por assim dizer, do lado de Deus, e nada pode atingi-la. O outro lado do selo é o do homem. A sua divisa é esta: "Aparte-se da iniquidade todo aquele que professa o Nome do Senhor!". É esta a responsabilidade do homem; mas isto caracteriza a obra e o fruto da graça por toda a parte onde esta obra é real e onde um verdadeiro fruto é produzido.

Mas aqui o estado de coisas que o apóstolo contempla nesta epístola sobressai claramente: Exterior­mente, a Igreja tinha tomado um caráter inteiramente novo, inteiramente diferente daquele que tinha tido no princípio; agora o individuo era rejeitado na sua própria fidelidade como recurso e como meio de escapar à corrupção geral. O sólido fundamento de Deus permanece - o conhecimento que o próprio Deus tem daqueles que são Seus, e a separação individual de toda a iniquidade; mas exteriormente a Igreja toma, aos olhos do apóstolo, o caráter de uma "grande casa". De tudo se encontra nessa casa: vasos para honra e vasos para desonra; vasos preciosos e vasos vis. O comportamento do homem de Deus consiste em se purificar dos últimos, em separar-se e não se macular do que é falso e corrupto. É um princípio da maior importância que o Senhor nos deu na Sua Palavra. Permitiu que o mal se revelasse intensamente nos tempos apostólicos para dar ocasião ao estabelecimento, pela revelação, desse princípio como devendo governar o cristão. A unidade da Igreja é tão preciosa, tem tal autoridade sobre o coração do homem que, após a decadência da Igreja, havia o perigo de que o desejo da unidade visível levasse os próprios fiéis a aceitarem o mal e a andarem em comunhão com ele, para não quebrarem essa unidade. O princípio da fidelidade individual, da responsabilidade individual para com Deus é, pois, estabelecido e elevado acima de qualquer outra consideração, porque diz respeito à natureza do próprio Deus e à Sua autoridade sobre a consciência do indivíduo. Deus conhece os Seus; tal é a fonte de confiança. Eu não sei quem eles são. Mas aqueles que pronunciam o Nome de Jesus que se separem do mal. Encontro aqui aquilo que eu posso reconhecer. Manter na prática a possibilidade da união entre o Nome de Jesus e o mal, é blasfemar esse Nome.

O conjunto de todos aqueles que se dizem cristãos é considerado como uma grande casa. Embora contra a sua vontade, o cristão faz visivelmente parte desse conjunto, porque se diz cristão, e a grande casa é formada por todo aqueles que assim se intitulam, mas o verdadeiro cristão purifica-se pessoalmente de todos os vasos que não são para honra do Senhor. E esta a regra da fidelidade cristã:

Assim purificado pessoalmente da comunhão com o mal, ele será um vaso para hora, próprio para o serviço do Mestre. E necessário manter-se afastado de tudo o que for contrário à honra de Cristo, naqueles que usam o Seu Nome.

Não se trata aqui da disciplina para as faltas individuais nem da restauração das almas numa assembleia que tenha perdido em parte a sua espiritualidade, mas de um caminho a seguir pelo individuo quanto àquilo que desonra o Senhor de qualquer maneira que seja.

Estes desígnios são solenes e muito importantes; e é triste na sua natureza aquilo que deles necessita. Mas tudo isto nos mostra a fidelidade e a graça de Deus - e Deus dá-nos aqui uma direção clara e preciosa para nos conduzirmos, quando nos encontramos em circunstâncias semelhantes. A responsabilidade individual não cessa nunca.

Quando o Espírito Santo atua energicamente a triunfa sobre a força do Inimigo, as pessoas reunidas na assembleia desen­volvem ali a sua vida de acordo com Deus e na Sua presença, e o poder espiritual que se encontra no conjunto do corpo atua sobre a consciência se necessário for, e encaminha o coração do crente, de modo que o indivíduo e a assembleia são juntamente impulsionados pela mesma influência. O Espírito Santo que está presente na Igreja, mantém o individuo à altura da presença do pr6prio Deus. Mesmo os estranhos se sentem obrigados a reconhecer que Deus está na Igreja - reinam ali o amor e a santidade. Quando o efeito desse poder já se não encontra na Igreja e, pouco a pouco, a cristandade já não responde ao caráter da Igreja tal como Deus a formou, nem por isso cessa a responsabilidade do indivíduo para com Deus. Esta responsabilidade não pode nunca cessar nem diminuir, porque se trata da autoridade e dos direitos do próprio Deus sobre a alma.

Ora, quando tal acontece, aquilo que se intitula cristão já não é um guia, e o indivíduo tem o dever se conformar com a vontade de Deus, pelo poder do Espírito Santo, segundo a luz que lhe é dada da parte do Deus.

Deus pode reunir os fiéis - é uma graça e é o Seu pensamento. Mas a responsabilidade individual permanece - responsabilidade de não quebrar a unidade, por muito fraca que esta seja, onde ela for possível segundo Deus, respon­sabilidade de conservar o caráter divino do cristianismo na nossa vida e de responder à revelação que nos tem sido feita da natureza e da vontade de Deus.

Purificando-se de todos aqueles que são vasos para desonra, o servo de Deus será um vaso para honra, santificando e preparado para toda a boa obra, porque esta separação do mal não é somente negativa; ela é o efeito da realização da Palavra de Deus no coração. Compreendo então a santidade de Deus, os Seus direitos sobre o meu coração, a incompatibilidade da Sua natureza com o mal, sinto que permaneço n'Ele e Ele em mim; sinto que Cristo deve ser honrado, custe o que custar, que se o que se Ele assemelha o honra, que a natureza e os direitos de Deus sobre mim são a única regra da minha vida. O que assim me separa para Ele, de acordo com o que Ele é, me separa do mal. Não podemos andar com aqueles que desonram o Senhor, e, ao mesmo tempo, honrar o Senhor com o nosso procedimento. O que se segue mostra o caráter santificante da exortação que encontramos aqui. O apóstolo diz:

"Foge, também, dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor" (verso 22). É respirar a atmosfera pura que se encontra na presença do Senhor. A alma goza ali de saúde e de força. Tudo o que corrompe está longe dela; aliás, encontramos aqui - o que se contesta tão frequentemente - que podemos e devemos distinguir aqueles que invocam o Senhor de um coração puro. Nós não decidimos quem são aqueles que pertencem ao Senhor - Ele os conhece. Mas devemos associarmos com aqueles que tal se mostram com aqueles que invocam o Senhor; de um coração puro. Esses eu devo discerni-lo, reconhecê-los e andar com eles. Dizer que eu não posso discerni-los é desprezar uma regra expressa das Escrituras, e aplicável somente a um estado no qual, em razão da corrupção, muitos não são manifestados como sendo verdadeiramente cristãos, embora o sendo talvez.

Como em qualquer outro lugar, nas suas epistolas, o apóstolo exorta aqui a rejeitar as questões loucas, onde não se encontra o ensinamento divino. Essas questões não produzem senão discussões estéreis, contendas. Ora o servo do Senhor não deve contender. Ele vem da parte de Deus, para trazer a verdade, em paz e amor. E deve conservar esse caráter de paz, esperando que Deus, na Sua graça, dê o arrependimento aos opositores (porque se trata da consciência e do coração), para reconhecerem a verdade (versos 23-26).

A verdade de Deus não é trabalho da inteligência humana; é a revelação do que Deus é e dos Seus desígnios. Ora, não podemos manter relações com Deus sem que a consciência e o coração estejam envolvidos; o que a inteligência apreende não é, para nós, a revelação de Deus. Nós somos postos em relação com o próprio Ser divino, e em, atos que devem ter o mais poderoso efeito sobre o nosso coração e sobre a nossa consciência. Se estes atos não produzem esse efeito é porque o coração e a consciência estão em mau estado e endurecidos. Sem dúvidas o Espírito de Deus atua sobre a inteligência e por meio dela; mas a verdade que é depositada na inteligência dirige-­se à consciência e ao coração. Se os não atingem, então nada feito, e nada é mesmo realmente compreendido, porque, na verdade divina, compreendemos as coisas antes de compreendermos as palavras, como isto, por exemplo:

"Ser nascido de novo" (ver João 8:43). Por outro lado, Satanás, ocupando a inteligência com o erro, exclui dela a Deus e leva o homem totalmente cativo para lhe fazer a vontade.

Sendo tudo uma grande fonte de consolação, é uma prova de decadência, porque os homens também deveriam conhecer aqueles que são do Senhor. Já não é:” E todos os dias acrescentava o Senhor, à Igreja, aqueles que se haviam de salvar” (Atos 2:47).

 

Benção em União