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Estudo Sobre Hebreus 1 (Parte 2)
Estudo Sobre Hebreus 1 (Parte 2)

EPÍSTOLA AOS HEBREUS – CAPÍTULO 1

o autor desta epístola fala a pessoas para quem os privilégios dos pais eram familiares. Deus tinha falado aos pais pelos profetas muitas vezes e de muitas maneiras. Nestes últimos dias, isto é, nos últimos dias da dispensações israelita, onde a lei devia ter estado em vigor; no fim dos tempos, durante os quais Deus mantinha as Suas relações com Israel, sustentando ainda, por intermédio dos profetas, relações com um povo desobediente ... no fim desses dias, Deus - digo eu ­tinha falado pela Pessoa do Filho. Não há interrupção nenhuma para começar um sistema inteiramente novo. O Deus, que tinha falado outrora pelos profetas, tinha continuado a falar pelo Cristo.

Não tinha falado somente inspirando santos homens, como fizera precedentemente, para que eles fizessem voltar Israel à lei e anunciassem a chegada do Messias. Ele próprio tinha falado como Filho - "pelo (Seu) Filho". Vê-se já aqui que o escritor lugar a revelação dos pensamentos de Deus feitos por Jesus (3), com as antigas palavras dirigidas a Israel pelos profetas. Ele falou-nos -diz ele, identificando-se com o seu povo - como falou aos nossos pais pelos profetas. O Messias tinha falado, o Filho de que as Escrituras tinham dado já testemunho. Isto dá ocasião, quanto à Sua Pessoa e à posição que tomou, de expor, de acordo com as Escrituras, a glória desse Messias - de Jesus.

É necessário lembrarmo-nos sempre de que é o Messias que o autor tem em vista - Aquele que falou na Terra. Ele anuncia bem a Sua glória divina, mas é a glória d'Aquele que falou, a glória daquele Filho que tinha vindo ao mundo, de harmonia com as promessas feitas a Israel.

Esta glória é dupla, e está em relação com a dupla função de Cristo. É, em primeiro lugar, a glória divina da Pessoa do Messias, Filho de Deus; e a esta glória Iiga-­se a solene autoridade da Sua Palavra. Em seguida a glória de que a Sua humanidade é revestida, de harmonia com os desígnios de Deus, a glória do Filho do homem, glória que se liga aos Seus sofrimentos durante a Sua permanência neste mundo, sofrimentos pelos quais Ele foi tornado apto para o exercício de um sacerdócio compassivo e inteligente quanto às necessidades e às provações dos Seus.

O conteúdo destes dois primeiros capítulos constitui o fundamento de toda a doutrina da epístola. No capítulo 1 encontramos a glória da Pessoa do Messias; no capítulo 2, nos

versos 1-4 (onde o assunto continua) encontramos a autoridade da Sua Palavra; no versos 5 a 16 encontramos a Sua humanidade gloriosa. Como homem, toda as coisas Lhe estão sujeitas; todavia, antes de ser glorificado, participou de todos os sofrimentos e de toda as tentações a que os santos, cuja natureza Ele tomou, estão sujeitos. A esta glória se liga o Seu sacerdócio; é capaz de socorrer aqueles que são tentados, no que Ele sofreu, sendo Ele mesmo tentado. Deste modo Ele é o Apóstolo e o Sumo Sacerdote do povo "chamado".

A esta dupla glória liga-se uma glória acessória. Como Filho, Ele é Chefe na Casa de Deus, gozando dessa autoridade de Chefe como sendo Aquele que tudo criou; ao passo que Moisés tinha autoridade como servo na Casa de Deus na Terra. Ora, esta Casa era formada pelos crentes aos quais o escritor inspirado se dirigia, se, pelo menos, eles retivessem firmes até ao fim a confissão do Nome do Senhor; porque o perigo dos Hebreus convertidos consistia em perderam a sua confiança, por não terem nada diante dos olhos como cumprimento das promessas. E isto dá motivo a exortações (Capítulos 3: 7 a 4: 13), que se referem à voz do Senhor, como levando a Palavra de Deus ao seio do povo, para que ele não endureça o seu coração.

A partir do verso 14 do capítulo 4 o autor trata do sacerdócio. Este assunto conduz ao valor do sacrifício de Cristo, introduz de passagem as duas alianças e insiste na mudança de lei, conseqüência necessária da mudança do sacerdócio. Em seguida vem o valor do sacrifício da Nova Aliança, posto em contraste, de modo muito pormenorizado, com as figuras que acompanhavam a antiga, e sobre as quais a primeira Aliança era fundada, como também sobre o sangue vertido a seu respeito. Este ensinamento acerca do sacerdócio vai até ao fim do verso 18 do capítulo 10. As exortações fundadas sobre ele introduzem o princípio da perseverança da fé, e isto leva­-nos ao capítulo 11, onde a multidão de testemunhas é passada em revista, coroando estas pelo exemplo do próprio Cristo, que completou toda a carreira de fé, apesar dos inúmeros obstáculos, e nos mostra onde termina esse penoso, mas glorioso caminho (capítulo 12:2).

A partir do verso 3 do capítulo 12, o autor entra mais acentuadamente nas provações que se encontram no caminho da fé, e dá as advertências mais

solenes acerca do perigo que correm aqueles que se retiram, como dá também os encorajamentos mais preciosos àqueles que perseveram no caminho da fé, com a exposição das relações em que somos colocados por graça. Enfim, no capítulo 13 dirige aos Hebreus fiéis exortações sobre diversos pontos de pormenor, e exortar­-os em particular a tomarem francamente a posição cristã sob a Cruz, insistindo em que só os Cristãos praticavam o verdadeiro culto de Deus, e mostrando que aqueles que queriam perseverar no Judaísmo não tinham nenhum direito de tomar parte nesse culto. Numa palavra, ele quer que nos separemos definitivamente de um Judaísmo já julgado e que apreendamos o chamamento celestial, levando a nossa cruz neste mundo. A chamada era agora celestial, e o caminho era um caminho de fé.

Tal é o resumo desta epístola.

Voltemos agora ao estudo pormenorizado dos capítulos.

Dissemos que no primeiro capítulo encontramos a glória da Pessoa do Messias, Filho de Deus, pelo qual Deus falou ao povo. Quando digo: "Ao Povo", escusado seria acrescentar que é preciso considerar a epístola como sendo dirigida ao Remanescente crente, participando, como é dito, da chamada celestial, mas considerado como ocupando ele só o verdadeiro lugar do povo.

É uma distinção dada ao Remanescente acerca da posição que o Messias tomou em relação ao Seu povo, ao qual Ele tinha sido enviado em primeiro lugar. O Remanescente, provado e desprezado, considerado como ocupando sozinho o lugar do povo, é encorajado, e a sua fé mantida pela verdadeira glória do meu Messias, oculto agora aos seus olhos, sendo apenas objeto da sua fé.

De.us, diz o escritor inspirado (colocando-se assim entre os crentes do povo bem-amado), falou-nos pela Pessoa do Filho. Os Judeus já deviam esperar o Filho, segundo o Salmo 2, e ter uma idéia elevada da Sua glória, segundo Isaías 9 e outras passagens que, de fato, os seus doutores aplicavam ao Messias; os escritos dos rabinos ainda disso dão fé. Mas que o Messias tivesse ido para o Céu, que não tivesse elevado o Seu povo à posse da glória na Terra - eis o que era incompatível com o estado carnal dos seus corações.

Ora, é esta glória celestial, esta verdadeira posição do Messias e do Seu povo em relação com os Seus direitos divinos à atenção do povo e à adoração dos próprios anjos que nos são apresentadas aqui. O Espírito de Deus faz realçar de maneira infinitamente preciosa a glória divina do Cristo, com o objetivo de elevar os Seus à fé de uma posição celestial, e mostra ao mesmo tempo, no que se segue, a Sua perfeita simpatia por eles, como Homem, em vista de manter a comunhão deles como o Céu, através das dificuldades que encontrarão no seu caminho sobre a Terra.

Assim, embora a Igreja se não encontre na Epístola aos Hebreus, exceto no capítulo 12, numa alusão a todos aqueles que terão parte na glória milenária, o Salvador da Igreja ali se encontra, apresentado e desenvolvido na descrição da Sua Pessoa, da Sua obra e do Seu sacerdócio, da maneira mais rica para os nossos corações e para a nossa compreensão espiritual.

É também do mais alto interesse ver como a obra do nosso Salvador, levado a cabo por amor de nós, faz parte da manifestação da Sua glória divina.

"Deus ... falou pelo Filho", diz o autor inspirado desta epístola. É, pois, Ele que é esse Filho. Primeiramente, é constituído herdeiro de todos as coisas. É Ele que deve possuir gloriosamente, como Filho, tudo o que existe. Tais são os desígnios de Deus. Além disso foi por Ele que Deus fez os mundos (4). Todos os vastos sistemas deste universo, esses mundos desconhecidos que traçam o Seu caminho no espaço infinito, segundo a ordem divina, para manifestarem a glória de um Deus Criador, são a obra da mão d'Aquele que nos falou, do Cristo divino.

N'Ele resplandeceu a glória de Deus. Ele é a perfeita impressão do Seu Ser. Vemos Deus n'Ele, em tudo o que Ele disse, em tudo o que Ele fez, na Sua Pessoa. Depois, pelo poder da Sua Palavra, Ele mantém tudo o que existe. Ele é, pois, o Criador. Deus é revelado na Sua Pessoa. Ele mantém todas as coisas pela Sua Palavra, que tem assim um poder divino. Mas isto ainda não é tudo (porque falamos sempre de Cristo): Há uma outra parte da Sua glória, parte divina, é verdade, mas manifestada na natureza humana. Aquele que era tudo o que acabamos de ver, tendo por Si próprio, realizando a Sua própria glória (5) e para Sua glória, feito a purificação dos nossos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas. Eis, em pleno, a glória pessoal de Cristo. Ele é, de fato, o Criador, a revelação de Deus. Ele mantém

toda as coisas pela Sua Palavra. Ele é o Redentor. Ele fez por Si mesmo a purificação dos nossos pecados. Assentou-Se à direita da Majestade nas alturas. E é o Messias que é tudo isto! Ele é o Deus Criador, mas, mas ao mesmo tempo um Messias que tomou lugar nos Céus à direita da Majestade, tendo efetuado a purificação dos nossos pecados. Sente-se como esta exposição da glória de Cristo, do Messias, quer pessoal quer de posição, faz sair do Judaísmo a todo aquele que crê nessa glória, embora ligando­-se às promessas e às esperanças judaicas. Ele é Deus. Desceu do Céu e ao Céu voltou.

Ora, aqueles que se ligam a Ele encontram-sem colocados, também sob outro ponto de vista, acima do sistema judaico. Esse sistema era ordenado em ligação com os anjos. Ora o Cristo Homem tomou uma posição muito mais elevado do que a dos anjos porque tem, como herança que Lhe é própria, um Nome (isto é, uma revelação do que Ele é) bem mais excelente do que o deles. O autor da epístola cita várias passagens do Antigo Testamento que falam do Messias para mostrar o que Ele é em contraste com a natureza e a posição relativa dos anjos. O alcance desses testemunhos, para os Judeus convertidos, é evidente; e vê-se facilmente o quanto esse raciocínio lhes é adaptado, porque a dispensação judaíca estava sob a administração dos anjos, como os Judeus acreditavam - e a crença deles, a este respeito, era plenamente fundada sobre a Palavra (6). Ao mesmo tempo, as próprias Escrituras demonstravam que o Messias deveria ter uma posição bem mais excelente e mais elevada do que os anjos, de harmonia com os direitos que Lhe eram próprios, em virtude da Sua natureza e segundo os desígnios e a revelação de Deus; de sorte que aqueles que se unissem a Ele eram postos em relação com aquilo que eclipsava inteiramente a lei e tudo o que a ela se ligava e à dispensação judaica, a qual não podia ser separada da lei e cuja glória era angélica no seu caráter. A glória do Cristianismo - e o autor fala àqueles que reconheciam Jesus como sendo o Cristo - estava de tal modo acima da glória da lei que, realmente, os dois sistemas não podiam unir-se.

As citações começam pelo Salmo 2. Deus - está escrito ­nunca disse a nenhum dos anjos:

"Tu és meu Filho, eu hoje te gerei". É este caráter de Filho, próprio do Messias, que, como relação real, O distingue. Ele era eternamente Filho do Pai, mas não é precisamente sob este ponto de vista que é considerado aqui. O Nome que Lhe é dado exprime essa mesma relação, mas é ao Messias nascido na Terra que esse título é aplicado aqui; porque o Salmo 2, estabelecendo-O como Rei em Sião, anuncia o decreto que proclama o Seu título. "Tu és meu Filho, eu hoje te gerei", exprime a relação do Cristo no tempo com Deus. O título depende da Sua natureza gloriosa, não duvido; mas esta posição para o homem foi adquirida pelo nascimento miraculosos de Jesus neste mundo, demonstrado ser verdadeiro, e determinado no seu verdadeiro alcance pela ressurreição. No Salmo 2 o testemunho prestado a esta relação está de harmonia com a realeza do Cristo em Sião, mas declara a glória pessoal do Rei reconhecido por Deus. Em virtude dos direitos concernentes ao título de Filho, todos os reis são intimados a submeterem-se a Ele. Trata-se, pois, neste Salmo, do governo do mundo, quando Deus estabelecer o Messias Rei em Sião, e não do Evangelho. No entanto, na passagem citada (Hebreus 1:5), a relação de glória com Deus, na qual ele subsiste, é posta em evidência, relação que é o fundamento do Seus direitos e não os próprios direitos reais.

O mesmo se dá com a citação seguinte: "Eu lhe serei por Pai, e ele me será por filho". Vê-se bem aqui que se trata da relação em que Deus O aceita e O reconhece, e não da Sua relação eterna com o Pai: "Eu lhe serei por Pai", etc. Também é sempre do Messias que se trata, Rei em Sião, Filho de David, porque estas palavras são primeiramente dirigidas a Salomão, como filho de Davi (22 de Samuel 7: 14 e 12 de Crônicas 17:13). Na segunda destas passagens, a aplicação destas palavras ao verdadeiro filho de David é mais clara. Uma relação tão íntima, expressa, pode dizer­-se, com tanto afeto, não era a porção dos anjos. Ser Filho de Deus, reconhecido por Deus como Seu próprio Filho, tal é a porção do Messias em relação com Deus. O Messias é, pois, Filho de Deus de uma maneira muito particular, a qual não poderia ser aplicada aos anjos.

Mas mais ainda: quando Deus introduziu o Primogênito no mundo, todos os anjos são chamados a render-Lhe homenagem. Deus apresenta-O ao mundo; mas as mais elevadas das criaturas devem então prostrar-se perante Ele. Os próprios anjos de Deus, as criaturas mais próximas de Si, devem prestar homenagem ao Primogênito. Esta expressão "Primogénito" é também muito notável. O Primogênito é o Herdeiro, o principio da manifestação da glória e do poder de Deus. É neste sentido que esta palavra é aqui empregada. É dito do filho de Davi: "Dar-lhe-ei o lugar de Primogênito; fá-lo-ei mais elevado do que os reis da Terra" (Salmo 89:27). Assim o Messias é introduzido no mundo como tendo esse lugar de Primogênito a respeito do próprio Deus. Ele é Primogênito, a expressão imediata dos direitos e da glória de Deus. Tem a primazia universal.

Eis, por assim dizer, a glória de posição do Messias, Ele é não só o Chefe do povo sobre a Terra, como Filho de Davi, ou mesmo sendo reconhecido como Filho de Deus sobre a Terra, segundo o Salmo 2, mas também é Primogênito universal, de sorte que as primeiras e as mais elevadas criaturas e as mais próximas de Deus, os anjos de Deus, os instrumentos do Seu poder e do Seu governo, devem prestar homenagem ao Filho, mesmo nesta posição.

Mas isto está longe de ser tudo; e mesmo essa homenagem estaria fora de lugar, se a glória que Ele possui não Lhe fosse própria e pessoal e não se ligasse à Sua natureza. Porém, o que temos sempre perante nós, neste capítulo, é o Messias como reconhecido por Deus. Deus diz­-nos o que Ele é. Dos anjos diz: "O que a seus anjos faz ventos, e a seus ministros labareda de fogo". Não faz que o Filho seja uma coisa qualquer; reconhece o que Ele é, ao dizer: "6 Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos". O Messias pode ter o Seu trono terrestre (que também Lhe não é tirado, mas que cessa pela tomada de posse de um trono 'eterno), mas tem também um trono pelos séculos dos séculos.

O cetro do Seu trono, como Messias, é um cetro de Justiça. Quando estava neste mundo, também Ele pessoalmente amou a Justiça e aborreceu a iniquidade; e foi por isso que Deus O ungiu com óleo de alegria, mas do que aos Seus companheiros. Estes são o Remanescente crente de Israel, de quem Ele fez, por Sua graça, Seus companheiros, embora - perfeitamente agradável a Deus pelo Seu amor pela Justiça (amor que não recuou perante nenhuma dificuldade nem nenhum sacrifício) - seja elevado acima de todos eles. Esta passagem é notável, porque, se, por um lado, a divindade do Senhor ali é bem verificada, assim como o Seu trono eterno, por outro, esta citação desce ao Seu caráter de Homem fiel sobre a Terra, onde Ele tornou os Seus companheiros homens piedosos, do pequeno Remanescente de Israel que esperava a redenção, mas dando ao Senhor um lugar muito acima deles. E nem poderia ser de outro modo.

Este mesmo texto volta à glória que lhe é dada como homem, tendo a primazia aqui, como em todas as coisas.

Já fiz notar algures que, enquanto em Zacarias Jehová reconhece como Seu companheiro o Homem humilhado, contra o qual a Sua espada desperta para o ferir (Zacarias 13); aqui, onde a divindade de Jesus é verificada, o mesmo Jehová reconhece o pobre Remanescente dos crentes como companheiros do Salvador divino. Maravilhosos laços estes de Deus com o Seu povo!

Portanto, nestes notáveis testemunhos o Messias tem já o trono eterno e o cetro da Justiça; é reconhecido como Deus, sendo embora Homem, e glorificado acima de todos em recompensa da Sua Justiça.

Mas o testemunho à sua divindade, o testemunho à divindade do Messias deve ser mais preciso. E este testemunho é aqui de toda a beleza. O Salmo de onde ele é tirado é uma das expressões mais completas que se encontram nas Escrituras, da consciência que Jesus tinha da Sua humilhação sobre a Terra, da Sua dependência de Jehová, do sentimento que Ele teve de que, elevado como Messias, de entre os homens, tinha sido abatido e que os Seus dias tinham sido abreviados. Se Sião estava reedificada, e se o Salmo fala profeticamente do tempo em que isso acontecerá, onde será Ele, o Messias, abatido e humilhado, se os Seus dias foram reduzidos a metade (como, realmente, aconteceu)? Numa palavra, o Salmo 102 é a expressão profética do coração do Salvador, em perspectiva do que Lhe aconteceu como Homem na Terra; é o que o Seu coração disse ao Eterno nesse tempo de humilhação, em presença da afeição renovada do Remanescente pela poeira de Sião - afeição produzida pelo Senhor nos corações dos Judeus piedosos e que é um sinal do Seu bom querer e do Seu desejo de restabelecer a Sua cidade bem­ amada. Mas como poderia um Salvador suprimido ter parte nesse tempo de bênção? Questão deveras difícil para o Judeu crente, quando tentado por esse lado. As palavras citadas aqui são a resposta a essa questão. Por muito humilhado que Ele tivesse sido, esse Messias era o próprio Criador. Ele era sempre o mesmo (7): Os Seus anos nunca acabariam. Ele tinha fundado os Céus; Ele os enrolaria como um manto. Mas Ele próprio nunca mudava.

Tal é, pois, o testemunho prestado ao Messias pelas Escrituras dos próprios Judeus; tal é a glória da Sua posição acima dos anjos, administradores da dispensação da lei; e tal é o Seu eterno trono de Justiça, tal a Sua imutável divindade como Criador de todas as coisas.

Restava ainda uma coisa para completar este encadeamento de glórias, a saber, o lugar que ocupa actualmente o Cristo, em contraste ainda com os anjos, lugar que depende, por um lado, da glória divina da Sua Pessoa, e, por outro, do cumprimento da Sua obra. E este lugar é à direita de Deus, que O chamou para ali Se assentar, até que Ele tenha posto os Seus inimigos por escabelo dos Seus pés. Não só a Sua Pessoa é gloriosa e divina, não só Ele tem o primeiro lugar no universo a respeito de todas as criaturas (falamos dessas glórias, que terão lugar quando Ele for introduzido no mundo), mas tem também o Seu próprio lugar à direita da Majestade nos Céus. A qual dos anjos Deus disse jamais aquilo?

Os anjos são, da parte de Deus, os servos dos herdeiros da salvação.

 

NOTAS DO ESTUDO SOBRE HEBREUS:

1) Verificar-se-á, creio, que na Epístola aos Hebreus o exercício do sacerdócio celestial não é aplicado ao caso de se ter caído no pecado. O seu objetivo consiste em nos fazer encontrar misericórdia e graça para termos socorro no momento oportuno. O seu objetivo é o acesso a Deus no Céu, onde temos um Sumo Sacerdote - e este acesso nós o temos sempre. A consciência é sempre perfeita (capítulos 9 e 10) quanto à imputação e quanto ao acesso a Deus. Na Primeira Epístola de João, onde se trata da questão da comunhão que o pecado pode interromper, temos um Advogado junto do Pai, se alguém tiver pecado. Isto também é baseado na Justiça e na propiciação perfeitas n 'Ele. O Sacerdócio de Cristo concilia uma posição celestial perfeita junto de Deus, com um estado de fraqueza sobre a Terra, estado este sempre exposto a quedas - dá um sentimento de segurança e de dependência na viagem através do deserto.

2) Ele santifica o povo pelo Seu próprio sangue. Eles consideram profano o sangue da aliança pelo qual tinham sido santificados. Na Epistola aos Hebreus não se fala de nenhum operação santificante do Espírito Santo, embora se encontrem ali exortações a prosseguir a santidade.

3) Ver-se-á que, mostrando de improviso que Aquele que constitui o tema do seu discurso se tinha assentado à direita de Deus, o autor da epístola fala também das comunicações do Senhor na Terra. Mas mesmo aqui é em contraste com Moisés e com os anjos, sendo o Filho bem mais excelente. Tudo é dito tendo em vista livrar do Judaísmo os judeus crentes.

4) Tem-se querido dar uma interpretação particular à palavra grega traduzida por "mundo"; mas o certo é que essa palavra foi empregada pelos Setenta, isto é, no Grego helenista e escriturístico, para os mundos físicos. 5) O verbo grego tem aqui uma forma particular, que lhe empresta um sentido reflexo, fazendo recair a ação praticada sobre aquele que a praticou; fazendo refletir a glória do que é feito sobre aquele que o faz.

'6) Ver Salmo 68:17; Atos7:53; Gálatas 3:19

7) As palavras traduzidas: "tu és o mesmo" - Atta Hou - são consideradas por muitos sábios hebraístas (pelos menos Hou) como sendo um nome de Deus. Em todo o caso, como Ele é imutavelmente o mesmo, está certo. Os anos que nunca acabarão serão uma duração sem fim depois que Ele se tornou Homem.

 

Referências para o estudo bíblico - As Parábolas do Reino de Deus