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Estudo Sobre Hebreus 1 (Parte 1)
Estudo Sobre Hebreus 1 (Parte 1)

“ESTUDOS SOBRE A PALARA DE DEUS”

tradução de Synopsis of the Books of the Bíble” – John Nelson Darby

A importância da Epístola aos Hebreus requer que a examinemos com especial cuidado. Ela tem um lugar próprio, um lugar inteiramente distinto. O objetivo desta epístola não é a apresentação da posição cristã em si, considerada como fruto da graça soberana, da obra e da ressurreição de Cristo, nem o resultado da união dos Cristãos com Cristo, da união dos membros do corpo com a cabeça, fazendo estes gozar de todos os privilégios que estão n'Ele. É uma epístola onde aquele que realmente apreendeu todo o alcance do Cristianismo, visto como colocando o Cristão em Cristo diante de Deus, quer individualmente, quer como membro do corpo, considera, não obstante, o Senhor como herdeiro de todas as coisas deste mundo, e mostra-nos a Sua Pessoa e as Suas funções no Céu, entre nós, em fraqueza sobre a Terra, e Deus no Céu, com o fim de nos libertar (enquanto andamos neste mundo) de tudo o que nos liga religiosamente à Terra, mesmo quando o vínculo tiver sido ordenado pelo próprio Deus, como no caso dos Judeus.

Esta epístola mostra-nos Cristo no Céu e, por conseguinte, faze­-nos ver que os nossos laços religiosos com Deus são celestiais, embora nós próprios ainda não estejamos no Céu, nem sejamos considerados tomo estando unidos a Cristo lá em cima. Todos os laços com a Terra são quebrados, muito embora continuemos cá.

É muito natural que estas instruções sejam dadas numa epístola dirigida aos Judeus, porque as suas relações religiosas tinham sido terrestres, e ao mesmo tempo solenemente ordenadas pelo próprio Deus. Os Pagãos, quanto às suas religiões, não tinham relações formais senão com os demônios.

Para Judeus, esta ruptura com a Terra era tanto mais solene, absoluta e conclusiva na sua natureza, quanto a relação tinha sido divina. Esta relação devia ser plenamente reconhecida e ser inteiramente abandonada, não, nesta epístola, porque o crente está morto e ressuscitado em Cristo, mas porque Cristo substitui todas as figura6 e as ordenanças terrestres. a Deus que tinha instituído as ordenanças da lei estabelecia agora Ele mesmo outras alianças, vínculos de um outro alcance, é verdade, mas Ele é sempre o mesmo Deus.

O fato de Ele ser sempre o mesmo Deus dá ocasião a que Deus retome, no futuro, as Suas relações com Israel, restabelecido no gozo das promessas. Não que a epístola considere os Judeus como colocado atualmente nesse campo; pelo contrário, apresenta sobre tudo o que é celestial e a evolução da fé, tal como a de Abraão e a de outros que não receberam as bênção prometidas, mas admite princípios que podem aplicar-se a essa posição, e, num ou dois lugares, deixa - e devia deixar espaço para essa ulterior bênção do povo. A Epístola aos Romanos, na instrução direta que fornece, não pode deixar esse espaço para as bênçãos especiais do povo judeu. Do seu ponto de vista, todos são igualmente pecadores, e todos são juntamente justificados em Cristo na presença de Deus no Céu. A Epístola aos Efésios, como o objeto que tem em vista ainda menos podia encontrar nos seus ensinamentos um lugar para as bênção vindouras do povo de Deus na Terra, não vê os Cristãos senão como que unidos ao seu Chefe celestial, como Seu corpo, ou como a habitação de Deus na Terra pelo Espírito Santo. Epístola aos Romanos, na parte em que mostra que essa salvação (que, por ser de Deus, era para todos, sem distinção) é compatível com a fidelidade de Deus às promessas feitas ao povo, aborda o assunto de que falamos, mais distintamente ainda do que Epístola aos Hebreus, e revela-nos que Israel retomará, embora de maneira diferente da anterior o seu lugar na ordem especial dos herdeiros das promessas - lugar que, pelo seu pecado, tinha deixado vago por algum tempo, a fim de permitir a entrada dos Gentios, segundo o princípio fé, nessa sucessão bendita. É que encontramos em Romanos 11. Mas o objetivo das duas epístolas consiste em desprender inteiramente os fiéis da Terra pô-los - religiosamente - em relação com o Céu. Uma, a que foi endereçada aos Romanos, respeito à sua apresentação ­pessoal a Deus por meio perdão e da Justiça divina; a outra diz respeito aos meios que Deus estabeleceu para que o crente, andando na Terra, encontre guardadas as suas relações atuais com o Céu, e conservadas na sua integridade as suas relações diárias com Deus.

Eu disse: Conservadas, porque esta conservação é bem o objetivo da epístola que agora estudamos (1). Mas é preciso acrescentar que essas relações do crente com Deus são estabelecidas nessa base por revelações divinas, que nos comunicam a vontade de Deus e as condições segundo as quais quer Se relacionar com o Seu povo.

Notar-se-á também que, na Epístola aos Hebreus, embora as relações do povo com Deus sejam numa nova base, fundadas na posição celestial do Mediador, essas relações são consideradas como subsistindo já. Deus tem de tratar com um povo já Seu conhecido. Dirige-Se a pessoas que estão em relação com Ele, que, desde longa data, têm tido a posição de um novo adquirido fora do mundo para Deus. Não são, como na Epístola aos Romanos, pecadores sem lei, ou transgressores da lei, entre os quais não há nenhuma diferença, porque nenhum deles, absolutamente, atinge a glória de Deus, sendo todos filhos da ira, como os outros. Também não é como na Epístola aos Efésios, uma criação inteiramente nova,

anteriormente desconhecida. Aqueles a quem a epístola se dirige tinham necessidade de "algo de melhor", mas tinham essa necessidade porque estavam em relacionamento com Deus - e as condições de suas relações com Ele não traziam nada à perfeição. O que eles tinham não era, senão na verdade símbolos e figuras; mas o povo, repito, mantinha relação com Deus. Muitos podiam recusar o novo sistema de bênção e de graça, e, por conseguinte, estarem perdidos; mas o vínculo do povo com Deus é tido como existente. Simplesmente, tendo sido revelado o Messias, ninguém podia obter um lugar entre esse povo, se não reconhecesse o Messias.

É muito importante, para a compreensão desta epístola, apreender este ponto, a saber, que ela é dirigida aos Hebreus na base de uma relação que ainda subsistia (2), embora não conservasse a sua força senão no que dizia respeito ao reconhecimento do Messias, de que fazia a pedra angular. É por isso que as primeiras palavras da Epístola reatam o estado actual deles com as revelações precedentes, em lugar de romper toda a relação e introduzir uma coisa nova, não revelada até aqui.

Algumas observações acerca da forma da Epístola ajudar-nos-­ão a compreendê-la melhor:

Não tem nome de autor. A tazão deste facto é notável e impressionante: O próprio Senhor, segundo esta Epístola, foi o Apóstolo de Israel. Os apóstolos que Ele enviou não foram empregados senão para confirmarem as Suas palavras, fazendo-as chegar aos outros, confirmando o próprio Deus o testemunho deles por meio de dons miraculosos. Isto faze-nos também compreender que, embora como sacerdote, o Senhor esteja nas alturas para exercer o seu sacerdócio no Céu e estabelecer as relações do povo com Deus numa nova base; as comunicações de Deus com o seu povo, por intermédio do Messias, tinham já começado quando Jesus estava na Terra, vivendo no meio do Seu povo. Desde então o carácter dessas relações não era a união com Ele no Céu, mas sim as relações com Deus na base das comunicações divinas e do serviço de um Mediador junto de Deus.

Além disso, esta epístola é antes um discurso ou um tratado, que uma Epístola dirigida, no exercício das funções apostólicas, a santos com os quais o escritor se encontre pessoalmente em relação. O autor é, no seu escrito, mais doutor do que apóstolo. Fala,

sem dúvida, colocando-se à altura da vocação celestial, porém mantendo o vínculo com a presente posição do povo judeu - para fazer compreender enfim aos crentes que era preciso abandonar essa posição.

Aproximava-se o tempo de Julgamente do povo; e, sob este aspecto, a destruição de Jerusalém teve um grande alcance, porque rompeu definitivamente toda a relação exterior entre Deus e o povo Judeu. Desde então já não há altar, nem sacrifício, nem sumo sacerdote, nem santuário. Todos os vínculos foram rompidos pelo Julgamente, e continuam partidos, até que sejam de novo restabelecidos, de harmonia com a graça, sob a nova aliança.

Por outro lado notaremos que existe antes um contraste do que uma comparação com esta epístola. Sem dúvida o véu é aqui comparado, mas, primeiramente, fechava a entrada do santuário, ao passo que agora há um caminho novo e vivo! Quanto à oferenda, outrora ela era repetida, atestando assim que os pecados estavam sempre lá; agora ela foi feita uma vez por todas, de sorte que não resta nenhuma recordação de pecados - e o mesmo acontece com todos os pormenores importantes.

O autor desta epístola {Paulo, sem dúvida, embora isso seja de menor importância) empregou outros motivos, além do próximo julgamento, para exortar os Judeus crentes a abandonarem as suas relações judaicas, mas é bem este último passo que os decide a fazê-lo: O Julgamento estava próximo. Até então eles tinham associado o Cristianismo ao Judaísmo: tinha havido muitos milhares de cristãos zelosos da lei, mas agora Deus ia destruir totalmente o sistema - sistema já julgado, de fato, pela rejeição de Cristo pelos Judeus, e pela sua resistência ao testemunho do Espírito Santo. Esta epístola exorta os crentes a saírem inteiramente desse sistema e a levarem o opróbrio do Senhor, e apresenta-lhes um fundamento novo para as suas relações com Deus na Pessoa de um Sumo Sacerdote que está nos céus. Liga ao mesmo tempo tudo o que diz, ao testemunho de Deus pelos profetas, por intermédio do Cristo, o Filho de Deus, falando da Sua vivência sobre a Terra, embora falando agora do Céu.

Assim, a nova posição é claramente verificada; mas é ao mesmo tempo apresentada como uma continuação da antiga, e entrevê-se, por meio da nossa aliança, a ligação que existe entre ela e o que está para vir: Um fio

pelo qual um outro estado de coisas, o esta milenário, se liga ao conjunto dos caminhos de Deus para com o povo, embora o que é ensinado e desenvolvido na epístola seja a posição dos crentes, do povo formado pela revelação de um Cristo celestial, do qual dependem todas as relações desse povo com Deus. Eles devem sair do campo; mas isto é porque Jesus, para santificar o povo pelo Seu próprio sangue, sofreu fora de portas - porque aqui não há cidade permanente, e nós procuramos a que está para vir. O escritor coloca-se no meio do Remanescente do povo como um de entre eles; ensina com a plena luz do Espírito Santo, mas não se dirige àqueles a quem tinha sido enviado como apóstolo, com a autoridade apostólica que uma semelhante missão lhe teria dado sobre eles. Compreende-se que falamos da relação do autor, e não da inspiração do escrito.

Embora desenvolvendo as simpatias e os sofrimentos de Cristo, para fazer compreender que sabe sofrer com aqueles que sofrem e com aqueles que são provados, a Epístola não apresenta nunca a humilhação de Cristo, nem o opróbio da Cruz, senão ao fim, quando, tendo sido verificada a glória de Cristo, o autor exorta os Judeus a segui-lo e a tomarem parte no Seu opróbrio.

A glória da Pessoa, as simpatias e a glória celestial do Messias são postas em evidência para fortificarem a enfraquecida fé dos Cristãos Judeus, e para os firmar na sua posição cristã, para que esta tenha o seu verdadeiro carácter aos olhos deles, e para que, ligados ao Céu e fortalecidos no seu chamamento celestial, eles aprendam a levar a Cruz, a libertarem-se da religião da carne, e a não voltarem a um Judaísmo

em vias de desaparecimento. É necessário, pois, procurar aqui o caráter das relações que se formam entre os Judeus crentes e Deus, em conseqüências da revelação do Messias, e de harmonia com a posição que Ele tinham tomado no Céu - e não a doutrina de uma nova Criatura; é preciso procurar ali a liberdade de nos aproximarmos de Deus nos lugares santos, coisa impossível no judaísmo, mas não a revelação do Pai nem a união com Cristo nos lugares celestiais.

 *continua em "Estudos sobre a palavra de Deus” - Hebreus 1 (parte 2)

 

"Estudos sobre a palavra de Deus” - Hebreus 1 (parte 2)