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EPÍSTOLA DE FILEMON
EPÍSTOLA DE FILEMON

“ESTUDOS SOBRE A PALAVRA DE DEUS”

Tradução de “Synopsis of the Books of the bible – John Nelson Darby

EPÍSTOLA DE FILEMON

 

A mui bela e interessante Epístola a Filemon não exige muitas explicações. É a expressão do amor que atua, pelo Espírito Santo, no interior da Igreja de Deus, em todas as circunstâncias da vida individual.

Escrita para despertar em Filemon sentimentos que as circunstâncias poderiam abafar no seu coração, esta epístola é mais própria para produzir esses sentimentos no leitor do que para ser objeto de uma explicação.

É um belo quadro da maneira como a ternura e a força do amor de Deus, operando no coração, se ocupam de todos os pormenores em que este amor pode ser ferido ou pode servir de ocasião para fazer crescer o amor e torná-Lo ativo. Sob esse ponto de vista, a Epístola a Filemon é tão importante como bela, porque este desenvolvimento de ternos e delicados cuidados, no meio dos gigantescos trabalhos do apóstolo e das imensas verdades que formam as bases das relações de todas as criaturas com Deus em Cristo, dá um caráter muito especial ao Cristianismo e mostra a sua origem divina; porque Aquele que revela as verdades mais profundas as coordena no conjunto dos pensamentos divinos o faz como falando de uma coisa conhecida, como comunicando­-Ihes os Seus próprios pensamentos. Espírito do Deus de amor, Ele pode encher o coração das considerações que só o amor pode sugerir, com uma dignidade que revela a sua origem e com uma delicadeza que mostra que seja qual for a grandeza dos Seus pensamentos, Ele pode pensar livremente em tudo.

Quando o espírito humano se ocupa de assuntos algo elevados, fica sobrecarregado e curva-se sob o peso de tal fardo; fica absorvido. É-lhe então necessário isolar-se a fim de se poder aplicar a esses assuntos. Mas Deus revela os Seus próprios pensamentos, e, por muito vastos que eles sejam para o espírito humano, correm sempre com a clareza e a coerência que lhes é próprio nas comunicações que Ele faz por intermédio dos instrumentos que escolheu. Estes são livres de amar, porque o Deus que os emprega e lhes comunica o que eles ensinam é Amor. A manifestação deste amor é a parte mais essencial da tarefa que lhes é confiada, mesmo ainda mais do que falar das coisas profundas. Assim, quando os servos de Deus são movidos por esse amor, o caráter de Quem os envia é demonstrado como sendo o de Deus, que é a origem do amor, em perfeita consideração pelos outros e na atenção mais delicada pelas coisas a que o coração pode ser sensível.

De resto, este amor desenvolve-se nas relações formadas entre os membros do corpo de Cristo pelo próprio Espírito Santo, quer dizer entre os homens. Jorrando de uma fonte divina e sempre alimentadas por ela, as afeições cristãs revestem a forma das considerações humanas que, mostrando o amor e o aposto do egoísmo, trazem a marca da sua origem. O amor, liberto do eu, pode pensar e pensa em tudo o que concerne aos outros e compreende aquilo que mais os impressiona.

Onésimo, escravo fugitivo, tinha sido convertido por intermédio de Paulo, que o tinha gerado nas suas prisões. Filemon, homem rico, ou, pelo menos, vivendo bem, recebia a assembléia em sua casa. A sua mulher também era convertida, e ele próprio trabalhava, segundo as suas capacidades, na obra do Senhor. Arquipo era um obreiro do Senhor e atuava na assembléia, talvez como evangelista. Em qualquer caso, tomava parte nos combates do Evangelho e encontrava-se em relação com Filemon e com a assembléia.

O apóstolo, ao enviar Onésimo ao seu amo, dirige-se a toda a assembléia. Esta é a razão pela qual, na sua saudação, ele diz somente: "Graça e paz", sem acrescentar "misericórdia", como fazem os apóstolos, quando SE dirigem simplesmente a indivíduos. O seu apelo em favor de Onésimo é dirigido a Filemon; mas toda a assembléia se deve interessar por esse querido escravo, feito agora filho de Deus. Os corações dos outros cristãos eram como que um apoio - E uma garantia para o procedimento de Filemon, embora o apóstolo espere para Onésimo perdão E bondade, como frutos do amor do próprio Filemon, na sua qualidade de servo de Deus.

Paulo reconhece - como era seu hábito - todo o bem que existe em Filemon, e colhe nesse bem bons motivos para o próprio Filemon, a fim de que ele dê pleno curso ao sentimento da graça, apesar de tudo o que o regresso de Onésimo pudesse produzir na sua carne, ou do azedume que Satanás pudesse procurar despertar nela. Paulo quer que aquilo que ele deseja para Onésimo seja ato do próprio Filemon. A libertação do antigo escravo ou mesmo a sua alegre recepção como irmão na fé teria, neste caso, um alcance muito diferente do que teria se esse acolhimento fosse fundado sobre uma ordem do apóstolo, porque se trata de afeição cristãs e dos laços do amor. O apóstolo faz valer o direito que tinha de comandar; somente com o fim de pôr de lado esse direito e de dar mais força ao seu pedido, sugerindo ao mesmo tempo que a comunhão da fé de Filemon com toda a Igreja e com o apóstolo, quer dizer, a maneira como a fé de Filemon se ligava na atividade da afeição cristã à Igreja de Deus, assim como àqueles que, da sua parte, ali trabalhavam, e ao próprio Senhor (espírito que se mostrava já tão honrosamente em Filemon), tenha o seu pleno desenvolvimento, reconhecendo todos os direitos do apóstolo sobre o seu coração.

É lindo ver a afeição do apóstolo por Onésimo mostrar­-se numa ansiedade que lhe faz esgotar todos os motivos capazes de atuarem sobre o coração de Filemon, e, junto a essa afeição, o sentimento cristão que inspirava igualmente a Paulo uma plena confiança nos bons afetos desse fiel e excelente irmão. O coração natural de Filemon bem teria podido sentir algum ressentimento por ocasião do regresso do seu escravo fugitivo, por isso o apóstolo intervém, por meio da sua carta, em favor do seu querido filho na fé, gerado no tempo do seu cativeiro. Deus tinha intervindo, pela obra da Sua graça, que devia atuar no coração de Filemon para produzir uma relação inteiramente nova entre ele e Onésimo. O apóstolo exorta Filemon a receber o seu antigo escravo como irmão; mas é evidente (verso 12) que Paulo, embora quisesse que o amo, ao qual Onésimo tinha prejudicado, atuasse de sua livre vontade, confiava em que ele o libertaria (verso 21). E, embora assim seja, o apóstolo quer tomar sobre si todos os danos, por amor do seu querido filho. De acordo com a graça, Onésimo era agora mais útil, quer a Filemon quer a Paulo, do que outrora, quando a carne o tinha tornado um servo infiel e inútil. Filemon devia ficar satisfeito por isso (verso 11). O apóstolo alude aqui ao nome de "Onésimo" que significa "útil", Enfim, recorda a Filemon que lhe era devedor a ele, Paulo, da sua própria salvação, da sua vida como cristão.

Paulo era, nesse momento, prisioneiro em Roma. Deus tinha conduzido Onésimo a essa cidade, aonde todos afluíam, para o levar à salvação e ao conhecimento do Senhor, para que nós fôssemos instruídos, e para que Onésimo tivesse na Igreja Cristã (1) uma nova posição. Isto deu-se, ao que parece, no fim do aprisionamento do apóstolo. Pelo menos Paulo espera ser libertado, e diz a Filemon que lhe prepare também pousada.

Os nomes que encontramos aqui também se encontram na Epístola aos CoIossenses. Nesta, o apóstolo diz: "Onésimo... que é dos vossos" (Colossenses 4:9), de sorte que, se aquele de que se trata aqui é o mesmo, ele era de Colossos. Parece provável que assim seja, porque também encontramos nesta mesma epístola Arquipo, que é exortado a ter cuidado com o seu serviço (Colossenses 4:17). Se assim é, o fato de Paulo falar aqui desta maneira de Onésimo aos Cristãos de Colossos é ainda uma prova dos seus cuidados de amor por esse novo convertido. Coloca-o assim no coração da assembléia, enviando a sua carta por ele e por

Tíquico. Na Epístola aos Efésios não há saudação, mas foi levada pelo mesmo Tíquico. Timóteo está junto de Paulo no momento de este endereçar a sua Epístola aos Colossenses, como na enviada a Filemon; mas não está na que foi enviada aos efésios nem na enviada aos filipenses aos quais o apóstolos esperava enviá-lo em breve. Os dois nomes encontram­-se de novo reunidos.

Não tiro conclusões aqui destes últimos pormenores; mas o seu estudo não seria falho de interesse. As quatro epístolas de que acabo de falar foram escritas durante o cativeiro do apóstolo em Roma, num momento em que le esperava ser libertado dessa prisão.

Finalmente, o que temos de especial a notar na Epístola a Filemon é o amor que, no centro íntimo desse círculo, tudo à volta garantido por um desenvolvimento de doutrina sem paralelo, reina e frutifica, e une num conjunto os membros de Cristo, derramando o sabor da graça sobre todas as relações em que os homens se encontram uns com os outros, ocupando-se de todos os pormenores da vida com uma perfeita conveniência e tendo em consideração todos os direitos que possam existir entre os homens, e tudo o que o coração humano possa sentir.

Parece-me, segundo a maneira como o apóstolo fala, que ele pensava mesmo que Ónésimo seria instrumento de Deus na Igreja, útil no serviço do Senhor. Tê-lo-ia conservado junto de si para o servir nas algemas que carregava por causa do Evangelho, mas respeitava as relações de Onésimo com Filemon. Também, pela alma de Onésimo, valia muito mais que ele se submetesse lá, onde tinha feito dano, e, se devia ser livre, que recebesse essa libertação do amor de Filemon.

 

 Referências para o estudo bíblico - Dicas para a escola dominical