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EPÍSTOLA AOS HEBREUS – CAPÍTULO 3
EPÍSTOLA AOS HEBREUS – CAPÍTULO 3

“ESTUDOS SOBRE A PALAVRA DE DEUS”

Tradução de Synopsis of the Books of the Bible – John Nelson Darby

EPÍSTOLA AOS HEBREUS – CAPÍTULO 3

Por conseguinte, o Senhor é­ nos apresentado como Apóstolo e Sumo Sacerdote dos crentes de entre os Judeus - do verdadeiro povo. Eu digo "de entre os Judeus", não que Ele não seja o nosso Sacerdote, mas porque o escritor sacro se coloca aqui entre os judeus crentes, ao dizer "nosso", e, em lugar de falar de si próprio como apóstolo, designa Jesus como Apóstolo - o que Ele, na verdade, era pessoalmente para os Judeus. Em princípio, aquilo de que Ele fala é verdadeiro para todos os crentes. O que o Senhor disse é a Sua Palavra, e Ele é capaz de nos socorrer, quando somos tentados. Nós somos a Sua casa.

Com efeito, temos aqui um terceiro caráter de Cristo: ele é "Filho sobre a sua casa". Moisés foi fiel em toda a casa de Deus como servo, em testemunho das coisas que deviam ser ditas mais tarde. Ora, Cristo é sobre a casa de Deus; porém, não é como servo, mas sim como Filho. Ele construiu a casa; Ele é Deus.

Moisés tinha-se identificado com a casa, fiel em tudo nessa posição; Cristo é mais excelente, como é mais excelente que a casa aquele que a construiu. Mas Aquele que constrói todas as coisas é Deus ­e é o que Cristo fez. De fato, a casa, quer dizer, o tabernáculo no deserto era uma figura do Universo. Cristo atravessou os céus, como sumo Sacerdote, entrando no santuário. Tudo estava purificado pelo sangue, e Deus reconciliará todas as coisas por Cristo nos céus e sobre a Terra. Num certo sentido, esse Universo é a casa de Deus; Deus digna-Se de habitar ali. Ele foi inteiramente criado por Cristo; mas há uma casa que é mais particularmente Sua: Somos nós! Nós somos a Sua casa, supondo que perseveremos até o fim.

O perigo dos Cristãos Hebreus - atraídos pelos seus antigos hábitos, por uma lei e por cerimônias estabelecidas pelo próprio Deus - estava em que eles abandonassem o Cristianismo, em que Cristo não está visível, por coisas visíveis e palpáveis. O Cristo dos Cristãos, longe de ser uma coroa de glória para o povo, era apenas um objeto de fé, de sorte que ficava privado de toda a importância, se a fé enfraquecesse. Uma religião que falava aos olhos, "o vinho velho", atraía naturalmente mais aqueles que a ela estavam habituados.

De fato, o Cristo era bem mais excelente do que Moisés, como aquele que construiu a casa é maior do que ela. Ora, esta casa era a figura de todas as coisas, e Aquele que as tinha construí do era Deus. A passagem apresenta­-nos, desse ponto de vista, Cristo e a casa e diz também que somos nós a casa, e que Cristo não é aqui servo, mas sim Filho sobre a casa de Deus.

O leitor não deve esquecer nunca o que fizemos já notar, a saber, que nesta epístola, não encontramos a Igreja como corpo de Cristo, unida a Ele, nem mesmo ao Pai, exceto como termo de comparação, no capítulo 12. É Deus, um Cristo celestial (que é Filho de Deus) e um povo que nos são apresentados, sendo o Messias um mediador celestial entre o povo e Deus. Por conseguinte, os privilégios próprios da Igreja não se encontravam nesta epístola. Esses privilégios decorrem da nossa união com Cristo; mas aqui Cristo é uma Pessoa à parte, que está entre nós e Deus, nas alturas, enquanto que nós estamos na Terra.

Ainda podemos acrescentar aqui mais algumas observações que esclarecerão melhor este ponto e ajudarão o leitor a compreender mais distintamente os dois primeiros capítulos e o princípio de todas as instruções dadas nesta epístola.

No capítulo 1, Cristo faz por si mesmo (e esta obra é apresentada como sendo uma parte da Sua glória divina - a purificação dos nossos pecados) e assenta-Se à direita de Deus. Esta obra, note ­se, é feita por Ele próprio. Nós não temos qualquer papel ali, a não ser crer nela, e dela nos beneficiar. É uma obra divina que esta Pessoa divina realizou por Si mesmo, de sorte que a obra tem perfeição absoluta, tem toda a força de uma obra feita por Ele, sem nenhuma mistura da nossa fraqueza, dos nossos esforços ou das nossas experiências. O Filho a fez por Si próprio, e ela está inteiramente concluída. Lá em Cima, senta-Se. Ninguém O coloca lá; é Ele próprio que Se assenta no trono, nos lugares celestiais.

No capítulo 2 encontramos um outro ponto que caracteriza a epístola, a saber, o estado atual do Homem glorificado. Ele é coroado de glória e de honra, mas tendo em vista uma ordem de coisas que ainda não está realizada. É a Pessoa do Cristo Homem que nos é apresentada, e não a Igreja unida a ele mesmo, quando é considerado como glorificado nos céus. Esta glória é considerada como um cumprimento parcial do que Lhe pertence segundo os desígnios de Deus, como Filho do homem. Mais tarde ela será completa em todas as suas partes, pela sujeição de todas as coisas.

A glória atual de Cristo faz, pois, olhar em frente para uma ordem de coisas ainda futuras, que será o pleno descanso, a plena bênção. Numa palavra, além da perfeição da Sua obra, a epístola apresenta-nos o desenvolvimento do que pertence à Pessoa de Cristo, Filho do homem - e não a perfeição da Igreja n'Ele. Ora, isto envolve o tempo atual, cujo caráter depende, para o crente, da glorificação de Cristo nos céus, esperando um porvir onde tudo Lhe estará sujeito.

Neste segundo capítulo se vê também que Cristo é coroado. Não está entronizado devido ser isso um direito Seu, ainda que tivesse essa glória antes de o mundo existir; porém somente O vemos coroado por Deus depois de ter sido feito um pouco menor que os anjos. Vê-se também claramente que, embora os Cristãos hebreus estejam particularmente em vista, e mesmo todos os Cristãos sejam agrupados sob o título de "Semente de Abraão" sobre a Terra, Cristo é, todavia, considerado como o filho do homem - e não como o filho de Davi. E a questão é: "O que é o homem?". E a resposta - quão precisa ela é para nós! - é: Cristo, morto uma vez por causa do estado do homem, agora glorificado. É n'Ele que nós vemos o pensamento de Deus a respeito do homem.

O fato de os próprios Cristãos serem considerados como semente de Abraão mostra claramente que eles são considerados como fazendo parte da corrente dos herdeiros da promessa sobre a Terra (como em romanos 11 e não como a Igreja unida a Cristo como Seu corpo no Céu.

A obra é perfeita; é a obra de Deus. Ele fez por Si mesmo a purificação dos nossos pecados. O pleno resultado dos desígnios de Deus a respeito do Filho do homem ainda não é visível; assim, a parte terrestre desses desígnios pode ser apresentada como coisa prevista, do mesmo modo como a parte celestial, embora aqueles a quem a epístola é dirigida tivessem parte na glória celestial e fossem participantes do chamamento celestial em relação à posição atual do Filho do homem.

O Remanescente dos judeus, como temos dito, é considerado como continuando a corrente do povo abençoado sobre a Terra, quaisquer que sejam, aliás, os seus privilégios celestiais ou o seu estado especial após a subida ao Céu do Messias. Nós fomos enxertados na boa oliveira, de sorte que participamos de todas as vantagens do que se fala aqui; apenas a nossa mais elevada posição e os privilégios que se lhe ligam ainda não estão à vista. Por isso, escrevendo aos Hebreus, e como sendo um de entre eles, o autor da epístola dirige-se aos israelitas cristãos e crentes - é a força da palavra "nós" que encontramos, aqui. É preciso lembrarmo-nos dela e não esquecermos que os Hebreus crentes formam sempre esse "nós" de que o autor faz também parte.

Como tenho dito, em princípio apropriamos justamente esta epístola, mas, para bem a compreendermos, temos de nos colocar no mesmo ponto de vista do Espírito de Deus.

Ninguém devia endurecer o seu coração (verso 8), mas esta palavra é especialmente dirigida a Israel, e isto até o dia em que Cristo aparecer. O autor, falando do perigo dos Hebreus sob este aspecto, volta à palavra outrora dirigida a Israel, não para os advertir do perigo que corriam se a negligenciassem agora, mas para lhes mostrar as conseqüências do abandono daquilo que eles tinham reconhecido como verdadeiro. Israel, libertada do Egito, tinha provocado a Deus no deserto (era bem num deserto que se encontravam os cristãos neste mundo), porque Deus não tinha introduzido o Seu povo imediatamente e sem dificuldades em Canaã. Estes, a quem a epístola é dirigida, estavam em perigo de abandonar o Deus vivo da mesma maneira que os outros tinham feito; quer dizer, o perigo estava mesmo ali, diante dos seus olhos. Deviam exortar-se uns aos outros, enquanto ainda era dito "hoje", para que os seus corações não fossem endurecidos pela astúcia do pecado. Esta palavra "hoje" é a expressão da paciente atividade da graça de Deus para com Israel até ao fim. Mas o povo era incrédulo; endurecia-se, endureceu-se e endurecer-se-á, infelizmente! Endurecer-se-á até o fim, até o dia em que o Julgamento chegar na Pessoa do Messias-Jeová que eles desprezaram. Mas até lá Deus gosta de repetir: "Hoje, se ouvirdes a minha voz!”. É possível que só um pequeno número escute; é possível que a nação seja judicialmente endurecida, para que os gentios sejam admitidos, mas a palavra "hoje" faz-se sempre ouvir para cada um de entre eles, se tiverem ouvidos para ouvir, até que o Senhor apareça em Julgamento. Essa chamada é dirigida ao povo, sendo a paciência de Deus. Para o Remanescente que tinha crido, era uma advertência especial, para não andar no caminho do povo endurecido, que se tinha recusado a escutar, para não se voltar para esse povo, abandonando a confiança na Palavra que o tinha chamado - como Israel fizera no deserto.

Enquanto o "hoje" chamada da graça durasse, os fiéis deviam exortar-se mutuamente, com receio de que a incredulidade se infiltrasse nos seus corações, pela sutileza do pecado. É assim que se abandona o Deus vivo. Falamos aqui do ponto de vista prático, e não sob o ponto de vista da fidelidade de Deus, que, certamente, não permitirá que nenhum dos Seus se perca. Mas há o perigo prático de sermos, quanto à nossa responsabilidade, separados de Deus, e para sempre, se Deus não intervier, atuando numa vida que Ele nos deu e que não pode perecer.

O pecado separa-nos de Deus nos nossos pensamentos. Já não temos a mesma consciência do amor de Deus, nem do Seu poder, nem do interesse que Ele tem por nós. Perde-se a confiança, enfraquece a esperança e o valor das coisas invisíveis. a valor das coisas visíveis aumenta nas mesmas proporções. A consciência torna-se má; não se está à vontade com Deus. O Caminho parece-nos duro e difícil; a vontade endurece-se contra Deus. Já se não vive de fé. As coisas que se vêem metem-se entre nós e Deus e tomam posse do nosso coração. Porém, onde há vida, Deus adverte por intermédio do Seu Santo Espírito (como, por exemplo, nesta epístola), castiga e reconduz. Se, pelo contrário, não há na alma senão uma influência exterior, uma fé sem vida, e a consciência não é atingida, então abandonamos a Deus.

É a advertência para não o fazer que detém todo aquele que vive. a que está morto, aquele cuja consciência não foi atingida, que não diz: "Para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna" , esse despreza a advertência - e perece. Assim aconteceu com Israel no deserto e Deus lhes jurou que não entrariam no Seu descanso (Números 14:21-23). E por quê? Porque tinham abandonado a sua confiança em Deus. A .sua incredulidade, quando a beleza e a excelência do país lhes tinham sido relatadas, privou-os do descanso prometido.

A posição dos crentes, aos quais a epístola é dirigida, embora em relação às melhores promessas, era a mesma. A beleza e a excelência da Canaã Celestial tinham-lhes sido anunciadas. Eles tinham visto e saboreado, pelo Espírito, os frutos desse País. Estavam ainda no deserto; tratava-­se, para eles, de perseverar, de manter a sua confiança até o fim.

Notemos aqui - visto que Satanás e até a nossa própria consciência, quando não está livre, servem-se muitas vezes desta epístola para nos perturbarem ­que não se trata aqui de cristãos que duvidam, ou de pessoas que ainda não adquiriram uma plena confiança em Deus. Para os que estiverem nesse estado, estas exortações e estas advertências não têm nenhuma aplicação. Os cristãos são exortados a guardar a confiança que eles têm, e a perseverar - e não a fazerem calar receios ou dúvidas. O emprego desta epístola para legitimar tais dúvidas é uma astúcia do Inimigo. Somente acrescentarei que, se só o pleno conhecimento da graça (o que a alma, em semelhante caso, certamente ainda não possui) pode livrar a alma e libertar-­nos desses temores, é, não obstante, muito' importante guardarmos uma boa consciência na prática, para não fornecer ao Inimigo um meio especial de ataque.

 

Referências para o estudo bíblico - Um auxílio para escola dominical