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As Famílias do Novo Testamento
As Famílias do Novo Testamento

 

“AOS PAIS DE MEUS NETOS”

Cartas de um avô aos pais de seus netos - G. C. Willis

ANÁLISE DE FAMÍLIAS DA BÍBLIA

As Famílias do Novo Testamento:

 

Zacarias e Elisabete

Com relação ao Novo Testamento, os primeiros pais que queremos considerar são Zacarias e Elisabete. O relato divino acerca deles é este: "Nos dias de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote chamado Zacarias, do turno de Abias. Sua mulher era das filhas de Arão, e se chamava Isabel. Ambos eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor. E não tinham filho, porque Isabel era estéril, sendo eles avançados em dias" (Lucas 1:5-7).

Zacarias e Elisabete moravam na região montanhosa de Judá. Quando a sorte recaiu sobre Zacarias, ele teve que ir ao templo em Jerusalém para oferecer o incenso. Enquanto queimava o incenso, toda a multidão do povo esperava do lado de fora; nessa ocasião, apareceu o anjo Gabriel e disse-lhe: "Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida; e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho a quem darás o nome de João. Em ti haverá prazer e alegria, e muitos se regozijarão com o seu nascimento. Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho nem bebida forte, será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre materno. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus. E irá adiante dele no espírito e poder de Elias, para... habilitar para o Senhor um povo preparado" (Lc 1:13-17).

Claro está que Zacarias reconheceu ser um anjo quem lhe falava, pois inquietou-se e ficou possuído de temor. Mesmo assim não estava crendo no que o anjo lhe dizia. Ele pergunta: "Como saberei isto?" Tal é o coração do homem; até mesmo o coração de um homem tão honrado como Zacarias, que tinha em seu favor um testemunho tão notável: "justo diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor". Ainda assim não está pronto a dar crédito à palavra de Gabriel! Somos nós melhores? Estamos sempre prontos a dar crédito a Um que é maior que Gabriel? Oh, a maioria dentre nós terá que dizer: "6 Zacarias, como poderia eu reprová-lo? Sua sentença é a mesma que a minha sentença". Sim, e o nosso caso é ainda pior, pois lidamos com a Palavra de Deus, do próprio Senhor, a qual nem sempre tomamos assim como está escrita, sem duvidar.

Zacarias, contudo, era um homem de fé. Ele não poderia ter sido "justo diante de Deus" caso não possuísse fé, pois sabemos que "pela lei ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé" (GI3: 11). Podemos crer também que Zacarias vinha orando ao Senhor por um filho, pois o anjo disse: "não temas... porque a tua oração foi ouvida". Somente a fé poderia ter sido a motivação de Zacarias para que orasse, e o fato de que sua oração foi atendida é prova de que foi uma oração de fé. Eu considero Zacarias semelhante a muitos de nós que somos cristãos. Sim, nós temos fé, mas quando se trata das coisas corriqueiras da vida, como por exemplo a educação de nossos filhos ou as preocupações e necessidades do dia-a-dia, então, quantas vezes somos tentados a não crer em nosso Senhor!

Eu penso que a grande lição que esta história tão amável tem para nós pais é bastante simples:

"Tenha fé em Deus!" Se duvidar da palavra do anjo já foi um agravo tão severo que Zacarias ficou mudo portanto tempo, o que será então para o amante coração de nosso Senhor quando nós não damos crédito à Sua Palavra? Nós homens apreciamos quando alguém confia em nós; um anjo espera que confiem em sua pala­vra; ousaríamos, então, duvidar d'Aquele que está muito acima dos anjos, e do qual sabemos que é impossível que minta? Mas como é admirável a graça de Deus! A descrença de Zacarias faz com que fique mudo por vários meses. Porém o filhinho pelo qual orou, este ele não perde. Este filhinho cresceu e veio a ser um homem tal que o Senhor dele e nosso pôde lhe atribuir palavras como estas:

"Em verdade vos digo: Entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista" (Mt 11 :11; Lc 7:28). Esta é a razão por que vejo na história de João Batista e de seus pais um grande incentivo para nós, que somos pais; ainda que seja, tam­bém, uma censura para a maioria de nós. Sejamos, pois, humildes para acatar ambas as lições e também mais dispostos a crer nas palavras de nosso Senhor, as quais, a seu tempo se cumprirão.

Eu creio que esta história ainda contém uma outra lição para nós, muito bonita, aliás. O verso 14 diz assim: "Ele te será prazer e ale­gria"·. Isto é seguro: o Senhor deseja que todos os nossos filhos nos sejam "prazer e alegria". Ele diz no Salmo 127: "os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o Seu galardão". Por isso, eu não tenho dúvidas ser a vontade d'Ele que cada filho seja para nós "prazer e alegria". Eu sei, é verda­de, que isso nem sempre é assim; mas nestes casos, senão sempre, não somos nós os culpados?

 

O Lar em Nazaré

Temos poucos relatos de famílias no Novo Testamento, mas estas famílias são de grande interesse para nós. E a família que vamos considerar agora é muito especial. Nem antes nem depois, jamais houve uma criança tal como aquela que nasceu num estábulo em Belém, porque havia lugar na hospedaria.em Belém, porque não havia lugar na hospedaria.

Desejaríamos saber muito mais acerca do lar em Nazaré, mas Deus ocultou com um véu a maior parte destes anos da infância de nosso Senhor. Podemos dar um lance de olhos numa ocasião em que tinha doze anos de idade, ouvindo-O dizer à Sua mãe: "Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?" "A causa de Seu Pai”, essa era a ‘atmosfera’ na qual Ele vivia. Depois de ocorrido vemos, a Ele, o Senhor da glória, voltando com seus pais à sua humilde morada, “e era-lhes submisso”.

Na casa do carpinteiro em Nazaré, foi Ele "criado" (Lc 4:16). É praticamente a mesma palavra que o Espírito indica a nós e nossos filhos em Efésios 6:4:

"Criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor" ('trepho' e 'ek- trepho'). Mas disso trataremos mais adiante. Consideremos ainda um pouco a palavra "criação". Jamais existiu uma outra criança como Ele. Nunca foi desobediente, malvado, reclamão, malcriado, teimoso ou faltou com a sinceridade. Como nós fomos diferentes quando éramos crianças! O Senhor teve quatro irmãos: Tiago e José, Simão e Judas, além de "suas irmãs" (Marcos 6:3). Neste verso é chamado de "o carpinteiro"; não há dúvida que enquanto rapaz e homem moço Ele trabalhou na profissão de José na oficina de carpintaria. Talvez José, seu pai, tivesse morrido, pois notamos que aqui é chamado de' "filho de Maria”, e José não é mencionado.

*(BÍBLIA EM INGLÊS – TRADUÇÃO J.N.DARBY)

Sabemos que, quando iniciou o Seu ministério público, seus irmãos não criam n'Ele. Podemos até mesmo considerar que a história de Gênesis 37, a inveja dos irmãos de José, tão diferentes dele, foi-nos dada para ilustrar a inveja desses incrédulos irmãos de Nazaré. Isso certamente l1le dificultava a vida, mas como é bonito dar-nos conta de que seu irmão imediato e talvez o mais próximo a Ele, "Tiago, o irmão do Senhor" (Gl 1:19), logo foi persuadido, tomando-se um fiel seguidor. Mas Tiago não foi o único a ser persuadido, pois em 1 Coríntios 9:5 vemos arrolados juntamente com Cefas "os irmãos do Senhor". Podemos assumir que cada membro daquela família em Nazaré se tomou num real, fiel e afeiçoado seguidor de seu ­e nosso - Senhor Jesus Cristo.

Se tomarmos a carta de Tiago, a qual bem provavelmente foi escrita pelo irmão de nosso Senhor, leremos no primeiro verso: "Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo". Como é alentador observar a convicção com que Tiago testemunha da divindade de Cristo, vinculando o Senhor Jesus Cristo a Deus, o Pai. É amável ver também como ele de todo o coração O confessa como Senhor, chamando-se a si mesmo "escravo", pois este é o significado da palavra traduzida como "servo". Um escravo era adquirido por preço, e Tiago, o irmão de nosso Senhor, abertamente testifica isso de si mesmo nas primeiras palavras de sua carta.

Seria errado supor que os anos durante os quais o Senhor foi "criado" no mesmo lar com Tiago, seu irmão, tenham sido de grande influência para que este cresse n'Aquele que era seu irmão e, ao mesmo tempo, seu Senhor? À luz do conceito de 1 Pedro 3:1 podemos aceitar que foi assim. Ali, quando Pedro fala dos maridos descrentes, diz: "Para que, se alguns deles ainda não obedecem à palavra, sejam ganhos, sem palavra alguma, por meio do procedimento de suas esposas". O termo "procedimento" é predileto de Pedro. Ele o emprega oito vezes * em suas duas breves cartas, ao passo que no restante do Novo Testamento ele somente ainda ocorre mais cinco vezes. É dessa forma, por seu procedimento, que a mulher crente ganha o seu 'marido incrédulo. Tiago emprega a mesma palavra em sua carta no capítulo 3: 13. Talvez, escrevendo essas palavras, ele tivesse em mente o "procedimento" d'Aquele com o qual conviveu durante sua juventude. Sua mãe guardava todas estas palavras em seu coração -, e eu creio que essas Suas palavras e o Seu procedimento também se fixaram profundamente no coração de Tiago.

* (1 Pe 1:15,18; 2:12; 3:1,2,16; 2 Pe 2:7; 3:11).

 

Deixai vir a Mim os pequeninos

Eu não poderia omitir as mães que trouxeram suas criancinhas a nosso Senhor a fim de que lhes impusesse as mãos e orasse. Três vezes a Bíblia relata isso: Mateus 19:13-15, Marcos 10:13-16 e em Lucas 18:15-17. Lucas, que era médico, nos diz que eram "bebês de peito" (Brephos). Em Marcos, cuja característica é descrever pequenos detalhes da feição, do tom ou da maneira de agir de nosso Senhor, lemos:

"Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava". O Espírito de Deus emprega aqui uma -palavra muito expressiva ao dizer "as abençoava", uma palavra que reservou a estas criançinhas e que não encontramos em nenhuma outra passagem do Novo Testamento. Poderíamos traduzi-la como "Ele as abençoava intimamente", quer dizer, uma após a outra. Quando então os discípulos passaram a re­preender rudemente às mães, Marcos nos diz que o Senhor se indignou (literalmente: não suportou tal atitude). Aqui, mais uma vez, o Espírito emprega um termo bem enérgico, como que significando "irado" ou "revoltado". O Senhor Jesus disse:

"Deixai vir a mim os peque­ninos, não os embaraceis". Lemos ainda de seis outras ocasiões no Novo Testamento em que outros se indignaram ou se iraram: os próprios discípulos em mais de uma oportunidade, os fariseus e o principal da sinagoga. Mas do Senhor lemos isso uma única vez, para com seus próprios discípulos, quando procuravam mandar embora as mães que queriam trazer suas criancinhas. Deveríamos todos considerar bem esse fato.

 

A viúva de Naim

Como vocês sabem, Lucas foi um médico e tinha o sentido apurado para registrar todos os detalhes da doença e da aflição ­coisas com as quais, tal como os médicos de nossos dias, deparava­-se muitas vezes. Em Lucas 7: 11­15, podemos ler como o Senhor Se depara com um cortejo fúnebre que estava saindo da cidade de Naim. O finado era o único filho de sua mãe, uma viúva. Quando o Senhor a viu, se compadeceu dela e lhe disse: "Não chores!" Então se achegou e tocou o esquife; aqueles que o levavam, pararam, e Ele disse: "Jovem, eu te mando, levanta-te!" E o defunto se assentou e começou a falar, e Jesus o restituiu à sua mãe.

     Que compaixão, que sensibilidade, que graça o Senhor irradia aqui! Quão bem Ele conhecia o coração dessa mãe; Ele compartilha de sua dor! Tampouco exige agora que o moço O siga, porém o restitui à sua mãe enviuvada para que lhe seja consolo e apoio. "Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre." Ele não muda. Tal como a viúva à porta da cidade de Naim, nós hoje também podemos experimentar o Seu consolo, o Seu amor e Sua compreensão.

 

Jairo

Em Lucas 8:41-56, temos o lindo relato de Jairo, o chefe da sinagoga, cuja única filha, da idade de aproximadamente doze anos, estava à morte. Jairo suplicou­-Lhe que chegasse até a sua casa para curar sua filha. Mas houve um contratempo no caminho, e antes que chegasse àquela casa, alguém trouxe a notícia que a menininha já tinha morrido. Todos choravam e pranteavam por ela, mas Ele disse: "Não choreis; ela não está morta, mas dorme". E riam-se d'Ele porque sabiam que ela estava morta. Ele, porém, mandou que todos saíssem, tomou a menina pela mão e disse em voz alta: "Menina, levanta-te!" (Marcos menciona até mesmo as próprias palavras que os Senhor usou: "Talita cumi!" cuja tradução é como que: Pequena querida, eu te digo, levanta-te!). "Voltou-lhe o espírito, ela imediatamente se levantou, e ele mandou que lhe dessem de comer. Seus pais ficaram maravilhados, mas ele lhes advertiu que a ninguém contassem o que havia acontecido."

Aqui vemos mais uma vez a amável compaixão de nosso Senhor; lembremo-nos de que Ele hoje ainda é o mesmo. Talvez vocês perderam uma criancinha.

No entanto, considerem que o seu pequeno não está perdido, pois Ele o dará de volta. Não da mesma forma como Ele devolveu a queridinha de Jairo, mas será de um modo ainda melhor. Procurem lembrar a história de Jó, que perdeu todos os seus filhos e todas as suas posses; sua riqueza posterior foi o dobro de tudo o que antes possuíra, no entanto, o número dos filhos veio a ser o mesmo. Por quê? O intento do Senhor era que também os outros filhos lhe fossem restituídos. Aqueles não tinham sido perdidos, apenas antecederam o pai. Que consolo é saber que também hoje o Senhor contempla os nossos filhos como seus queridos! Talvez outros não os vejam assim, mas o Senhor, sim. Todos eles foram adquiridos com Seu próprio sangue. E, Ele, de tal forma os ama que deseja ter a cada um desses pequeninos queridos consigo, para sempre, em Seu lar eterno.

 

O filho que tinha um demônio

Em Lucas 9:38 lemos de um pobre pai, aflito, que tinha levado aos discípulos seu filho possesso por um espírito imundo; estes, porém, não puderam expulsar o demônio. Era terrível a situação desse pai, e em sua aflição ele clama: "Mestre, suplico-te que olhes para o meu filho, porque é o único que eu tenho!" Podemos estar certos que não é coincidência o Espírito empregar essa comovente expressão tanto nesta como nas duas histórias anteriores; é antes uma indicação para fazer lembrar aos nossos corações o que significou para Deus entregar o Seu Filho unigênito para você e para mim. Que possamos, ao menos parcialmente, entender essa lição, pois de todo jamais a compreenderemos. Estes três casos deveriam, pois, nos dar uma pequena mostra do quanto custou ao Pai redimir a nós pobres e perdidos pecadores. Nesta história que estamos considerando, o pai não tinha muita fé; mas o Senhor repreende o espírito imundo, que saiu, e então entregou o menino de volta a seu pai. Em cada um desses três eventos Ele entrega a criança de volta a seus pais, embora tivesse direito sobre os mesmos; no entanto, Ele, que criou o coração materno, também o preencheu com amor.

Ele sabe e compreende tudo e faz provisão para todas as coisas, como nenhum outro, até mesmo os entes mais próximos e queridos. Consideremos, pois, quando estivermos aflitos por nossos filhos, que Sua compaixão é tão real e autêntica como o foi outrora, há tanto tempo atrás.

Tanto nos dias de doença como na saúde, na vida como na morte, o melhor que podemos fazer por nossos filhos é encomendá-los ao Senhor Jesus Cristo.

 

Os filhos de Zebedeu

"Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, que lançavam rede ao mar, porque eram pescadores. E disse-lhes:

Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Então eles deixaram imediatamente as redes, e o seguiram. Passando adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco em companhia de seu pai, consertando as redes; e chamou­-os. Então eles, no mesmo instante, deixando o barco e seu pai, o seguiram" (Mateus 4:18-22). É aqui que o Novo Testamento nos apresenta pela primeira vez a Zebedeu e a seus filhos. Em Lucas 5, aprendemos que estavam em sociedade com Simão e André num negócio de pescaria, e de Marcos 1 sabemos que Zebedeu nesse negócio não contava somente com ajuda de seus dois filhos, mas que também contratava "jornaleiros" .

"Então eles, deixando o barco e seu pai, o seguiram". Não ouvimos sequer uma palavra de censura da parte de Zebedeu, e mesmo mais tarde, quando também sua mulher passou a seguir e a servir ao Senhor Jesus (Mt 27 :55-56), não ouvimos de Zebedeu nenhuma reclamação. No entanto, ainda que Zebedeu seja mencionado cerca de doze vezes nos evangelhos, pouco sabemos acerca de sua pessoa. De sua esposa já sabemos um pouco mais. Claro está que o Mestre ao qual seus filhos seguiam também ganhou o coração dela. Eles sabiam que Ele era um Rei que um dia haveria de assumir Seu reino. Talvez o conhecimento dela ia ainda um pouco além, pois se prostrou perante Ele (Mt 20:20­21}. No entanto ela não sabia, ou não entendia, que Ele era um rei, sim, mas rejeitado, e que a época em que vivia era o tempo de Sua rejeição. Ela veio com seus filhos pedindo para eles o lugar mais proeminente no reino. Ela não tinha a percepção que Cristo Jesus estava se anulando a Si mesmo. Mas o Senhor lhe respondeu:

"Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber?" Eles pensavam que podiam, então Ele responde que beberiam o Seu cálice, é verdade, mas não lhes promete aquela alta posição que anelavam.

A consideração da carreira dos filhos de Zebedeu preencheria todo um livro, talvez até mais. Mas, eu, ainda gostaria de me deter junto àquela cena que há pouco vimos. Eles não tinham sido os primeiros aos quais o Senhor teve que dizer: "E procuras tu grandezas (para ti)? Não as busques" (Jr 45:5). Às vezes, ansiamos por grandes coisas, seja para nós próprios ou para nossos filhos. "Não as busques." O tempo em que vivemos é o tempo da rejeição de nosso Senhor, tempo em que podemos compartilhar o Seu cálice de sofrimentos e de dores. Não busqueis poder e riqueza para os filhos de vocês! "Os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé, e a si mesmos se atormentaram com muitas dores" (1 Tm 6:9-10). É muito melhor fazer como Tiago e João: deixar tudo e seguir ao Senhor.

Aos judeus haviam sido prometidas bênçãos e um quinhão terreno, contudo "a nossa pátria está nos céus". Nós não somos deste mundo, assim como o nosso Senhor e Mestre também não era deste mundo. O dia da glória está chegando. E nós somos coerdeiros com Cristo, desde que também soframos, para que com ele também possamos ser glorificados. Um dos que soube muito bem o que é sofrer com Cristo ainda comenta: "Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós" (Rm 8: 18).

 

Maria, a mãe de João Marcos

Vocês hão de se lembrar de que Pedro, na noite em que o anjo o libertou da prisão, foi à "casa de Maria, mãe de João, cognominado Marcos" (At 12). Naquela noite, realizava-se nesta casa uma reunião de oração. Era uma reunião especial com o propósito de orar em favor de Pedro; e o Senhor ouviu e atendeu ainda enquanto oravam. Eu, porém, temo que aqueles irmãos ali reunidos - como talvez muitos de nós, hoje - não tivessem muita fé, visto que quando Pedro chegou batendo à porta, e Rode, a criada que lhe deveria abrir anunciou que ele estava ali, eles não queriam crer - disseram que estava louca. Como ela persistiu em afirmar que era ele, pensaram, então, que fosse seu anjo (ou: seu espírito).

Marcos era um primo ou sobrinho de Barnabé (CI 4:10). E Pedro, em sua carta que escreveu na Babilônia, o chama "meu filho" (1 Pe 5:13). Tanto a mãe como o tio de Marcos eram cristãos dedicados, e os bons laços que tinha com Pedro talvez já viessem desde sua infância. Além disso, os crentes se reuniam na casa de sua mãe. Todos estes fatores devem ter sido relevantes para que o jovem Marcos seguisse o Senhor já desde cedo. Alguns acreditam ser ele aquele "jovem" que, tendo coberto o seu corpo nu com um lençol, seguia o Senhor no jardim do Getsêmani. A Bíblia relata assim: "E lançaram-lhe a mão. Mas ele, largando o lençol, fugiu desnudo" (Mc 14:51-52). É somente Marcos quem relata este ocorrido, mas não temos certeza que ele tivesse sido esse "jovem".

A casa de Maria era tão ampla que havia condição de os crentes se reunirem ali, e ela a franqueou para esse fim. Barnabé tinha um campo que vendeu e cujo preço depositou aos pés dos apóstolos. Aparentemente essa família era rica e beneficente.

Quando Barnabé e Saulo trouxeram a oferta de Antioquia para os irmãos na Judéia, encontraram João Marcos; ao voltarem de Jerusalém, levaram-­no consigo. Isso talvez aconteceu um pouco antes de Barnabé e Saulo serem enviados pelo Espírito Santo em sua primeira viagem missionária. João Marcos foi com eles na condição de "auxiliador" (ou servo - At 13:5). Não demorou muito e depararam-se com circunstâncias difíceis e perigosas, e "João... apartando-se deles, voltou para Jerusalém" (At 13:13). Por que voltou? A Palavra tala. Teriam sido os perigos ou as dificuldades do caminho? Seria a saudade de sua mãe ou ainda um outro motivo? Seja o que for, não devemos considerar seu gesto como seguir ao Senhor.

Voltamos a ouvir dele quando Paulo e Barnabé vieram à grande assembléia em Jerusalém que examinou a questão de aplicar ou não a lei às nações (At 15). Paulo e Barnabé retomaram à Antioquia e, passados alguns dias, Paulo disse a Barnabé: "Voltemos agora para visitar os irmãos por todas as cidades, nas quais anunciamos a palavra do Senhor, para ver como passam". Barnabé queria que novamente levassem consigo seu jovem sobrinho, mas a Paulo não lhe pareceu bem "levarem aquele que se afastara, não os acompanhando no trabalho". E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre. E Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu, encomendado pelos irmãos à graça de Deus. Foi uma contenda muito, muito triste, e desde então já não lemos mais que Paulo e Barnabé tenham trabalhado juntos.

Bonito é que este não é o fim da história, ainda que passem quase vinte anos até que novamente ouçamos de João Marcos. Vinte anos perdidos na obra, até onde podemos deduzir da Palavra de Deus. Perdidos devido à covardia e infidelidade. Não ouvimos nada de arrependimento. Pode até mesmo ser que, segundo o exterior, ele tenha prosseguido trabalhando na obra do Senhor. Mas este caso deveria ser um chacoalhão para nossos corações. Ele foi um servo que se resignou, e parece que este foi o motivo de ter sido posto de lado. Quem sabe ele foi passar um bom tempo junto a Pedro, na Babilônia (l Pe5:13). Realmente, haveria alguém mais indicado que Pedro para restabelecer ao reto caminho um servo que caiu? Pedro podia recordar a Marcos sua própria queda, que certamente já lhe era conhecida, podia mostrar­-lhe que agora não precisava considerar-se inaproveitável para o serviço, visto que há um restabelecimento. Para o restabelecimento de Pedro bastaram uns poucos dias; para Marcos foram necessários muitos anos; mas há um caminho de volta. E assim encontramos Marcos (Colossenses 4:10) em Roma, junto a Paulo, um homem que outrora tanto se opôs a levá­-lo consigo na obra. Assim deveria ser. Não nos é descrito como foi o reencontro de Marcos e Paulo, mas fica evidente que a antiga falta foi apagada, e Paulo escreve:

"Saúda-vos Aristarco, prisioneiro comigo, e Marcos, primo de Barnabé (sobre quem recebestes instruções; se ele for ter convosco, acolhei-o), e Jesus, conhecido por Justo, os quais são os únicos da circuncisão que cooperam pessoalmente comigo pelo reino de Deus. Eles têm sido o meu consolo." Temos a impressão de que Marcos foi acolhido novamente, mas agora tudo foi posto em ordem. Aquela antiga falta foi posta em ordem e as falhas estão perdoadas. Marcos é agora um consolo para o prisioneiro Paulo.

Os dias vão ficando mais tenebrosos, e a maioria desanimam, e quase todos abandonam Paulo. Mas Marcos permanece fiel e devoto ao lado dele. Ele aprendeu bem a sua lição. Em 2 Timóteo 4:11 lemos: "Somente Lucas está comigo. Toma contigo a Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério." Como é bonito ver que Marcos está plenamente restabelecido ao seu antigo lugar, "útil para o ministério", para o serviço; ali onde outrora tinha sido inútil. Os dias passaram e Paulo agora procura por Marcos. Paulo já não está mais em sua própria casa que alugou, mas num terrível calabouço romano. Da história, sabemos que o calabouço era uma cela subterrânea, úmida e escura, cuja única abertura era um buraco pelo qual desciam os prisioneiros. Podemos entender que foi ali, nesta prisão, que. Marcos se encontrou com Lucas, o médico amado, o único que estava com Paulo. Juntos, eles compartilham a rejeição e o perigo de poderem servir ao velho apóstolo, que agora somente espera pela ocasião de sua partida. E desde então Marcos e Lucas mantiveram estreitos laços. O servo caído - mas restabelecido - nos legou o relato do Servo que jamais falhou (o evangelho segundo Marcos), e o médico amado (Lucas) nos escreveu o relato do grande médico, que como Homem viveu aqui entre nós homens.

O meu propósito nestes estudos tem sido focalizar o relacionamento entre pais e filhos. Tenho a impressão que desta vez eu quase perdi isso de vista. A esse respeito, o que nos ensina a história de João Marcos? Eu creio que seja o seguinte: "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele" (Pv 22:6). Pode até mesmo ser que, dada a sua vontade própria e índole carnal, o seu filho se afaste do caminho por algum tempo, mas quando for velho o Senhor o conduzirá de volta ao seu antigo caminho, então caminhará no "caminho em que deve andar". Eu creio e espero que seja esta a lição contida nesta história. Ao menos é o ensino que ela me trouxe.

 

Referências para o estudo bíblico - Um auxílio para escola dominical