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ANÁLISE DE FAMÍLIAS DA BÍBLIA
ANÁLISE DE FAMÍLIAS DA BÍBLIA

“AOS PAIS DE MEUS NETOS”

Cartas de um avô aos pais de seus netos - G. C. Willis

ANÁLISE DE FAMÍLIAS DA BÍBLIA

 

Calebe

Muito nos alegra que agora tenhamos chegado nesta sequência, a Calebe e sua filha Acsa (Js 15:16-19). Todos nós conhecemos a história de Calebe, que com Josué e outros dez tinha sido enviado a espiar a terra. Os dez diante dos filhos de Israel, informaram a terra que haviam espiado, enquanto Calebe e Josué trouxeram boas-novas e insistiam para que Israel se prontificasse imediatamente a subir e tomar posse da terra de Canaã, "porque certamente prevaleceremos contra ela".

Sabemos qual foi o final da história; Israel se recusou a ouvir, e, por isso, teve de retomar ao deserto, ficando lá por mais quarenta anos. Calebe teve que voltar com eles, mas eu creio que durante todos esses anos o seu coração já estava em Canaã. Eu bem posso imaginar que, em algumas noites daqueles quarenta anos, quando o acampamento estava armado naquele grande e terrível deserto, rodeado de altas montanhas avermelhadas e sem vegetação, a pequena Acsa, e seus irmãos (1 Cr 4: 15) se assentavam próximos a seu pai. Faço idéia que Acsa se sentava no colo de Calebe e ele colocava os seus braços ao redor dela; talvez havia ali uma pequena fogueira e Calebe lhes contava uma história. Em pensamento, posso ver como todos ouviam atentos e quase nem respiravam devido ao suspense. Ouviam histórias de gigantes, gigantes de verdade, que seu próprio pai havia visto com os seus próprios olhos, e que moravam em cidades grandes e fortificadas até aos céus. Ele também lhes contava de frutas, tão grandes, que um cacho de uvas, numa vara, tinha que ser carregado por dois homens. Porém, o mais belo de tudo é que, no final da história, ele lhes dizia que com o seu Deus, eles estariam em condições de vencer o inimigo, e talvez não demorasse muito para que estas cidades e fortificações viessem a pertencer a Israel. Mas a história predileta certamente foi a de Hebrom. Eu creio que esta história começaria com os dias de Abraão, quando o seu sobrinho pode ser o primeiro a escolher uma parte da terra, e se foi para morar nas redondezas de Sodoma. Abraão, então, foi e armou sua tenda junto a Hebrom, e levantou ali um altar ao Senhor. Ali, Abraão também comprou a caverna de Macpela, para sepultar a Sara. Nesta mesma caverna, Isaque e Ismael também sepultaram a seu pai Abraão ali, também, foram sepultados Isaque e Rebeca; ali, Jacó sepultou a sua esposa Lia, e para esta mesma caverna foi que trouxeram do Egito o corpo de Jacó.

Estou certo de que Calebe lhes contou a história de como Jacó enviara o seu amado filho José do vale de Hebrom; e toda essa história, que vocês tanto gostavam de ouvir quando eram pequenos, também foi contada a Acsa e seus irmãos. É certo que a história sempre terminava com as palavras: esta é nossa herança. Hebrom é o meu lugar predileto lá em Canaã, e este lugar é nosso! Pertence a vocês crianças, e a mim! Também deve ter-lhes contado como Moisés , naquele dia, jurou, dizendo:

"Certamente a terra que pisou o teu pé será tua, e de teus filhos, em herança perpetuamente! Pois perseveraste em seguir ao Senhor meu Deus!". Sim, com certeza disse: Hebrom pertence a mim e a meus filhos. Posso ver como brilhavam os olhos da pequena Acsa, enquanto ouvia tudo, guardando isso bem consigo. Agora ela já sabia tudo sobre o cacho que teve que ser carregado por dois homens; talvez, até tenha ouvido outros detalhes mais sobre os outros frutos da terra de Canaã. Talvez, seu pai até tenha lhe trazido uma amostra para que pudesse provar. Muito tempo antes que seus próprios olhos pudessem contemplar a terra de Canaã, o seu coração já aprendeu a amar os seus vales e montes, seus frutos e pastagens, e a estimar a terra segundo o seu verdadeiro valor.

Meus queridos e jovens pais, quão pouco valor damos a estas noites em que temos as crianças em nosso colo, ou quando as colocamos na cama, quando elas então vêm com o pedido: "Me conta uma história!" Estas são oportunidades pelas quais, no futuro, talvez nos dispuséssemos a pagar tudo o que temos para tê­-las de volta. Mas, agora vocês ainda têm esta oportunidade. Agora, ainda é tempo para ensinar suas crianças a amar a pátria celeste, a caminho da qual vocês estão seguindo. Agora, vocês têm a oportunidade para lhes apresentar o verdadeiro valor dessa pátria celeste. O coração deles é jovem, e seu amor puro e autêntico; esta é a melhor oportunidade, uma oportunidade que vocês talvez não terão outra vez. Eu sei, o dia foi corrido e cansativo; eu sei, você está esgotado, e eu sei como é muito mais fácil deixá-los falar uma oração decorada e depois só o beijo de boa noite, - mas você está desperdiçando uma oportunidade que vale muito mais do que todo o ouro do mundo.

Muitas vezes somente nos damos conta de que tivemos oportunidades maravilhosas, quando estas já passaram. Agora, aquelas amadas histórias de antigamente perderam toda a sua atração: já foram confrontadas com as mui sujas histórias que o mundo tem a oferecer.

Mas não foi apenas o coração da filha de Calebe que foi conquistado por essas histórias, também o foi o de seu sobrinho Otniel, que nesse tempo ainda era um menino. Quem sabe, nestes cansativos dias de peregrinação pelo deserto, o coração de Otniel não somente aprendeu a amar as campinas de Canaã, mas também a sua prima Acsa. Quando finalmente alcançaram a terra prometida, e a ordem era a de lutar por ela, e seu tio Calebe disse: "A quem derrotar a Quiriate-Sefer e a tomar, darei a minha filha Acsa por mulher. Tomou-a, pois, Otniel, filho de Quenaz, irmão de Calebe, mais novo do que ele; e Calebe lhe deu a sua filha Acsa por mulher".

Eu creio que Otniel e Acsa tinham o mesmo sentimento quanto à terra de Canaã, e ela, quando se foi a Otniel, insistiu com ele para que pedisse um campo ao pai dela. Mas Otniel não precisava pedir por ela, pois o próprio pai também a amava, e para ele era a mais pura alegria ter uma filha que amava a terra que ele também amava.

Tendo um pai assim, não é de se admirar que Acsa quisesse possuir tudo o que lhe fosse possível desta amada herança. Eu estou certo de que o coração do velho Calebe se alegrou quando viu como sua filha apeou de seu jumento e veio ao seu encontro. Ele notou que ela queria alguma coisa, por isso já pergunta: "Que é o que tens?" Vocês acham que a audácia de seu pedido o tenha deixado constrangido? "Dá-me uma benção; pois me deste terra seca, dá-me também fontes de águas!" Porventura a resposta foi:

"Eu já te dei terras, estas não bastam? Por que haveria de dar­-te ainda mais?" Não, Acsa era uma filha segundo o seu coração, ela estimava a terra de Canaã e gostaria de possuir algumas das fontes de Canaã, e é por isso que ele lhe concedeu o dobro do que pedira! Tal também é nosso Senhor! "E também até o que não pediste te dei" (1 Re 3: 13).

Quanta alegria este sobrinho não representou para o seu velho tio! Foi um homem segundo o seu coração, digno de sua filha, que ele tanto amava. Mas isso ainda não foi tudo. Os anos foram se passando e Israel se desviou do Senhor, de modo que a Sua ira se acendeu contra o Seu povo, e Ele os entregou na mão de seus inimigos. Porém, quando clamaram ao Senhor, Este despertou entre os filhos de Israel um libertador, que foi justamente este Otniel, o filho de Quenaz, o irmão de Calebe, mais novo do que ele. Sim, Otniel foi o primeiro desta linhagem de libertadores e juízes que Deus, em tempos de dificuldade, fazia levantar a favor de Israel. Estou certo de que Otniel e Acsa foram sendo preparados, já no deserto, para a honrosa menção que a Palavra de Deus deles faz. Creio que foi através das histórias que ouviram, que aprenderam a amar aquela terra que nem mesmo tinham visto ainda.

Que o Senhor nos ajude a ganhar os corações de nossos filhos! Diz-se que o significado do nome Calebe é "um cachorro", e sabemos que Calebe se tomou conhecido sobretudo por ter perseverado em seguir ao Senhor, seu Deus. Veja Números 14:24, Josué 14:8 etc. Bem, Um bom cachorro sempre segue a seu senhor e lhe é absolutamente fiel. Talvez tenha sido este "espírito" (Nm 14:24) em Calebe, que tenha tocado tão profundamente a sua filha. Lembremo-nos, porém, de que o temor do Senhor é algo que não é herdado, e como é triste, por outro lado, considerar que Nabal, um homem duro e maligno em todo seu trabalho, era da casa de Calebe (1 Sm 25:3).

 

Acã

Que grande diferença há entre Acsa e Acã, seu primo distante! Ambos eram da tribo de Judá, ambos cresceram no deserto, ambos atravessaram o Jordão e ao mesmo tempo chegaram à terra de Canaã. Embora ainda fosse um moço jovem (o seu avô não poderia ter idade superior a 60 anos), o seu coração ainda não desejava as fontes e os vales de Canaã, porém uma boa capa babilônica e uma barra de ouro (Js 7:21).

Que advertência está contida neste primeiro pecado notório de Israel! Que estranha ligação com Babilônia! Foi esta cidade, que por fim trouxe destruição e desolação à terra de Judá. A capa babilônica foi feita para vestir. Esta era, penso eu, muito mais elegante do que as capas de Canaã. Em toda a sua vida Acã teve que vestir aquela vestimenta do deserto, herdada provavelmente de seu pai ou até avô, uma daquelas vestes maravilhosas que não envelheciam. Mesmo nós, nem sempre damos valor às coisas usadas que ganhamos de outros - por melhor que sejam -,e Acã também não sabia dar valor, pela fé, a tais peças de roupa - o que ele queria mesmo era uma capa babilônica.

 Ainda teremos a oportunidade de voltar a tratar dessa capa, quando o assunto se aproximar do tempo em que a permanência de Israel na terra de Canaã chegar perto de seu fim. Mas dá muito a pensar que, tanto na primeira queda, como no último e terrível fracasso, as vestes babilônicas estavam diretamente envolvidas (Ez 23:12-17, Sf 1:8).

Mas não havia somente a capa babilônica, havia também a barra de ouro e duzentos ciclos de preta. E, que triste realidade: o nosso coração, e também o coração de nossos filhos, pende para o ouro e prata; deseja uma dessas capas babilônicas, uma vestimenta conforme a moda do mundo; que repugnantes são certas vestes babilônicas que hoje vemos por aí. Que o Senhor guarde os nossos amados de até mesmo desejar estas coisas.

Numa lista de vinte e oito itens, postos à venda por um mercador da Babilônia, em tempos posteriores a este, há um detalhe que serve para tocar a consciência dos pais, que são crentes: note, em Ap 18:12-13, que a prioridade da lista é o ouro, e que em último lugar está a alma humana. Queira Deus que conosco se dê o oposto, que as almas de nossos filhos sejam o mais importante; deixemos por último o ouro, nossa carreira, negócios e cálculos. Que exemplo damos a nossos filhos? Consideremos que somos lidos como um livro! Será que notam que nossos corações estão voltados para as fontes de Canaã, ou ... para as vestes da Babilônia? E nossos negócios, emprego ou ocupação do dia-a-dia - o que se pode ver ali é que a prioridade está para o ouro, ou para as almas humanas?

É bem provável que a sorte de nossos filhos dependa da resposta que dermos a estas perguntas.

Lembremo-nos de que não foi somente Acã, mas toda a sua casa, que devido à sua cobiça, pereceram (Js 7:24).
Eu também creio que justamente o fato de estarem tão sublinhados os nomes do pai e avô de Acã, de serem mencionados como se fossem igualmente culpados com ele, isso seja para nós uma "dica" de que a responsabilidade por este pecado também foi, de certa forma, deles.

 

As filhas de Zelofeade

Talvez nem seria necessário incluir nesta análise os nomes destas cinco mulheres: Macia, Noa, Hogla, Milca e Tirzá, mas elas nos lembram Acsa, que tanto estimo, tanto que não posso deixar ao menos de mencioná-las. Elas não tinham irmão. Só havia meninas nesta família. Porém, também elas haviam aprendido a estimar e a apreciar a terra da promessa. Assim, muito antes de chegarem ali essas moças vieram a Moisés e lhe apresentaram a sua questão: Nós, por sermos mulheres, não teríamos parte na herança desta terra gloriosa? "dá­-nos possessão entre os irmãos do nosso Pai!" Moisés ficou sem saber o que devia fazer, por isso ele apresentou o caso ao Senhor. Porventura o Senhor alguma vez recusou atender a uma moça ou um rapaz? Não. Eu tenho certeza de que alegrou o coração do Senhor, ver cinco moças que davam tanto valor a esta terra, que para Ele era a glória de todas as terras. Vejamos o que o Senhor responde: "As filhas de Zelofeade falam retamente"(Nm 27).

O que, no entanto, aconteceria se elas casassem com homens de outra tribo? Para solucionar essa dúvida teve de ser baixada uma lei especial, no capítulo 36. Todo um capítulo da Bíblia é dedicado a esse assunto, em favor das filhas de Zelofeade.

Mas a história não acaba por aí. Essas moças estão decididas a sua herança. Elas não querem ser omitidas, e, assim, vemo-las novamente em Josué 17. Alí elas estão perante E1eazar, o sacerdote, e Josué, onde insistem na exigência da sua herança. E Receberem-na. Além disso, estou certo de que se o Espírito de Deus dispensou ao relato sobre essas moças tanto espaço na Sua Palavra, é porque a atitude delas causou alegria no céu. Acredito que Zelofeade deve tê-las instruído da mesma maneira como Calebe o fez com sua filha Acsa, ensinando-a a amar aquela terra prometida que não tinham visto ainda.

 

Gideão

Não podemos deixar de mencionar o fim trágico dos filhos de Gideão: setenta pessoas massacradas sobre uma pedra. Isso parece não ter explicação, quando lembramos o tão promissor começo de Gideão. Mas será que não houve um motivo para tudo isso? Ah! infelizmente constatamos que houve uma causa para essa tragédia. Foi Abimeleque o "filho de sua serva" (Jz 9: 18), que matou os seus setenta irmãos. Lemos em Jz 8:30 que Gideão "tinha muitas mulheres". Isto em si já não era de Deus. Mas o que mais agrava a situação é que ele tomou sua "serva" por concubina. Foi a satisfação deste desejo, que causou a morte dos seus 70 filhos.

Mas ainda há mais. Vocês devem lembrar que depois de uma brilhante vitória sobre os príncipes de Midiã, os filhos de Israel disseram a Gideão: "Domina sobre nós, tanto tu, como o teu filho e o filho do teu filho; porquanto nos livraste da mão dos midianitas. Porém Gideão lhes disse: sobre vós eu não dominarei, nem tampouco meu filho sobre vós dominará; o Senhor sobre vós dominará" Jz 8:22-23. Isso foi uma resposta excelente, coerente com a fé que fora o motivo de tão grande vitória.

Quando, porém, Gideão ficou mais velho, a sua fé enfraqueceu, e eu temo que seu orgulho aumentou. Quando a sua concubina, a serva, lhe deu um filho, ele deu a este o nome de Abimeleque (Jz 8.31). a que significa Abimeleque? Significa:

"Meu pai é rei”. Procura ocupar exatamente este lugar de honra, que naquele tempo havia refutado. a nome do seu filho denuncia a triste queda. "Meu pai" (isto é Gideão) "é rei". Que lamentável desvio da fé nobre, que ele um dia tivera. Naquele tempo ele falara:

"Sobre vós eu não dominarei, nem tampouco o meu filho sobre vós dominará". Agora ele pretende o cargo de rei, e o filho da sua serva se apodera deste cargo, em detrimento de seus irmãos, excluindo o mais moço. Resultado horrível da libertinagem e do orgulho do pai deles. Porém, o que o homem semeia, isso também ceifa (colhe).

 

“Estudos sobre a palavra de deus” Tito (Parte 1)