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A ESPERANÇA CRISTÃ 3.b
A ESPERANÇA CRISTÃ 3.b

A ESPERANÇA CRISTÃ

UMA PANORÂMICA DIDÁTICA DA PROFECIA – (3.b)

 

AS BODAS DO CORDEIRO

"Esta revelação, diante do tribunal, acontece antes das Bodas do Cordeiro?"

"Sim, e não pode ser diferente; é a interpretação do Ap. 19,7-8:

"Pois são chegadas as Bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois foi-lhe dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro; pois que o linho finíssimo são as obras de justiça dos santos. " Tendo sido manifesta ante o tribunal, ela foi preparada para isso; pois ali é que se manifestou quais são os atos de justiça dos santos."

"E qual é o segundo requisito para as Bodas do Cordeiro?"

"Quando a Igreja estiver no céu, haverá na terra uma igreja aparente, nominal, que aqui ficou, e que afirma ser a verdadeira noiva de Cristo. Esta igreja falsa, que é descrita em Ap 17 e 18, tem antes de tudo, as características da Igreja Católica Romana. Veja Ap 17, 4­6.9; 18, 3.9-16. Ela afirma ser a igreja-mãe, a verdadeira, a noiva do Cordeiro, mas é, na verdade, chamada de prostituta, por causa de suas ligações adúlteras com o mundo, e por suas idolatrias. Veja cap. 17,1-3.5. Imediatamente, após Deus ter envergonhado as suas aleivosas jactâncias e tê-la julgado (17,15-19; 18,5), acontecerá, no céu, o casamento, e a verdadeira noiva se tornará a esposa do Cordeiro."

"Poderá ainda haver algum crente fiel nesta Igreja falsa?"

"Não, pois a totalidade da Igreja já foi antes arrebatada. Alguns há que pensam que somente uma parte da Igreja será arrebatada, (por exemplo, a parte dos crentes que esperam fielmente a Sua Vinda), porém, a Escritura não faz tal diferença e mostra claramente que todos os crentes que dormiram (morreram) serão ressuscitados, e todos os crentes que ainda vivem serão transformados, no momento do arrebatamento. (1 Co 15, 23. 51.52; 1 Ts 4,16-17)."

"Não, não foi Isso que pensei; minha pergunta é: Não haverá entre os cristãos nominais, pessoas que se converterão? O senhor mesmo disse há pouco que durante a grande tribulação haverá muitos que se converterão ainda ... "

“Certo, porém não dentre os cristão nominais. Nós lemos com respeito àqueles que não acolhem o amor pela verdade para serem salvos, mas deleitaram-se na injustiça, que seus corações serão endurecidos quando, por um lado, Satanás os induzirá com toda sorte de engano e sinais de mentira; por outro lado, Deus mesmo lhes enviará a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de que todos sejam julgados (11 Ts 2, 9-12). Pode ser que a "eficácia do êrro" consista numa "explicação" que acharão para o repentino desaparecimento da Igreja. Talvez até façam trocas de presentes entre si, pela alegria de haverem desaparecido da terra, os "santos ­os perturbadores", justamente como lemos em Ap 11, 8-12, com respeito às duas testemunhas."

"Tanto maior será então sua surpresa e terror, quando virem a Igreja vindo com o Senhor do céu - pelo menos, penso eu, que verão não só o Senhor, mas tam­bém a Igreja aparecerem glória ".

"Exatamente. A Igreja se manifestará com Cristo em glória (CI 3, 4). Ainda não está manifesto ao mundo o que seremos; mas, naquele dia, verão que seremos semelhantes a Ele (1 João 3, 2). Ai o mundo conhecerá que o Pai nos amou como amou o Filho (João 17, 23). Sim, então o Senhor Jesus fará com que os cristãos nominais, os quais afirmam ser o povo da

aliança de Deus, porém, não o são, mas mentem, venham aos pés dos crentes fiéis e se inclinem, reconhecendo que o Senhor Jesus os amou (Ap 3, 9). Então o Senhor, naquele dia em que voltar, será glorificado nos seus santos, e admirado em todos os que creram. (11 Ts 1,10)."

"Começa com esta Vinda de Cristo, o Reino milenlal? Ouvi multas vezes dizer que estamos agora vivendo esse Reino milenial. "

"Posso compreender isso. examinemos rapidamente Ap 20, pois é o único lugar na Bíblia, que fala de um governo de mil anos. Não quero entrar em todos os pormenores, mas neste capítulo encontramos três pontos dos quais podemos entender, irrefutavel­mente, não estarmos agora no Reino milenial. 12 - É fora de dúvida que o capo 20 segue cronologica­mente o capo 19. Pode-se reconhecer pelos repetidos "e eu vi" (20,1.4, 11) os quais, juntos com os "Vi" e "Ouvi" nos capítulos 18, 1.4 e 19, 1.6.11. 17 e 19; e cap 21,1-2) nos mostram uma seqüência de acontecimentos, um em seguida do outro. Na verdade, em Apocalipse, há trechos completamente novos que voltam a falar de acontecimentos anteriores (assim em capo 11, 19 com 12, 1 e 17, 1 com 21,9) mas quando isto acontece, fica bem claro através do contexto. Agora, no contexto de Ap 19 e 20, não há como duvidar de que os mil anos acontecerão depois da Vinda do Senhor. 22 Durante os mil anos, Satanás estará acorrentado no abismo (versos 1 e 3 e 7), o que não se pode identificar com o tempo atual, onde Satanás anda bramando como leão que ruge (I Pedro 3, 8). 32 Todos os crentes estarão ressuscitados e glorificados, e reinarão com Cristo. (Versos 4 e 6). Também as almas daqueles que morreram durante a "hora da provação" por causa da sua fé, serão vivificados e terão parte na primeira ressurreição (verso 5). Durante os mil anos nenhum crente estará na sepultura, pois estarão todos ressuscitados e reinarão com Cristo mil anos."

 

REINAR COM CRISTO

"Mas Cristo não reina agora já sobre o mundo, com os crentes que morreram?"

"Claro que não. A Bíblia jamais diz que os crentes que já morreram e ainda não ressuscitaram estejam reinando agora. Eles reinarão sobre a terra (Ap 5, 20), porém somente após a primeira ressurreição. E o que é mais importante ainda: Cristo Mesmo, como Filho do Homem ainda não reina agora. Não é o mundo atual, mas o que há de vir é que estará sujeito a Cristo; agora ainda não vemos tudo a Ele sujeito, (Hb 2,5.8). Deus disse ao Senhor Jesus: "Senta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigo por estrado dos teus pés" (Atos 2, 34-35). Isso já se cumpriu? Não, Cristo mesmo ainda espera o cumprimento desta palavra (Hb 10,12-13). Deus, certamente, logo Lhe dará o trono de Davi (Lucas 1, 32) Entretanto, o Senhor Jesus ainda não está sentado nesse trono porém à direita de Deus, no trono de Deus; O Senhor diz: "Ao que vencer, DAREI que se sente comigo, no meu trono, como eu venci, e me sentei com o meu Pai, no Seu trono (Ap 3, 21). Portanto, fica bem claro, como podemos ler também em Ap 19, 15 e 20, 4-6, que o governo de Cristo será depois da Sua Vinda."

"Realmente estas são provas bem claras da Escritura; logo, tudo estará colocado aos pés de Cristo, e nós reinaremos com Ele. Não é consolo para nós agora?" "Se perseverarmos, reinaremos também" (2 Tm 2, 12)"

"Oh, sim, e serve também como exortação: Paulo explica que os crentes devem estar em condições de resolver os problemas entre si mesmos; deverão eles julgar o mundo e os anjos, isto é, governar. (I Co 6,2.3) Porém, o mais glorioso é que o nosso reinar com Cristo, é objeto do eterno propósito de Deus. Um desígnio, que no Velho Testamento era um mistério, pois não foi revelado que, quando Cristo reinasse sobre Israel e as nações, os crentes glorificados partilhariam com Ele esta posição de glória e poder. Daniel no cap 7 afirma que os santos dos lugares altíssimos, ou seja, os santos celestiais receberão o poder juntamente com o Filho do Homem (versos 18,22 e 27). Mas não fala nada de governar, e, muito menos, que terão a mesma glória e poder como o Filho do Homem.

Só agora nos foi revelado; agora, sabemos que Deus não só coroará de honra e glória o Filho do Homem, colocando tudo a Seus pés, como também, (e isto estava em Seu coração!) trará muitos filhos à glória (Hb 2,5-10 compare com Salmos 8, 4-6). Foi-nos revelado o mistério da Vontade de Deus, que, segundo o Seu desígnio, começa uma dispensação, na qual não só tudo é colocado aos pés de Cristo mas também, os santos seja co- herdeiros com Ele (Ef 1, 9-11; Rm 8,17). Sim, quando o Salmo 8 se cumprir, e tudo estiver aos pés de Cristo, não só Deus será uma exceção; também a Igreja será uma exceção, pois não será posta em sujeição a Cristo. Pelo contrário, Deus deu justamente a Cristo como Cabeça à Igreja, a qual é o Seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as cousas, Ef 1,20-­23.
Como pode ser que esta parte gloriosa da Igreja não seja mencionada nas profecias?"

"Porque a Igreja mesma, como já dissemos, era um mistério totalmente desconhecido no Velho Testamento (Ef 3,2-6; Cl1, 26.27). As profecias tratam dos caminhos de Deus com respeito a esta terra, quer dizer também, com respeito ao governo de Cristo sobre aqueles que estarão na terra. As ovelhas que entrarão no Reino (Mt 25, 34) e o povo remido de Israel. No entanto, podemos encontrar a parte da Igreja nas profecias, observando a parte de Cristo mesmo. É digno de nota que aquilo que os profetas falam de Cristo, no Novo Testamento, é atribuído à Igreja várias vezes, e não significa de maneira alguma um pensamento estranho, se considerarmos a ligação íntima de Cristo com Sua Igreja. Como a esposa com o marido, como a cabeça com o corpo. Como eu disse há pouco: O Salmo 8 fala do governo glorioso do Filho do Homem sobre todas as cousas; porém em Ef 1 e Hb 2 temos visto que os santos não estão incluídos em "todas estas cousas" mas têm parte na mesma posição do Filho. O Salmo 2 diz que o Filho de Deus governará e despedaçará as nações com vara de ferro, porém em Apocalipse, a mesma profecia é atribuída aos crentes. Assim, Isaías 9,7 diz que Cristo reinará no trono de Dai; mas em Ap 3, 21, o  Senhor Jesus diz que os crentes se sentarão com Ele no Seu trono. Tão gloriosa será a futura posição da Igreja, que dela, a esposa do Cordeiro, a Nova Jerusalém, é dito que tem a glória de Deus (Ap 21, 11). Seu brilho será como cristal de jaspe; isto é, o brilho de Deus mesmo (Ap 4,3). A glória de Deus a ilumina, e o Cordeiro é sua lâmpada; e os povos andarão na sua luz, e os reis da terra lhe trarão a sua glória (Apoc 21,23-24)."

"Por que termina depois de mil anos o glorioso governo de Cristo e Sua Igreja?"

 

A POSIÇÃO ETERNA

"Bom, em certo sentido não existirá fim. O governo de Cristo é um governo eterno (Daniel 2, 44; 7,14.27). Também dos santos nós lemos que terão um governo eterno (Ap 22, 5). Porém, depois dos mil anos, será modificado o caráter desse Reino. Lembre-se de que durante o milênio, ainda não haverá uma condição perfeita aqui na terra. 12: Paz e justiça reinarão ali (Isaías 32,1). Mas ainda não "habitarão" ali como há de ser na nova terra (lI Pedro 3, 13).22: Durante o milênio ainda haverá pecado na terra, mesmo que não tão acintoso, porque Satanás estará preso e sentir-se-á o poder e a majestade de Cristo; somente pecadores obstinados serão amaldiçoados.

(Isaías 65, 20; Salmo 101, 8). No final do Reino de paz, revelar-se-á que, a maioria dos povos, na terra, apesar das bênçãos, não se converteu realmente, porém submeteu-se ao Senhor com fingimento (Salmos 66, 3; Ap 20,7­10). 32 Até os santos que habitarem na terra, durante o Reino de paz, terão corpos mortais; mesmo que não morram, estão submetidos à lei da morte; ainda serão mortos inimigos, enquanto a morte igualmente, ainda não entregou os mortos incrédulos; como se vê em Ap 20, 5-15, estes mortos ressuscitarão depois dos mil anos, para comparecer ao julgamento diante do trono branco. Por isso, diz-se em I Co 15, 25-28: "Porque Ele, Cristo, precisa reinar, até que todos os seus inimigos estejam a Seus pés. O último inimigo a ser vencido é a morte (Ap 20, 14). Pois tudo Deus pôs a Seus pés. Leia agora o verso 24: "Então virá o fim, quando Ele entregar o Reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder". E depois, o final em verso 28:

"Quando, porém, todas as cousas lhe estiverem sujeitas, então o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as cousas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos." Com isso, inicia-se a condição eterna, na qual o governo do Filho, como tal, termina, mas na qual Deus (Pai, Filho e Espírito

"E qual será a posição da Igreja na condição eterna?"

"Já vimos que, por toda a eternidade, sua morada será na Casa do Pai. Mas, se ela também vai reinar eternamente (Ap 20,5) deverá ter alguma relação com a nova terra, que será criada (Cap 20,11; 21,1; Hb 12, 27; II Pedro 3, 12-13). Em Ap 21,1-8, lemos no que consiste esta relação. Podemos ver ali, depois da criação de novos céus e nova terra, a cidade santa, a Nova Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus, preparada como uma noiva para o seu noivo (Versos 2, 9 e 10).

Depois de mil anos, a Igreja ainda tem a mesma glória invariável, como no seu casamento! Ela desce do céu, mas não lemos que vem à terra, Sua morada é no céu. Entretanto, existe uma ligação; Deus habita no céu, mas também habitará com os homens na nova terra - verso 3. E como? Deus habitará eternamente na Igreja, o templo de Deus (I Co 3, 16; II Co 6, 16), e será neste templo que Deus habitará entre os homens: "O tabernáculo de Deus entre os homens". Preste atenção: aqui está escrito 'Tabernáculo" ou seja, "Tenda" e não templo; penso que isto exclui o pensamento de que a Igreja tenha, na nova terra, um lugar fixo. Não; os "homens" habitarão na nova terra; esses são todos os salvos, de todas as dispensações, desde Adão, com exceção da Igreja, pois sua morada é no céu; na nova terra, ela será somente uma tenda, ou seja, uma morada de Deus, não fixa, mas móvel. É difícil para nós imaginarmos essa situação perfeita de então, mas poderíamos ver uma semelhança na escada de Jacó; uma ligação direta entre o céu e a terra."

"Isso tudo é realmente difícil, mas não faz mal. Aconteça o que acontecer, seja como for, nada poderá ser comparado com esta gloriosa realidade: "Estaremos para sempre com o Senhor"

"Eu sou a raiz e a geração de Davi, a brilhante estrela da manhã. O Espírito e a noiva dizem: Vem. Aquele que tem sede, venha, e quem quiser receba de graça a água da vida.

Aquele que testemunho destas cousas diz: Certamente venho sem demora, Amém, Vem, Senhor Jesus!"

Ismael

Antes de comentar a história de Jacó, que é digna de nota, tomo a liberdade de me deter ainda com Ismael, exemplo destes brilhos dourados da Graça de Deus que não chamam a atenção do leitor superficial. Pouco sabemos de Ismael. Ele tinha talvez quinze ou dezesseis anos de idade quando seu irmãozinho Izaque caçoou dele, o que foi a causa para sua mãe, bem como ele mesmo, serem enxotados de casa, tornando-se peregrinos errantes, padecendo de sede no deserto. Vocês se lembram do desespero de Hagar quando colocou o menino debaixo de um arbusto, afastando-se à distância de um tiro de arco, porque dizia:

"Assim não verei morrer o menino; e, sentando-se à frente dele, levantou a voz e chorou" (Gn 21:16).

O que houve com o menino?

Ele também levantou sua voz ­porém não para chorar, mas para orar. Embora deva ter sido teimoso (Gn 16:12), talvez até um menino "travesso" , mas não viveu aqueles anos junto ao seu amado e velho pai sem aprender algo sobre o valor da oração. Vocês por certo também se lembram de que, de fato, o seu nome significa "por que o Senhor ouviu ... ". Pensemos nisto

e também levemos em conta que Ismael provavelmente tinha ciúmes daquele irmão menor que deveria se tornar o "herdeiro de tudo"; seria quase que anormal não ser assim. Considerando a situação, é até comovente vermos que mais tarde Ismael está juntamente com Isaque sepultando seu pai (25:9). Esse fato, por certo, dá a entender que Deus operou em seu coração.

Ismael e sua mãe provavelmente sofreram muito com a expulsão daquele confortável lar de sua infância, e havia muito motivo para amargo arrependimento dos pecados de outrora. Assim, como não é precioso vermos que o nome que Ismael deu à sua filha Maalate (Gn 28:9) significa "PERDOAR"! Esta menininha certamente foi criada em condições muito diferentes daquelas que marcaram a infância de seu pai, - tudo por causa do pecado. Mas sempre que olhava para ela, podia se lembrar que tudo estava perdoado. No Velho Testamento deram-se muitos nomes bonitos para as crianças; mas não conheço outro que exceda a beleza de "Maalate", a filhinha de Ismael.

Mas isso ainda não é tudo. Será que o coração de Ismael muitas vezes não doeu por seus filhos serem criados em um lar tão diferente daquele que alegrou a sua infância? Em Gênesis 28:9, lemos que a filha de Ismael, Maalate, na condição de noiva, é maravilhosamente introduzida de volta àquela casa que o pai, devido ao pecado, havia perdido. Para mim, isto é por demais precioso. Quem mais saberia apreciar o valor da palavra "PERDOAR" senão aquele que após a amarga experiência com o pecado, experimentou algo de sua beleza? Ainda mais amoroso é quando o passo que segue ao perdão é a restauração daquilo que foi perdido. Tomara que Ismael e Maalate possam consolar e animar a vocês, assim como também foram um consolo e ânimo para mim. E isso ainda não é tudo: Esaú e Maalate tiveram um filho, ao qual chamaram Reuel (Gn 36:3-4). E nos dito que o significado de Reuel é "amigo de Deus". Este é, vocês se lembram bem, aquele mesmo nome com que a Palavra de Deus designa Abraão, o bisavô da criança (veja Tg 2:23; Is 41:8; 2 Cr 20:7). Para mim é precioso saber que escolheram este nome para sua criança.

O perdão que motivou Ismael a dar o nome de "PERDOAR" para sua filhinha, foi especificado como o "perdão que restabelece", pois dá a entender que o grande Pastor restabeleceu a sua alma. O perdão que concedeu à sua filha aquele lar que ele, devido ao pecado, perdeu, é especificado como o "perdão de governo", pois mostra que Deus, em seu governo, poupou à criança de Ismael aquele castigo que ele próprio teve que suportar por seu pecado. E ainda há um terceiro tipo de perdão: o indulto, que para o crente é o primeiro da lista - o "perdão eterno" que Deus dá. É bom entender que nas atitudes de Deus com o seu povo o perdão precisa ser visto segundo estes três aspectos. Tendo em vista que Ismael também era filho de Abraão (Lc 19:9), não podemos considerar que ele, igualmente, recebeu o perdão que restabelece, o perdão segundo o governo e ainda o perdão eterno? Embora possamos aceitar assim, temos que nos lembrar de que Ismael foi o avô de Amaleque, do qual é dito que "Porquanto o Senhor jurou, haverá guerra do Senhor contra Amaleque de geração em geração!" Não podemos pecar levianamente contra Deus ou seu povo, sem que tenhamos que arcar com amargas consequência.

Esaú

A história de Esaú é muito triste e deveras séria.

Era filho de Isaque, um dos mais honrados patriarcas. Talvez ele tivesse quinze anos quando o seu avô Abraão morreu; este menino deveria, ao menos, ter guardado alguma influência daquele que foi o "pai da fé". Ele era o irmão gêmeo mais velho de Jacó, a quem Deus concedeu tal graça indizível, e era dele o direito de primogenitura e a benção. Ele notou qual o valor que seu avô e o irmão davam às promessas de Deus; mas parece que estas nada lhe significavam, pois vendeu o direito de primogenitura por uma refeição (Hb 12:16). Parece que lhe faltava completamente a fé. O que não podia ver, não tinha valor aos seus olhos. A Escritura classifica-o como "profano", e dele é dito: "Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú". Eu sei muito bem que foi assim para que o "propósito de Deus, quanto à eleição prevalecesse" (Rm 9: 11); porém não tenho dúvidas de que a causa estava no comportamento do próprio Esaú. Ele desprezou as promessas de Deus, e depois," querendo herdar a benção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado" (Hb 12:17).

Vocês se lembram de que a intenção de Esaú era matar a seu irmão; e o que parece ter sido pior aos olhos de Deus, foi o ódio irreconciliável que a semente de Esaú conservava contra a semente de Jacó, que era o povo de Deus. Ainda assim, reconhecemos no coração de Deus o anseio e o pesar pela descendência de Esaú; Deuteronômio 23:7: "Não aborrecerás o edomita, pois é teu irmão". Desconsiderando toda a obstinação e todos os pecados de Esaú e sua semente, vemos o Senhor empenhado em fazer com que Israel lembrasse as prer­rogativas que Edom tinha como irmão. Mas menosprezaram até mesmo essa boa vontade e a rejeitaram; então o Senhor teve que dizer a Edom que: "Por causa da violência feita a teu irmão Jacó, cobrir-te-á a vergonha, e serás exterminado para sempre" (Obadias 10).

Nós, pais crentes, fazemos bem em lembrar que o prazer da comida parece ter sido o início da decadência de Esaú, e também já fomos lembrados de que este foi o mesmo pecado no qual também caiu o seu pai. Como não é profundamente triste considerar que, num dia futuro, será manifesto que o exemplo do pai levou Esaú àquilo, e comprovou ser a sua perdição. Que o Senhor nos guarde, pois nós não temos como nos guardar a nós mesmos!

Mas também não podemos nos esquecer, de que o mau exemplo de Isaque não diminui e nem desculpa a responsabilidade de Esaú por não ter seguido a fé de seu pai. O juízo de Deus diante disso não será atenuado. E para reconhecer a gravidade de tal juízo, temos que recorrer aos profetas. Encontramos todo o livro de Obadias ocupado com este tema, outros profetas também se referem a ele com freqüência - veja como exemplo Jeremias 49:7-22: Edom será "exterminado para sempre" e "como na destruição de Sodoma e Gomorra, e das suas cidades vizinhas, diz o Senhor, assim não habitará ninguém ali, nem morará nela homem algum" (Jr 49:18). Enquanto haverá alegria no restante da terra, Edom estará completamente desolado.

Esaú e sua descendência nos fazem lembrar os filhos de pais crentes, filhos, que rejeitaram o evangelho. O seu "direito de primogenitura" era a salvação, mas não lhe deram valor, menos­prezaram-na. Ouviram e conhe­ceram as abençoadas promessas de Deus, e rejeitaram-nas. Tinham avós, pais, irmãos e irmãs que muito estimavam aquilo que eles próprios rejeitaram. Talvez muitos tiveram amargas decepções com o povo de Deus, por certo até tinham motivo para tal; quanto motivo de rancor Esaú não tinha para com o irmão! Porém isso não o desculpava.

Muito me dói escrever estas palavras; mas tomara que este triste exemplo nos leve, aos que temos filhos rebeldes, a buscar a face do Senhor com muito mais fervor ­por amor a eles. Se acaso um tal filho se deparar com estas linhas: lembre-se da Graça de Deus que ainda se ocupa com você; ainda existe um caminho "para casa". Será que é tão difícil dizer: "Pai, eu pequei?"

Jacó

A história de Jacó está repleta de lições profundas e proveitosas. Do começo ao fim de sua vida está a epigrafe: "aquilo que o homem semear, isso também ceifará". Ele enganou a seu pai e fraudou a seu irmão. Mais tarde ele próprio é enganado e traído pelo sogro e mais tarde pelos próprios filhos. Contudo, isso tudo somente faz com que a Graça de Deus para com ele brilhe mais claramente.

Vocês certamente perceberam quanto espaço o Espírito de Deus dedicou à história de Jacó no livro de Gênesis. Eu creio que nossos corações se alegram com isso. Jacó é muito parecido conosco, de forma que sempre vem o seguinte pensamento: "Este poderia muito bem ser eu mesmo!" Seus pontos fracos, a vontade própria, os planos, a falta de fé, a pendência para o mundo; tudo isso - infelizmente ­são cousas que todos nós conhecemos muito bem. Por isso mesmo nos alegramos que o nosso Deus é tão insistente em denominar-­se a Si mesmo como "Deus de Jacó" e raramente como "o Deus de Abraão". Veja SI 20,1; 46,7.11; 75,9; 81,1.4; 94,7; 114,7; 132,2.5; 146,5. Compare com SI 47,9. Note que por treze vezes encontramos nos Salmos" o Deus de Jacó", enquanto que somente uma vez "o Deus de Abraão".

Consideremos ainda que o signi­ficado de Jacó é "aquele que ilude, enganador" , enquanto que Abraão quer dizer "pai de muitas nações".

Não preciso tomar o tempo para enumerar os detalhes de toda a sua (tão cativante) história. Aquele travesseiro de pedra, aonde o sol se pôs, os mais de vinte anos de trabalho duro que se seguiram até que possamos ler do próximo nascer do sol, todos os sofrimentos em Harã - tudo são conseqüências incontestáveis do pecado contra o pai e irmão. Não esqueçamos também que Jacó tinha duas mulheres e duas concubinas, muito em contraste com seu pai e seu avô. Logo em Harã vemos Rubem, seu primogênito, ainda criança naquele tempo, envolvido em uma cena que somente deveria ter sido contornada pelo amor (Gn 30,14­16). Assim não é de se admirar que este mesmo filho, mais tarde, comprova uma falta de reverência para com estas cousas santas ao se deitar com Bila, concubina de seu pai (35,22). Este gesto custou a Rubem a perda do direito de primogenitura, além do mais foi para Jacó uma mágoa muito amarga. Parece que Jacó, no fim de sua vida, teve mais consciência do horror desta ação suja e má do que nos primeiros dias (Gn 49,3­4), quando seguia a Deus, porém de longe, não na intimidade que parece ter gozado com Deus nos últimos anos de sua vida. Sob certo aspecto aconteceu como deveria ser. Verdadeiramente, os pecados estão perdoados, foram encobertos, estamos justificados: E se é Deus quem justifica, quem nos condenará? O "acusador dos irmãos" está sempre ocupado em nos lançar os velhos pecados em rosto; mas, graças a Deus, nós temos Alguém que se dispõe a dizer: "O Senhor te repreende, ó Satanás, sim, O Senhor. .. te repreende; não é este um tição tirado do fogo?" (Zc 3,2). Mesmo assim, o repúdio diante destes velhos pecados deveria ser tanto maior, quanto mais reconhecemos o quanto custaram para o nosso Redentor.

Abraão e Isaque eram estrangeiros e peregrinos. Tinham sua tenda e altar. A única propriedade desses patriarcas em Canaã era a sepultura; Jacó deveria ter seguido os seus passos, mas em Gênesis 33,17 e 19 vemo-Io construir uma casa e comprar um campo. Demonstrou que sua motivação era outra que a de seu pai e avô. Nem sempre é fácil ou agradável portar-se como estrangeiro. Aquele que disse que "as raposas têm seus covis e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça" (Mt 8,20 e Lc 9,58), não encontrou aqui lugar algum onde pudesse deitar a Sua santa cabeça, até que na cruz clamou... Está consumado" e inclinou a cabeça (no grego ambas as citações usam a mesma palavra, sendo estas as únicas citações desta forma no Novo Testamento). Houve outro igual que, caminhando aqui, manifestou tão claramente esta condição de estrangeiro? Ainda que cada um foi para sua casa, Jesus, entretanto, foi para o Monte das Oliveiras; pois aqui não tinha um lar onde poderia se recolher (Jo 7,53-8,1).

Parece que Jacó saturou-se de ser peregrino e cedeu à tentação de construir uma casa. Qual a conseqüência desse compor­tamento? Sua filha Dina saiu para ver as filhas da terra. Ao invés de se portar como um peregrino celeste, que somente está aqui de passagem, seu pai se fixou no mundo para construir uma casa; haveria algo mais natural quando sua filha agora deseja ter amizade com o mundo? Nós conhecemos o triste e vergonhoso resultado dessa atitude. Quem imaginou que trocar a tenda por uma casa teria conseqüências tão amargas? Mas é assim; e, em nossos dias, a amizade com o mundo continua sendo inimizade contra Deus. Quando nos amoldamos ao mundo (e assim perdendo o caráter de estrangeiros) dificilmente podemos censurar nossos filhos quando buscam a amizade daqueles em cujo meio nós nos fixamos.

Parece que somente anos mais tarde da ocorrência dos fatos (Gn 49)a alma de Jacó se sensibilizou por tudo o que se passou em sua casa, e pela desonra causada ao Nome de Deus, e então exclama:

"Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura! dividi-los-ei em Jacó. E os espalharei em Israel" (Gn 49,7). Como castigo por sua crueldade, cometida muitos anos antes em Siquém, Levi foi espalhado em Israel. Agora, pois ­anime-se - veja a Graça de Deus: justamente este castigo, ser espalhado em Israel, tomou-se uma benção indizível. Esta tribo é escolhida para chegar-se a Deus, e é espalhada visando que o conhecimento de Deus e de Sua Palavra se alastre em israel. Mais uma vez a "ira do homem" resulta para o Seu louvor, mais uma vez "do comedor saiu comida". Como é animador!

Não podemos encerrar o estudo de Jacó, tão cheio de falhas, e seus filhos, sem mencionar a graça que representou ter um filho como José! Pelo que sei, a Escritura Sagrada não descreve sequer uma falha em sua vida. Podemos dar graças a Deus, e tomar ânimo, ao constatar renovadamente que a Sua graça excede os nossos pecados. E é justamente a mesma Graça com a qual os pais hoje precisam contar. A história de Jacó é do começo ao fim, a história desta Graça.

 

Estudos sobre a Palavra de Deus - 2 Epístola a Timóteo (continuação capitulo 3)